quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

7º Capítulo: Ex Pastor da IASD Conta Tudo! Período: Vida Adulta - dos 32 Anos aos 48 Anos de Vida - Experiência Fora do Pastorado e Fora da IASD

Após minha trágica saída do ministério pastoral da IASD eu passei por um período de muito sofrimento emocional. Os meses que se seguiram após a data de maio de 1998 foram meses de indescritível angústia e tristeza para mim, para minha esposa Eliane Deucher à época e para os meus familiares, principalmente minha avó materna Osvaldina Emy da Silva Muniz, devido a sua idade e problemas de saúde renal. Muitas vezes conversei com minha avó e desabafei minha decepção pelo ocorrido. Acredito que ela sofreu mais do que eu, pois nós dois sabíamos tudo que tínhamos passado e investido para que meu sonho de ser um pastor da IASD pudesse ter se tornado realidade em 1989. Mas a minha história de vida não interessava para os detentores do poder denominacional da IASD. Tanto é que a atitude de todos eles foi de indiferença por minha situação, nem mesmo o Ministerial da Associação Catarinense veio me visitar ou orar comigo. Eu me senti extremamente só, além de sentir o desprezo e a discriminação por parte dos meus ex colegas de ministério e dos membros da igreja. Porque na IASD é assim, sempre que um pastor é retirado a culpa é dele e os que ficam sabendo especulam todas as razões possíveis, desde roubo até adultério, incriminando de alguma maneira o pastor que sai da obra e destruindo a sua reputação. As pessoas costumam dizer: "mas ele saiu porque deve ter feito alguma coisa muito grave, a IASD não tira um pastor se não tiver cometido algum pecado". A ideia que predomina na cabeça das pessoas é de que o pastor foi tirado porque cometeu algum erro muito grave, como se os administradores da igreja nunca pudessem cometer injustiças.

Quando fui comunicado oficialmente que eu não seria mais pastor credenciado da IASD, os administradores da Associação Catarinense de Florianópolis, SC, enviaram um funcionário para que me acompanhasse até o Ministério do Trabalho para que eu recebesse o que me era devido, uma vez que como professor eu tinha Carteira de Trabalho Assinada pela União Sul Brasileira da IASD. Diante do funcionário público que nos atendeu, o mandante dos administradores exigiu que eu devolvesse imediatamente minha carteirinha do plano de saúde da UNIMED, o que fiz de imediato. Também solicitou que eu deixasse imediatamente o imóvel onde estava morando, uma vez que o mesmo era alugado e pago pela Associação Catarinense da IASD (AC). Como eu ainda não havia recebido a indenização trabalhista sem justa causa, disse para o mandante dos mandatários da AC que eu só sairia do apartamento depois de receber a indenização que me era lícita, pois com o valor da mesma eu pretendia comprar um imóvel, uma vez que eu não tinha onde morar e nem pra onde ir. Após o mandante comunicar os administradores na AC em Florianópolis, eles concordaram em que eu ficasse por mais um mês no apartamento.  Era o mês de mais de 1998, uns dois meses depois, quando recebi o valor da indenização trabalhista, eu comprei um apartamento para morar e eu e minha esposa fizemos a mudança. Mas antes de nos mudarmos aconteceu algo estranho. Um dia pela manhã quando fui ao banheiro havia um morcego vivo dentro do vaso sanitário. Foi estranho porque meses mais tarde, quando já estávamos morando em nosso apartamento, uma noite eu estava assistindo televisão na sala com as luzes apagadas e vi um morcego voando pela sala e no corredor. Quando levantei para ver mais de perto, o morcego entrou voando no banheiro e sumiu. Não sei o que significava aquilo, mas o fato é que meu casamento começou a desmoronar depois disso.

No caso do processo trabalhista que ganhei na justiça, aconteceu que o valor da indenização que a IASD me pagou estava errado. Os administradores da AC da IASD não foram honestos comigo e ficaram me devendo cerca de 50% sobre os meus direitos trabalhistas já recebidos. O dinheiro era meu, eu havia trabalhado e feito o meu melhor, por essa razão procurei um advogado trabalhista e entrei com uma ação processual para poder receber o que faltava. O processo trabalhista demorou cerca de dois anos, e no ano de 2000 o juiz deu causa ganha para mim. Foi vergonhoso para a IASD comparecer diante do tribunal representada por dois advogados que negavam que a Organização me devia. Em um dado momento o juiz perguntou a eles: "então quer dizer que a igreja adventista não deve nada para o Pastor Jorge Schemes?" Ao que eles responderam: "Não, não deve mais nada". Então o juiz deu a sentença: "A IASD deve sim, e é tanto, e vocês tem 24 horas para depositar o valor devido ao Pastor Jorge Schemes, sob pena de pagar multa diária por atraso". Olhei para aqueles advogados e eles estavam de cabeça baixa, envergonhados. A justiça foi feita, do ponto de vista trabalhista, e eu fiquei satisfeito, pois com o dinheiro pude comprar uma carro para trabalhar. Nessa época, em 2000, eu já estava trabalhando na Rede Pública Municipal de Ensino como professor de Ensino Religioso.

Mas logo após minha demissão sem justa causa, ou seja, desde maio de 1998 até o início do ano 2000, fiquei desempregado e com dívidas. Foram praticamente dois anos de muito sofrimento e angústia. Eu estava em depressão e não sabia. Meu casamento começou a entrar em crise. Minha mulher à época começou a jogar na minha cara que tudo o que havia ocorrido era culpa minha, que eu tinha sido orgulhoso. Mas apesar de tudo ela continuou lecionando na Escola Adventista Dom Pedro II. Eu me sentia sozinho e triste, sem saber o que fazer profissionalmente, mas não parei de estudar, mesmo devendo as mensalidades na ACE/FGG onde fazia a faculdade de pedagogia. O ano de 1998 passou rápido, e naquele ano, apesar de tudo o que havia ocorrido, eu continuei estudando e frequentando a IASD, e quando recebia um convite para pregar eu aceitava.

No ano seguinte, em 1999, os problemas no meu casamento se agravaram. Haviam brigas e discussões pelo fato de eu ainda estar desempregado. Eu estava tentando me colocar no mercado de trabalho, mas com o diploma de Bacharel em Teologia ficava difícil. Então me dediquei a escrever e organizei um material sobre tabagismo para realizar palestras. Alguns anos mais tarde enviei esse material para algumas editoras, inclusive para a Casa Publicadora Brasileira, a qual não demonstrou interesse no mesmo. Todavia, a editora DPL se interessou e publicou meu livro no ano de 2005, sem custos para mim, pois cedi meus direitos autorais para obras de assistência social da editora, que é uma editora espírita. Assim, o fruto literário do período que estive desempregado foi o livro: "O Que Você Precisa Saber e Fazer Para Deixar de Fumar", o qual pode ser encontrado na Internet. Também escrevei e organizei um material sobre a Influência da Mídia e dei algumas palestras sobre esses temas em Instituições Públicas e Privadas. No ano de 1999 também tive um programa aos domingos à tarde na Rádio Floresta Negra AM de Joinville, SC, o qual durava uma hora e tinha alguns patrocinadores, era o programa "Vida Cristã". Eu estava desempregado, mas não sem trabalhar. Me envolvi em projetos voluntários e fui o Coordenador Municipal do "Fórum Pelo Fim da Violência e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes". Além disso comecei a escrever artigos para os jornais "Diário Catarinense" e "A Notícia", tudo isso sem deixar meus estudos na faculdade de Pedagogia da ACE/FGG.

Eu estava muito decepcionado com tudo quer havia ocorrido, e principalmente com a maneira como tudo aconteceu. Lembro que mesmo não sendo mais pastor remunerado pela IASD eu ainda recebia alguns convites para pregar nas igrejas. E foi no final do ano de 1999 que decidi fazer meu último sermão na IASD do bairro Itinga em Joinville, SC. Na semana seguinte a esse sermão escrevi uma carta para a Associação Catarinense da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Florianópolis, SC, solicitando o meu desligamento como  membro regular da IASD. Foi algo que fiz voluntariamente, e foi muito doloroso para mim. Sofri muito emocionalmente e espiritualmente. Fui colocado nos registros da IASD como ex membro regular, sendo o motivo registrado como apostasia. Mas eu não havia perdido minha fé em Jesus.

Além disso, meu casamento não estava bem, e no ano seguinte, em 2000, eu sentia que o pior poderia acontecer e logo aconteceu. Minha separação foi da pior forma possível, além de ser litigiosa com mandado de separação de corpos, houve muita agressão verbal, pois eu errei e acabei me envolvendo com outra pessoa. Um dia ao chegar em casa, um oficial de justiça me ordenou que eu deixasse minha casa somente com pertences pessoais. Fiquei revoltado e solicitei que o mesmo se retirasse de dentro do meu imóvel. Ele saiu, mas chamou a polícia. Quando a viatura chegou no condomínio, eu me escondi atrás de uma parede falsa um andar acima do meu. O policiais vistoriaram todos os lugares, e quando passaram por mim, não olharam o local onde eu estava. Como eu não queria passar pela humilhação de sair preso dali, orei a Deus pedindo a sua misericórdia para que eu não passasse por aquela humilhação. E o Senhor foi extremamente misericordioso comigo fazendo com que aqueles policiais passassem do meu lado e não olhassem no lugar onde eu estava. Após esse incidente, sai de dentro da minha casa sem saber para onde ir, desempregado, sem muito dinheiro, apenas com pertences pessoais, triste, desanimado, frustrado, sem amigos e agora separado. Fui me hospedar em um hotel barato no centro de Joinville, SC. Me isolei ainda mais, pois sentia vergonha e não queria ver ninguém. Eu não tinha mais nada do pouco que eu tinha conquistado. Eu pensava: agora estou do jeito que os administradores da igreja que me prejudicaram gostariam que eu estivesse", para eles era um prato cheio para justificar o que me fizeram. Apesar de tudo, mantive a minha fé em Jesus. Mas esse ainda não era o meu fundo do poço.

Quando eu estava naquele hotel barato no centro da cidade de Joinville, SC, liguei para meu tio avô Davi, irmão da minha avó materna, minha segunda mãe. Meu tio era membro da IASD do Bom Retiro em Joinville, SC, tinha ficado viúvo a pouco tempo. Ele me conhecia e eu sabia que de alguma maneira ele poderia me ajudar. Imediatamente ao saber das minhas condições, meu tio se prontificou a me ajudar. Veio até aquele hotelzinho e me levou para sua casa. Além disso me ofereceu um quarto e disse que eu podia ficar morando com ele até minha situação melhorar. Eu aceitei e até hoje sou agradecido ao tio Davi pela ajuda e apoio que me deu. Morei com ele por dois anos, nunca me cobrou aluguel, mas eu ajudava pagando as contas de luz e água. Morei na casa do tio Davi até ele se mudar para o Rio Grande do Sul.

Além disso, no ano de 2000 começaram acontecer algumas coisas boas também. Eu consegui um emprego como professor de Ensino Religioso na Rede Municipal de Ensino de Joinville por meio de um concurso público que fiz. Com esse emprego pude quitar minha dívida com a ACE/FGG e entrar na formatura de Pedagogia com outra turma no mês de julho de 2000. Lembro que nessa formatura não havia ninguém da minha família e eu comemorei sozinho mais uma conquista acadêmica dando graças a Deus. No final daquele ano nasceu minha primeira filha, Miriam Maria Vensso Schemes, o que me trouxe enorme alegria e satisfação. Embora eu fosse um pai solteiro, reconheci minha filha e regularizei a pensão de alimentos. Em 2000 também fiz um concurso público para agente da Polícia Federal em Florianópolis, SC, e apesar de ter estudado muito as apostilas que comprei eu não consegui passar. Esse foi o único concurso que não orei antes de fazer a prova, os outros oito concursos públicos que fiz eu orei antes da prova e em todos eles eu fui aprovado. Ainda no início do ano 2000 participei de um processo seletivo para atuar como Conselheiro Tutelar em Joinville, SC. Apesar de a princípio não aceitarem meu diploma de Bacharel em Teologia para inscrição, posteriormente consegui provar que se tratava de um curso de Ensino Superior presencial de quatro anos e pude participar. Fui aprovado em todas as etapas, mas na última que era a votação das Instituições parceiras eu não obtive o número de votos necessários e fiquei como suplente. Nunca fui chamado para atuar como Conselheiro Tutelar. Eu ainda continuava fora da IASD, mas minha vida espiritual se mantinha pela fé em união com Jesus.

Ainda no ano 2000 aconteceu um fato bem desagradável. Um dia, andando pelo centro da cidade de Joinville, SC, encontrei o Pastor Élbio Menezes. Isso ocorreu quando eu ainda estava desempregado. Ao vê-lo fui conversar com ele e lhe perguntei o porquê tinha feito aquilo comigo. Como não me respondia fiquei exaltado e acabei dando com o dedo em riste no seu rosto. Ele não sabia onde ir, tentou sair da minha frente, correu para dentro de uma lanchonete e ligou para alguém, acho que foi para polícia ou para seu advogado. Após o incidente, ele foi até a delegacia e abriu uma queixa crime contra mim, o que resultou em um processo criminal no qual ele me acusou de injúria e ameaça. Confesso que eu estava nervoso e descarrei nele toda minha frustração, mas não foi minha intenção agredi-lo, porém, o que foi feito, foi feito. Esse processo correu na comarca de Joinville, SC, por cerca de quatro anos. Teve duas audiências. Na primeira, pude dizer para o Pr Élbio Menezes tudo que eu pensava sobre a maneira como eles haviam me tratado e tirado da obra. Lembro de uma frase que eu disse para ele na frente do juiz: "Quando Jesus voltar você vai ter que prestar contas de todo o mal que me fez!" Ao que ele respondeu: "Eu sei disso"! Após essa audiência o juiz declinou do caso passando o mesmo para outro juiz. Finalmente, depois de alguns anos, em 2004 ou 2005, não me recordo bem, o processo teve um final feliz para ambas as partes. Em nova audiência no Fórum da Comarca de Joinville, SC, na qual o Pr Élbio Menezes não estava presente, foi solicitado ao juiz a proposta do perdão mútuo e a extinção do processo sem prejuízo para ambas as partes pelo advogado do Pr Élbio, Dr Marcon. Concordei na mesma hora, porque já não aguentava mais aquela situação. Apesar do meu advogado do escritório do Dr Aldano me garantir que eu poderia processá-lo não havendo provas, e não havia, era a palavra dele contra a minha. Após assinarmos os termos de perdão, o Dr Marcon ligou para o Pr Élbio e me disse que ele estava muito satisfeito com minha decisão. Eu tive que gastar com advogado de defesa e não foi pouco, e apesar de ter assinado um termo de perdão, eu não conseguia ainda perdoar o que haviam me feito. Embora não houvesse mais raiva e mágoas em meu coração, e eu estivesse tocando a minha vida novamente, faltava eu declarar pessoalmente o meu perdão ao Pr Élbio Menezes e a todos os que haviam me prejudicado no Ministério Pastoral da IASD, coisa que consegui fazer apenas no ano de 2016, pela graça de Deus. Mas esse é outro capítulo dessa história.

As coisas estavam começando a melhorar profissionalmente para mim. Eu havia conseguido me formar em Licenciatura Plena em Pedagogia com Habilitação em Séries Iniciais e Administração Escolar pela ACE/FGG em Joinville, SC. Além disso, em 2001 eu havia iniciado minha primeira pós graduação em Interdisciplinaridade na Educação e Docência do Ensino Superior pela UNIVILLE. Eu também estava lecionando a disciplina de Ensino Religioso (ER) na Rede Municipal de Educação de Joinville, SC, com uma carga de 40 horas/aula. Como a disciplina de ER é de apenas uma aula por semana por turma, eu tinha mais de 35 turmas da quinta série à oitava série na época, hoje seria do sexto ano ao nono ano do Ensino Fundamental. O que significava a lecionar para mais de mil e trezentos alunos. Deus havia me dirigido para o mesmo trabalho que eu fizera nas escolas adventistas. Eu tinha relativa liberdade para elaborar os conteúdos das minhas aulas de ER, dessa maneira pude estudar a Bíblia com meus alunos, fazer cursos bíblicos, distribuir bíblias em parceria com os Gideões Internacionais e falar do Evangelho do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo todos os dias para crianças e adolescentes carentes e necessitados. Tive muitas experiências boas na minha prática docente como professor de ER em várias escolas públicas de Joinville, SC, tenho amigos que foram meus colegas de trabalho por onde passei, inclusive ex alunos que mantiveram amizade comigo até hoje. Dentre as escolas que lecionei destaco em sequencia de trabalho as seguintes:


Apesar de ter sido aprovado em concurso público para lecionar nessas escolas, a Secretaria de Educação Municipal de Joinville, SC, não me efetivou no cargo porque no edital não estava claro a formação exigida. Ou seja, eles não especificaram que a formação era em Ciências da Religião, e minha formação era em Teologia e Pedagogia. Sendo assim, me deixaram trabalhar em regime de ACT (Admitido em Caráter Temporário) por dois anos. Nesse período, solicitaram que eu fizesse a faculdade de Ciências da Religião com Habilitação em Licenciatura Plena em Ensino Religioso para poder continuar lecionando. Eu não fazia ideia da existência desse curso e nem sabia por onde começar, mas coloquei nas mãos de Deus e pedi sua direção. 

Como haviam outros ex pastores da Igreja Luterana lecionando ER, logo fiz amizade com eles. A frustração de ter deixado o ministério pastoral era a mesma, havia algo em comum entre nós apesar de sermos de igrejas diferentes. Um dia, no final de 2001, o ex pastor luterano Irving Ivo Hoppe veio conversar comigo e me disse que havia aberto inscrição de um processo seletivo para estudar Ciências da Religião na FURB em Blumenau, SC, por meio de um programa do Governo do Estado de Santa Catarina intitulado "Magister" com bolsa de 100% e ajuda de custo. Ele me disse ainda que as inscrições estariam abertas só até o dia seguinte e me perguntou se eu gostaria de ir com ele fazer a minha inscrição também. Eu aceitei na hora, e no dia seguinte fui de carona com Irving para fazer a inscrição para o processo seletivo na FURB. Depois Deus nos abençoou e fomos aprovados no processo seletivo e passamos a estudar Ciências da Religião a partir do ano 2002. Foram quatro anos de muita dedicação e estudos, e no final de 2005 nos formamos na primeira turma de Ciências da Religião da história da FURB em Blumenau, SC. Deixo registrado aqui minha eterna gratidão ao amigo Irving Ivo Hoppe por sua cordialidade, generosidade e amizade ao me convidar para fazer a inscrição no processo seletivo a tempo, além de me dar carona por vários anos de Joinville até Blumenau para poder estudar. Muito obrigado meu amigo, que Deus te ilumine, minha eterna gratidão!

Após iniciar meus estudos em Ciências da Religião na FURB, meu contrato como ACT na Rede Municipal de Ensino de Joinville, SC, foi renovado por mais dois anos. Mas mesmo assim tentei um outro concurso público municipal para o cargo de Pedagogo no ano de 2001, no qual fui aprovado em primeiro lugar. Quando me chamaram no final do ano de 2002, acabei não assumindo esse cargo porque era para trabalhar como educador com menores infratores no que na época era chamado de CIP (Centro de Internamento Provisório) e hoje é CASEP (Centro de Atendimento Educativo Provisório), e não na Secretaria de Educação, além disso se assumisse teria que parar a faculdade de Ciências da Religião. Dessa maneira, no final do ano de 2001 fiz mais um concurso público para trabalhar na Secretaria de Estado da Educação da Rede Pública Estadual de Ensino como Técnico Pedagógico ou Consultor Educacional. Havia três vagas para cada cargo e era possível se inscrever para os dois cargos. Eu dava aulas de ER o dia todo na Rede Municipal de Ensino, manhã e tarde, e confesso que estava cansado. Queria muito continuar trabalhando com educação, mas em atividades que fossem mais internas na coordenação de projetos educacionais. Lembro que quando fui fazer esse concurso fiz uma oração antes de iniciar as provas e pedi a Deus que me desse uma das vagas. Eu havia acabado de terminar uma pós graduação em Interdisciplinaridade na Educação e o tema da redação foi justamente sobre isso. Fui aprovado nesse concurso em terceiro lugar, para os dois cargos, e pude escolher. Até hoje dou graças a Deus por ter me abençoado naquele concurso.

Acontece que após ver o resultado da minha aprovação no concurso público para trabalhar na CRE eu pedi minha exoneração como professor de Ensino Religioso na Rede Pública Municipal de Ensino de Joinville, SC. Foi uma decisão precipitada, pois depois fiquei sabendo que a chamada para o concurso que fiz para CRE no final de 2001 só ocorreria em fevereiro de 2002, e eu me vi desempregado novamente. Mas não fiquei desempregado por muito tempo, pois fui fazer mais um concurso público na Rede Municipal de Ensino de Jaraguá  do Sul, SC, para atuar como professor das Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Fui aprovado e me chamaram imediatamente para trabalhar. Lecionei em Jaraguá do Sul por três meses como professor alfabetizador para duas primeiras séries do Ensino Fundamental em duas escolas diferentes, matutino e vespertino. Mas eu tinha que me deslocar de carro de Joinville até Jaraguá do Sul para trabalhar, saindo pela manhã bem cedo e retornado ao final da tarde, o que era muito cansativo e dispendioso pois dava um total de mais de 90 Km por dia. Depois ficou mais cansativo ainda pois além disso eu comecei a lecionar à noite em Joinville, SC, pois fui conversar com a professora Carmelina Barjonas que era a Gerente de Educação da CRE de Joinville, SC, para conseguir aulas no período noturno em alguma escola da Rede Pública Estadual até eu ser chamado para trabalhar na CRE. Carmelina conseguiu uma vaga para eu trabalhar como professor da disciplina de Relações Humanas e Ética na EEB Paulo Medeiros, escola na qual lecionei por mais de dois anos no período noturno para alunos do Ensino Médio. 

Deus estava me abençoando muito profissionalmente. 

CONTINUARÁ...