Esse capítulo será o mais difícil para eu escrever. Mas por outro lado será o mais gratificante, por causa da graça e do amor de Jesus. Como escrevi no capítulo anterior, em julho de 2010 minha vida espiritual entrou numa fase de profundo declínio. Até então eu procurava manter muitos princípios aprendidos na IASD, dentre eles o de não usar bebidas alcoólicas. Contudo, foi numa noite fria de julho de 2010 que tomei uma das piores decisões da minha vida, uma decisão que me custaria muito caro do ponto de vista biopsicosocial e espiritual. Após essa decisão eu experimentei uma decadência na saúde física, emocional, psicológica e espiritual, além de afetar negativamente minhas relações sociais. Naquela noite fria de julho de 2010 eu decidi sair para me divertir conforme os padrões do mundo e comecei experimentar bebidas alcoólicas. Sim, me tornei um ex-pastor e ex-membro da IASD alcoolizado, mas muito mais que isso, apostatado e vazio espiritualmente.
Eu sempre acreditei, num sentido figurado, que dentro de uma garrafa de bebida alcoólica haviam demônios, mas mesmo assim, em meu desespero, decidi experimentar. Fiz das bebidas alcoólicas uma válvula de escape para os meus problemas, ao invés de dobrar os meus joelhos diante de Deus. A princípio o álcool faz você se sentir muito bem, deixando você em um estado mental de euforia e proporcionando um alívio temporário de tensões psicológicas e físicas. O álcool muda a sua personalidade e o seu comportamento, porém, como é uma droga depressora após seu efeito no organismo o sentimento que vem é de tristeza profunda e um enorme vazio existencial.
Durante cinco longos anos fui usuário de bebidas alcoólicas, desde julho de 2010 a setembro de 2015. Escrevo isso com vergonha de mim mesmo, mas principalmente para dar meu testemunho do amor incondicional de D'US. Eu bebia todas as noites, de terça-feira a domingo, só não bebia na segunda-feira porque os estabelecimentos que eu costumava frequentar estavam todos fechados. Eu consumia vários tipos de bebidas alcoólicas, as quais até então eu não havia experimentado e tinha até uma certa curiosidade. Durante os mais de cinco anos que fiz uso do álcool eu me sentia muito, mas muito distante de Jesus. Lembro que havia uma Bíblia aberta em cima de um balcão na sala do meu apartamento, a qual eu nem tocava e já estava literalmente com as páginas amareladas e cobertas de poeira. Toda vez que eu chegava em casa alcoolizado eu olhava para aquela Bíblia e chorava como uma criança. Satanás finalmente estava no controle "quase" total da minha vida, "quase" porque eu ainda orava, algumas vezes mesmo embriagado, eu chorava e clamava pedindo a misericórdia de Deus por meio de Jesus. Muitas vezes eu não acreditava como eu tinha chegado naquela situação. Até meu gosto musical que sempre foi voltado para músicas sacras começou a mudar. Passei a comprar e ouvir CDs dos últimos lançamentos dos sucessos internacionais, principalmente de músicas Rock, e logo não havia mais nada de CDs de músicas sacras dentro do meu carro, mas apenas de músicas mundanas. Mais tarde passei a baixar músicas da Internet em estilo Rock para um Pen Drive, mas deixei um espaço para alguns hinos do HASD (Hinário Adventista do Sétimo Dia) que mais gostava, os quais escutava raramente, sempre em lágrimas, por me sentir tão afastado de Jesus.
Eu gostava de frequentar bons lugares em Joinville, SC. Alguns desses lugares eram restaurantes e bares com música ao vivo na rua Visconde de Taunay, conhecida na época como Via Gastronómica de Joinville. Outros lugares eram casas de show de música Rock ou Sertanejo Universitário. Minha rotina de festas e baladas era de terça a domingo, só não saia na segunda porque não tinha nada aberto. Também comecei a fazer academia, geralmente após um dia de trabalho eu dava uma passadinha em casa, pegava algumas roupas e depois ia para a The Best, uma academia que ficava dentro do Shopping Mueller em Joinville, SC. Após fazer academia e tomar um bom banho no vestiário, eu me arrumava bem e saia para mais uma noite de diversão com muita bebida, música Rock e festa. Geralmente eu começava o "esquenta" no Madrileño Bar e Cocina Internacional por volta da meia noite, onde eu jantava e começava a beber bebidas alcoólicas até umas duas horas da madrugada. O Madrileño ficava na via gastronômica de Joinville, e era um local muito agradável, com músicas ao vivo em diversos estilos. Os garçons já me conheciam e eu tinha um atendimento "vip", pois já era considerado da casa. Mas havia um garçon no Madrileño chamado Isaías, o qual geralmente me servia e ao mesmo tempo me falava do Evangelho de Jesus, ele era membro da IEQ. Mesmo naquele lugar Deus enviou alguém para me alertar, mas embora eu conversasse com Isaías sobre a Palavra de Deus, parece que minha mente estava anestesiada e eu não conseguia perceber a minha real condição. Ao sair do Madrileño, geralmente eu ia para um desses lugares em ordem de preferência: Taberna Music Hall, um "Pub" que ficava em um porão, e onde tocavam bandas de música Rock ao vivo; Bovary, outro "Pub" onde também havia música Rock ao vivo; Expresso Choperia, onde tocavam músicas Sertanejo Universitário ao vivo. Esses três lugares eram o que eu mais frequentava, mas haviam outros que eu ia de vez em quando, como o Let It Be Pub; Zun Schlauch; Moon; Paiol Choperia.
Foi numa dessas noites, no Expresso Choperia, em que eu encontrei Humberto Goulart. Eu já tinha bebido bastante e estava do lado de fora para tomar um ar quando um rapaz se aproximou de mim e me disse: "Pastor Jorge, a quanto tempo?" A princípio fiquei sem resposta, pois eu não lembrava daquele jovem. Então lhe perguntei: "Você me conhece de onde?" Ao que ele prontamente respondeu: "Eu te conheço de Lages, SC, mas faz tempo". Então começamos a conversar e Humberto me contou o seguinte: "Pastor Jorge, eu te conheci lá na igrejinha adventista do sétimo dia da Várzea, em Lages, SC, não era uma igreja organizada ainda, era um grupo e a gente se reunia numa sala de aula de uma escola. Quando eu tinha uns nove anos de idade você foi fazer um sermão lá, você devia ter uns 17 ou 18 anos de idade, era bem novinho ainda (risos)". Fiquei perplexo, e foi então que, mesmo embriagado, lembrei do fato, inclusive da roupa que usei para pregar naquela manhã de sábado, mas não conseguia lembrar dele, lhe pedi desculpas por isso. Todavia, a partir daquele encontro ficamos amigos. Naquela noite, Humberto me apresentou outro amigo, o jovem Jauro, e juntos curtimos o restante daquele sabadão universitário.
Humberto era um jovem adventista do sétimo dia que no sábado pela manhã ia na escola sabatina e no culto de adoração, mas no sábado à noite ia para as baladas e tomava bebidas alcoólicas. Eu, era um ex-pastor frustrado, decepcionado e revoltado com a IASD, e Jauro era um jovem Católico Apostólico Romano. Embora Humberto soubesse da minha condição, ele nunca me criticou, até porque eu estava declaradamente fora da IASD, a ponto de não chegar nem perto de um templo. Eu também nunca critiquei ele por viver uma vida dupla dentro da igreja e fora ao mesmo tempo. Depois acabei descobrindo que Humberto tinha cuidado da mãe dele por anos enquanto ela estava doente, até ela falecer com câncer. Mas, apesar de tudo que fazíamos de errado a gente conversava sobre as coisas de Deus e sabíamos que naquela situação estávamos perdidos.
O tempo foi passando rapidamente, e para encurtar essa história de amizade com Humberto, alguns anos mais tarde ele foi testemunha do meu casamento no civil e no religioso, e finalmente em 2016 Humberto e eu abandonamos aquela vida de baladeiros e nos rebatizamos na IASD, ele em Lages, SC, e eu em Joinville, SC. Após o nosso retorno para Jesus, a nossa amizade ficou mais forte ainda em Cristo, a ponto de Humberto e eu fazermos atividades missionárias juntos. Eu lhe dei de presente uma Bíblia Bilíngue em Português e Inglês, pois Humberto era fluente, formado em Letras dava aulas de inglês como professor na Rede Pública Estadual de Ensino. Depois disso, ele passou a frequentar minha casa e jantar conosco com certa frequência. Todavia, numa daquelas visitas ele nos deu uma notícia muito triste, ele nos disse que estava com câncer. Imediatamente lhe disse para começar a quimioterapia, mas ele disse que ia tentar um tratamento alternativo com alimentação natural. Na época, eu e minha esposa insistimos com ele para que começasse a quimioterapia o quanto antes, mas ele demorou três meses tentando um tratamento alternativo. Toda vez que ele ia lá em casa tomar uma sopa conosco, a gente orava com ele. Depois de um tempo Humberto começou a ter dificuldades em tomar sopa e engolir, e começou a emagrecer demais, e quando foi fazer a ressonância magnética o câncer já havia se espalhado. Foi só então que decidiu fazer a quimioterapia, mas já era tarde. O sofrimento dele foi o nosso, as lágrimas dele foram as nossas. Como ele era solteiro e morava sozinho e seus parentes eram de Lages, SC, e ele só tinha uma irmã em Joinville, SC, a qual o amparou, nós também passamos a dar todo apoio que pudemos ao Humberto. Foram muitas orações e súplicas em seu favor, mas o câncer foi cruel, e logo Humberto teve que ser internado no Hospital Dona Helena, onde permaneceu por poucos dias. Lembro das últimas visitas que fizemos a ele antes de falecer, foram três na verdade. Na primeira ele ainda estava lúcido e conversando, na segunda visita ele já não estava mais conseguindo falar e na terceira, a qual foi um dia antes dele falecer, ele estava totalmente inconsciente, sedado em cuidados paliativos. Em todas essas visitas oramos por ele e procurei pegar na mão do meu grande amigo e irmão em Jesus. Foi muito triste e difícil para mim presenciar todo o seu sofrimento até a sua morte. Contudo, dou graças a Deus por ter encontrado o Humberto naquela noite no Expresso Choperia, e agradeço mais ainda por ter presenciado o seu retorno a Jesus como seu único Salvador e Senhor. Até hoje fico pensando no fato de que nada acontece por acaso em nossas vidas, para tudo Deus tem um propósito. E tenho plena convicção de que era propósito de Deus que o Humberto me reconhecesse naquela noite e ficássemos amigos e nos tornássemos irmãos em Jesus. Há um ditado que diz que quando duas pessoas se encontram elas nunca perdem nada, apenas ganham, e eu ganhei um grande amigo, o qual eu espero reencontrar um dia quando Jesus retornar em poder, glória e majestade, com todos os anjos do céu para ressuscitar aqueles que morreram crendo NEle e lhes dar a vida eterna. Mesmo diante da morte podemos crer no que está escrito: "Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor". (Romanos 14:8)
Em memória do meu amigo e irmão em Jesus, Humberto Goulart, escrevi a seguinte poesia, pois há amigos mais próximos do que um irmão:
Meu Amigo e Irmão
I
Meu amigo e irmão do coração,
Quando te encontrei naquela noite de alegrias passageiras,
Minha alma pareceu ter saído da solidão,
Surgiram então lembranças e emoções tão verdadeiras.
II
Meu amigo e irmão do coração,
Passamos momentos conversando, sorrindo e sonhando,
Minha vida entrou na sua e a sua na minha com razão,
Saímos juntos, bebemos e rimos como crianças brincando,
III
Meu amigo e irmão do coração,
Nas nossas idas e vindas que pareciam sem fim,
No auge da nossa falsa liberdade e prisão,
Encontramos o amigo dos amigos em fim.
IV
Meu amigo e irmão do coração,
Nossa vida foi assim transformada por Jesus,
Nossa amizade passou a ser eterna como galardão,
Pela fé recebemos o Seu amor e a Sua luz.
V
Meu amigo e irmão do coração,
Esse mundo é um vale de lágrimas e sofrimentos,
A doença lhe alcançou com corrosão,
Aos poucos eu também sofri com os seus tormentos.
VI
Meu amigo e irmão do coração,
Estive sempre ao seu lado com amor e respeito,
Tentei evitar o pior com oração,
Mas uma parte de mim também morreu em meu peito.
VII
Meu amigo e irmão do coração,
A sua ausência nos causa profunda tristeza e pesar,
Mas relembrar as alegrias que você gerou em nosso coração,
É como se um pedaço de você estivesse sempre um presente a nos dar.
VIII
Meu amigo e irmão do coração,
Tenho fé em nosso Senhor Jesus e sua promessa linda,
Que somente Ele é a vida e a ressurreição,
E que um dia viveremos para sempre uma amizade infinda.
IX
Meu amigo e irmão do coração,
Nossa amizade não foi por acaso ou coincidência,
Mas foi fruto de uma divina direção,
Uma amizade sincera e resultado da providência.
X
Meu amigo e irmão do coração,
Descanse em paz até a volta de Jesus o Filho Eterno e Divinal,
Também vou me preparar nessa vida com maior devoção,
Para um dia estarmos juntos novamente no lar perene e celestial!
Em homenagem e gratidão pela amizade sincera de meu amigo e irmão do coração:
Humberto Vinicius Gomes Goulart
* 15/08/1971 - + 06/11/2018
Nesse período entre Julho de 2010 a Setembro de 2015 minha vida se resumia em me dedicar aos meus empregos, sair para as baladas todas as noites, conhecer mulheres e me embriagar. Afinal, eu pensava comigo mesmo, estou solteiro, tenho carro, apartamento, bons empregos e dinheiro para gastar. Mesmo vivendo essa situação de festas em minha vida pessoal, eu não fazia nada para me prejudicar em meus empregos, mas minha vida espiritual estava cada vez mais vazia. Continuei trabalhando como professor concursado de Ensino Religioso na Rede Municipal de Educação de Joinville no período da manhã, como Técnico Pedagógico na Secretaria de Estado da Educação, concursado e lotado na Coordenadoria Regional da Educação (CRE) em Joinville no período da tarde, e no período da noite eu dava aulas na Faculdade Guilherme Guimbala (FGG/ACE) para o curso de pedagogia, atividade essa que me dava grande satisfação e realização profissional. A confiança da Instituição de Ensino FGG/ACE em meu trabalho como Professor de Ensino Superior era tanta que fui convidado a lecionar onze disciplinas durante os mais de dez anos que trabalhei lá, ou seja, fui professor de: Filosofia da Educação, História da Educação, Projetos Educacionais, Políticas Públicas, Formação Continuada dos Docentes, Gestão Escolar, Educação e Novas Tecnologias, Educação de Jovens e Adultos, Antropologia Cultural, Sociologia da Educação e Empreendedorismo. Eu sempre amei o trabalho da docência e gostava muito de lecionar. Porém, confesso que sempre aprendi mais do que ensinei. Para cada disciplina eu criei um blog, assim meus alunos e minhas alunas tinham acesso aos conteúdos e outras informações. A seguir alguns desses blogs:
1. História da Educação: www.historia-da-educacao.blogspot.com
2. Empreendedorismo: www.empreendedorismohoje.blogspot.com
3. Filosofia da Educação: www.filosofiaefilosofiadaeducacao.blogspot.com
4. Antropologia: www.antropologiaearqueologia.blogspot.com
5. Educação e Novas Tecnologias: www.educacaoparamidiadigital.blogspot.com e www.influenciadamidia.blogspot.com
6. EJA: www.eja-educacaodejovenseadultos.blogspot.com
Em relação ao meu trabalho como Técnico Pedagógico na CRE, criei dois blogs para registro das atividades como coordenador, ou seja:
1. Projeto NEPRE: www.projetonepre.blogspot.com
2. Programa o Caráter Conta: www.ocaraterconta.blogspot.com
Também criei um blog relacionado ao meu trabalho como Professor de Ensino Religioso na Rede Municipal de Ensino de Joinville e como Professor de Ocultismo e Religião no Instituto de Parapsicologia de Joinville, onde lecionei esporadicamente por mais de cinco anos aos finais de semana, ou seja:
1. Ciências da Religião: www.cienciasdareligiao.blogspot.com
Além dessas atividades profissionais eu encontrava tempo para dar aulas em cursos de pós graduação e cursos de capacitação para professores. Mesmo para esses projetos esporádicos eu criava blogs com conteúdos relacionados. A seguir alguns deles:
1. Avaliação Escolar: www.avaliacao-escolar.blogspot.com
2. Projeto de Capacitação: www.capacitacaoparaeducadores.blogspot.com
3. Metodologia Científica: www.metodologia-do-trabalho-cientifico.blogspot.com
4. PPP: www.projeto-politico-pedagogico.blogspot.com
5. Programa Escola de Caráter: www.escoladecarater.blogspot.com
Minha vida profissional estava a todo vapor, todavia, por causa do alcoolismo e de uma depressão profunda não demorou muito para eu começar a ter problemas em meus empregos. Enquanto escrevo esse capítulo, me sinto triste ao lembrar de tudo isso que estou relatando. O primeiro emprego que comecei a ter problemas foi o de Professor de Ensino Religioso. Como eu passava as noites em festas e baladas me embriagando e até amanhecia naqueles lugares mesmo durante os dias da semana, por mais que eu tomasse bebidas energéticas a base de cafeína na tentativa de neutralizar os efeitos do álcool em meu cérebro e corpo, eu comecei a chegar na escola embriagado. Cheguei a passar situações bem constrangedoras por causa disso. Foi então que tomei uma decisão, solicitei junto a Secretaria da Educação Municipal uma licença sem vencimento, para poder me afastar do trabalho e continuar tomando bebidas alcoólicas todas as noites até de madrugada, dessa maneira eu poderia dormir pela manhã. Literalmente eu troquei parte do meu dia pela noite. Lembro disso com vergonha e tristeza. Mas isso foi só o começo de outros problemas que foram surgindo. Mas nem tudo foi só problemas, e mesmo vivendo essa situação que relatei, coisas boas também aconteceram em minha vida, pela graça e misericórdia de Deus.
No final de 2010, no mês de outubro, enquanto eu lecionava num final de semana no Instituto de Parapsicologia de Joinville, no intervalo das aulas eu vi uma jovem sorrindo, e aquele sorriso tão lindo me iluminou por dentro e de certa forma me trouxe paz. Fiquei tão encantado com aquele sorriso que ele ficou gravado em minha mente como uma linda imagem colorida. Sem falar no fato de que aquela moça era muito bonita também, eu nunca tinha visto ela antes. Como eu gosto de escrever poesias e tenho um blog sobre isso, mesmo sem saber o nome dela e sem ter falado com aquela jovem ou sequer ter cumprimentado ela, aquele sorriso me marcou tanto que quando cheguei em casa escrevi uma poesia. Se desejar ler a poesia pode acessar o link abaixo.
Há Pessoas especiais que são capazes de mudar o nosso dia e a nossa alma por meio do seu sorriso...
Eu creio de todo o coração que Deus coloca pessoas especiais em nosso caminho para de alguma forma nos abençoar, e aquela moça do sorriso lindo e iluminado foi uma dessas pessoas. Conheci aquela jovem na minha pior fase de vida. Espiritualmente eu estava muito fraco na fé. Mas conhecê-la me trouxe uma luz de esperança, pelo menos para minha vida emocional e sentimental. Algumas semanas mais tarde, eu soube que daria aulas de Ocultismo e Religião para a turma dela no Instituto de Parapsicologia de Joinville. Lembro que após a primeira aula que dei para a turma dela, a procurei e lhe disse que eu tinha escrito uma poesia para ela por causa do seu lindo sorriso. Ela ficou muito surpresa e curiosa, mas eu também estava surpreso porque nunca havia imaginado que nós fôssemos conversar sobre isso. Ela insistiu para que eu lhe mostrasse a poesia. Eu lhe disse que estava na Internet em um blog de poesias, e que eu não havia planejado lhe entregar, mas iria lhe enviar o link para que ela pudesse ler.
O resultado da nossa primeira conversa foram outros encontros, os quais se tornaram em um namoro, um ano depois em um noivado e no ano seguinte em um casamento, mais precisamente no dia 27 de Abril de 2013. Ela era de família católica, e eles não abriam mão de sua religião. Eu sabia disso, tanto que escondi de todos, até da minha namorada, por mais de um ano, que eu era um ex-pastor e ex-membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Quando contei a eles durante um jantar ficaram surpresos, principalmente porque eu tomava bebidas alcoólicas. É claro que eu fiquei envergonhado por causa do mal testemunho que estava dando, eu estava em trevas e não percebia quão grande eram elas. Porém, meus sogros, membros da ICAR, me receberam como um filho em sua família. Desse modo meu sogro e minha sogra passaram a ser para mim como meus segundos pais, de tanta consideração que teu tinha por eles. Uma das coisas que fizeram com que eu me identificasse muito com a família da minha atual esposa foi o fato de que nossa naturalidade era da mesma região do Estado de Santa Catarina, ou seja, éramos todos Serranos, da região mais fria do Estado. Eu era natural de Lages e a família da minha namorada era da região serrana também, praticamente na mesma localização. Eu e ela tínhamos sido criados nos mesmos costumes da Serra Catarinense, ou seja, ao redor do fogão à lenha comendo pinhão assado na chapa.
Sobre meu casamento com minha atual esposa, eu só podia estar muito apaixonado mesmo, porque até hoje eu não sei como pude abrir mão das minhas mais profundas convicções e crenças e ter casado com ela na Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). Lembro que a primeira vez que fui conversar com um padre em Joinville, SC, no Santuário Sagrado Coração de Jesus, o sacerdote me recebeu muito mal e me disse que eu deveria fazer a Catequese para poder casar na ICAR. Como eu não conseguia me ver fazendo aulas de Catequese, procurei outro padre em Barra Velha, SC. O padre Fred Jorge Araújo Silva me recebeu de maneira diferente, quando lhe disse que eu tinha sido ex-pastor da IASD, ele me perguntou se eu tinha estudado teologia e se eu tinha o certificado de batismo, ao que lhe respondi afirmativamente. Então o padre Fred me pediu uma cópia do meu certificado de batismo na IASD juntamente com uma declaração atualizada da Instituição Adventista, nesse caso a Associação Norte Catarinense que fica em Joinville, SC, comprovando de que eu de fato havia sido batizado nas águas. Ele me disse que meu batismo na IASD seria aceito na ICAR, e que eu não precisaria ser batizado por aspersão, disse ainda que eu não precisava fazer a Catequese, mas afirmou que eu precisaria fazer o curso para noivos junto com minha noiva e que eu deveria passar pela Crisma. O padre Fred me disse ainda que faria minha Crisma de maneira discreta no dia da cerimônia do meu casamento, e que ninguém perceberia, e fez.
Foi muito difícil para mim violar minha consciência por amor a minha noiva. Mesmo eu me sentindo tão afastado de Jesus eu sabia que pronunciar o Credo da ICAR seria uma blasfêmia muito grande e mesmo assim eu cometi esse pecado. Eu estava indo cada vez mais fundo em minha apostasia. Por falar em apostasia, no dia em que eu fui na Associação Norte Catarinense (ANC) solicitar a declaração de que eu já havia sido batizado na IASD, eu passei por uma situação bem constrangedora. Eu tinha ido até o escritório do secretário da ANC junto com minha noiva Elisandra, e o pastor que era o secretário estava de férias, logo fomos atendidos por sua secretária pessoal, ela me conhecia de quando eu tinha sido pastor em Florianópolis, SC, mas fez de conta que não me reconheceu. Até aí tudo bem. Minha noiva tinha muita curiosidade e interesse sobre a IASD, mas infelizmente percebeu que eu estava sendo tratado com discriminação e preconceito, pois a secretária estava relutante e não queria me dar uma declaração de que um dia eu havia sido batizado na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Foi então que ela pegou o telefone e ligou para o pastor secretário da ANC, em seguida ela passou o telefone para mim e o pastor me perguntou por que eu queria tal declaração. Respondi apenas que precisa dela, sem dar maiores explicações. Em seguida passei o fone para a secretária, que por sinal me conhecia quando eu tinha sido pastor, e novamente pude ouvir quando ela disse ao pastor da Associação que nos registros da igreja eu estava excluído por causa de apostasia. Aquilo me deixou muito triste, porque lembrei de quando eu era pastor ordenado da IASD e agora eu estava ali como um apóstata. Naquele momento me senti como um leproso condenado e distante de Jesus. Fiquei tão triste e magoado, que após pegar a declaração eu decidi que nunca mais iria pisar ali novamente e muito menos dentro de um templo da IASD, pois não me sentia digno. Até minha noiva percebeu tudo que havia ocorrido e chegou a me perguntar se estava tudo bem comigo.
Contudo, apesar de estar namorando com uma moça maravilhosa e mais tarde ter noivado e casado com ela, eu continuei me embriagando. Todas as vezes que a gente saia para se divertir, durante o namoro, o noivado e mesmo depois de casados, eu bebia muito. Ela não bebia junto comigo, e nas raras vezes que o fazia tomava apenas um "drink". Na verdade ela não gostava que eu tomasse bebidas alcoólicas. Por causa da minha dependência do álcool nosso namoro e noivado tiveram alguns problemas, mas principalmente nosso casamento foi afetado, tanto que apenas dois meses após nosso enlace matrimonial começamos a ter sérios problemas, sendo eu o principal causador dos mesmos. Não vou entrar em detalhes aqui, mas por trás do meu alcoolismo havia um problema espiritual muito grave, o qual eu não percebia na época.
Alguns fatos que ocorreram comigo durante o namoro me chamaram a atenção na época, mas hoje percebo que eram na verdade sinais de que algo espiritual estava ocorrendo comigo. Apesar de serem membros da ICAR, a família da minha namorada tinha o costume de visitar o Centro Espírita de Araquari, SC. eles me convidaram algumas vezes, mas sempre recusei, pois de acordo com meu conhecimento teológico e bíblico eu sabia do que se tratava. Mesmo estando apostatado eu sempre indiquei a Bíblia para eles como única regra de fé e prática, e sempre mencionei a verdade bíblica de que os mortos não podem se comunicar conosco, pois estão em um estado de inconsciência aguardando a ressurreição por ocasião da segunda vinda de Jesus em poder, majestade e glória. Mas um dia minha namorada me convidou para ir com ela. Novamente, por amor, violei minha consciência e fui. Na verdade fiquei curioso, pois nunca tinha visitado um centro espírita antes. Ao chegar no Centro Espírita em Araquari, SC, participei de toda reunião como expectador curioso. Após a palestra, deixaram o ambiente em meia luz e iniciaram os passes com as mãos. Não senti nada na hora, mas quando cheguei em meu apartamento onde morava sozinho, comecei a sentir a presença do mal ao meu redor. Meu corpo começou a ficar todo arrepiado, e eu sabia que algo tinha me acompanhado até no meu apartamento. O que fiz então? Não fiquei com medo, mas orei a Deus, recitei o Salmo 91 e disse em voz alta: "saia daqui em nome de Jesus"! Logo senti a paz da presença de Cristo e dormi tranquilo a noite toda.
Outros dois fatos idênticos que ocorreram durante meu namoro foram bem curiosos. Lembro que a primeira vez que ocorreu eu tinha ido visitar minha namorada. Eu morava em Joinville, SC, e ela morava com seus pais em Araquari, SC. Desse modo eu tinha que pegar a BR 101 e viajar mais ou menos 15 km sempre que ia visitá-la. Ela havia me dado um controle remoto do portão da casa onde moravam, e quando cheguei lá naquele dia, o controle remoto estava todo desmontado peça por peça e colocado no mesmo lugar de maneira organizada dentro do carro. eu não havia mexido nele e mais ninguém tinha mexido, e eu tive que montá-lo novamente para ele funcionar. Noutra ocasião ocorreu a mesma coisa, mas dessa vez minha namorada estava comigo e também viu. A gente tinha ido jantar no Madrileño Cocina Internacional em Joinville, SC. Nesse lugar sempre tinha música ao vivo e era um dos locais onde eu costumava tomar bebidas alcoólicas. Naquela noite, como eu havia bebido, minha namorada é que foi dirigindo até a casa dela. Quando chegamos lá, o controle remoto do portão estava novamente todo desmontado peça por peça e organizado no mesmo lugar dentro do carro. Ela ficou intrigada com aquilo e não acreditava como aquilo pudesse ter ocorrido, sendo que somente nós dois entramos no carro e o controle estava inteiro quando a gente foi jantar. Havia uma mulher benzedeira que era vizinha da família da minha namorada e muito conhecida por todos na região. No outro dia minha namorada perguntou para ela o que significava aquilo que havia ocorrido com o controle remoto. A benzedeira disse que um "espírito" havia acompanhado a gente desde o Madrileño naquela noite e queria apenas brincar com a gente, pois tinha nos achado "gente boa". Eu logicamente sabia o que tudo aquilo significava e apenas fiz uma oração.
Outro fato que ocorreu foi na casa dos meus sogros. Eles tinham recebido a visita de um pastor pentecostal, e após a oração feita por aquele pastor, ele olhou assustado para mim e disse: "Você, você foi escolhido por Deus para realizar uma grande obra. Deus ainda vai te usar muito". Eu não havia dito nada para ele sobre o fato de ser um ex-pastor e apenas respondi amém. Mesmo naquela situação de apostasia eu sentia o chamado de Deus. Mas continuei sendo teimoso como o profeta Jonas.
Após o nosso casamento, com direito a festa e tudo mais, os anos de 2013, 2014 e 2015 se passaram na seguinte situação: mesmo depois de casado eu saia com minha esposa para dançar e se divertir em casas de música sertaneja e rock, e eu sempre bebia muito. Frequentávamos lugares considerados caros para a maioria das pessoas e eu tinha orgulho de sair com minha mulher. Porém, algumas vezes, em casa, a noite acabava em discussão e agressões verbais. Eu lembro que duas ou três vezes eu quebrei coisas dentro de casa durante nossas discussões. Graças a Deus nunca houve agressão física. Hoje escrevo isso com vergonha e constrangimento. Todavia, apesar disso tudo, a gente vivia bem a maioria do tempo e dos dias. Diante dos problemas em meu casamento e do uso que eu fazia de bebidas alcoólicas com frequência, já no ano de 2013, por sugestão da minha esposa, busquei ajuda com um médico psiquiatra, o qual me diagnosticou com quadro depressivo, me encaminhou para sessões de psicoterapia e me receitou Sertralina. Passei a tomar esse medicamento e a fazer psicoterapia. Confesso que eu não acreditava muito na psicologia, apesar de ter uma esposa quase formada em psicologia, entretanto como percebi que as sessões com o psicólogo estavam me fazendo bem, continuei indo duas vezes ao mês, e isso durou por três anos seguidos.
No ano de 2014 minha esposa decidiu que iria abrir uma cafeteria no centro da cidade de Joinville, SC. Eu apoiei sua iniciativa e fizemos todo projeto juntos. Visitamos várias cafetarias por onde viajávamos a passeio, foi uma fase muito boa em nosso casamento. Finalmente, após meses de planejamento e procura, encontramos o local ideal no centro da cidade de Joinville, SC. Arrumamos a sala, mobiliamos com tudo que era necessário e decoramos, e foi assim que nasceu a Doce Café. Minha esposa tem o perfil empreendedor, pois vem de uma família de empreendedores. Como eu fiz vários cursos no SEBRAE e tinha dado aulas de Empreendedorismo na FGG/ACE por vários anos, não foi difícil para nós abrir um pequeno negócio. Parecia que tudo ia muito bem com a minha vida, mas em 2014 eu ainda estava afastado sem remuneração do meu emprego na Rede Municipal de Educação de Joinville como professor de Ensino Religioso no período da manhã.
No decorrer do ano de 2015, algo começou acontecer comigo em relação ao uso de bebidas alcoólicas. Estranhamente eu não sentia mais prazer em beber e minha vontade foi diminuindo cada vez mais, a ponto de eu falar para minha esposa que eu estava até sentindo nojo de bebidas alcoólicas. Ainda nesse ano eu decidi com minha esposa que não abriríamos nossa cafeteria aos sábados e na sexta-feira à tarde fecharíamos um pouco mais cedo. Também passei a convidar minha esposa para irmos juntos na IASD do Guanabara em Joinville, SC, participar dos cultos de adoração, ao que ela prontamente aceitou. Além das minhas atividades profissionais em dois vínculos no serviço público, eu também estava envolvido no projeto Escola de Caráter, um programa de capacitação para profissionais da educação aos finais de semana. Tudo parecia correr bem no ano de 2015, várias coisas positivas estavam ocorrendo e minha vida, dentre elas o fato de eu estar bem profissionalmente, ter voltado a frequentar esporadicamente a IASD aos sábados pela manhã com minha esposa, ter decidido não abrir nosso negócio aos sábados e principalmente estar bebendo bebidas alcoólicas cada vez menos. Eu sentia que o Espírito Santo de Deus estava atuando em minha vida.
Tudo parecia que estava indo bem, porém, em Agosto de 2015 eu fui demitido sem justa causa da FGG/ACE onde atuava como professor de Ensino Superior para o curso de Pedagogia por mais de dez anos. Essa demissão me fez muito mal e me deixou ainda mais deprimido, mas eu continuava indo ao médico psiquiatra, tomando remédio e fazendo psicoterapia. Como eu estava trabalhando apenas em um emprego, na CRE, decidi que era hora de voltar a lecionar como professor de Ensino Religioso, e foi o que fiz, retornei para a sala de aula no período da manhã no segundo semestre de 2015. Dessa maneira eu trabalhava de segunda a sexta das 7:30 às 19:00 horas em dois empregos como funcionário público concursado. Apesar de eu estar tomando remédio, indo no médico psiquiatra a cada dois ou três meses e fazendo psicoterapia, eu não parava de tomar bebidas alcoólicas quando saia com minha esposa aos finais de semana, porém, já havia diminuído bastante o consumo, porque durante os dias da semana eu não bebia mais, e como já disse, passei a sentir até nojo das bebidas alcoólicas. Outro fato que começou a ocorrer comigo foi o desejo de orar junto com minha esposa na hora de dormir, o que passei a fazer todas as noites.
No mês de Setembro de 2015, quando eu decidi que não colocaria mais nenhuma gota de bebida alcoólica em minha boca, e depois de contar a minha decisão para minha esposa, ela me confessou que as suas orações ao Divino Pai Eterno em meu favor haviam sido atendidas. Como uma mulher Católica Apostólica Romana ela me disse que havia participado de várias correntes de oração pela televisão por meio do programa do Divino Pai Eterno, e que havia consagrado vários copos com água durante as orações e pedido pela minha libertação do álcool. Sem eu saber ela havia colocado aquela água abençoada numa garrafa dentro na nossa geladeira a qual eu sempre tomava. Minha esposa me disse certa vez que sempre que orava por mim, algumas vezes em lágrimas, ela perguntava para Deus: "como podia que seu marido, um pastor que havia sido consagrado a Deus fosse uma ovelha perdida? Certamente o Senhor ouviu suas orações e a sua fé foi recompensada, pois de fato Jesus me libertou das bebidas alcoólicas por meio da atuação do Seu Espírito em mim.
Apesar de eu ocasionalmente estar novamente frequentando a Igreja Adventista do Sétimo Dia junto com minha esposa, não havia um interesse da minha parte de participar de nenhuma das atividades e muito menos de voltar a ser um membro efetivo da IASD. Eu estava numa situação muito cômoda, como um legítimo Laodiceano ou pior ainda. Porém, tudo estava prestes a mudar drasticamente, pois logo ocorreria um fato que me deixaria em completo desespero e aflição por eu estar afastado espiritualmente de Jesus e sua graça.
Esse fato ocorreu no mês de Setembro de 2015 na cidade de Rio Negrinho, SC. Eu e minha esposa Elisandra havíamos viajado para Mafra a trabalho, a ser realizado juntamente com o Dr Guilherme Guimbala Júnior, para executar mais uma capacitação para educadores por meio do projeto Escola de Caráter. Como sempre gostei de visitar museus, após as palestras do final de semana, eu e minha esposa resolvemos visitar o principal museu da cidade de Rio Negrinho, SC, pois essa cidade faz divisa com a cidade de Mafra por meio de um rio que cruza as duas cidades. Como eu havia feito palestras durante todo o dia de sábado, ao final da tarde daquele sábado atravessamos a ponte e chegamos ao Museu Municipal Carlos Lampe. A partir daquela visita que fizemos a esse museu no final da tarde daquele sábado, a minha vida passou a ter outro rumo, e minha esposa também foi afetada. A partir daquele dia, uma tarde no museu, foi como se eu tivesse entrado num filme de terror. Mas antes de eu falar o que ocorreu, veja abaixo algumas fotos desse museu.










Fonte das Fotos: Internet
Sempre gostei de casarões antigos e o Museu Municipal Carlos Lampe já me chamou a atenção pela sua aparência externa. Quando eu e minha esposa entramos no museu naquele final de tarde ensolarado de sábado, nós não imaginávamos que a nossa vida nunca mais seria a mesma depois de sair daquele lugar.
Eu sempre gostei de fotografar minhas visitas a museus. E nesse não foi diferente. Já na chegada fui tirando fotos da parte externa daquele museu, pois tinha uma arquitetura única. Lembro que quando estávamos lá dentro eu e minha esposa olhamos algumas coisas juntos mas depois nos separamos por algum tempo. Ela foi ver algumas coisas no andar de cima enquanto eu permaneci vendo o mobiliário antigo no andar de baixo. Tirei fotos com meu celular de vários móveis e utensílios, meu telefone naquela ocasião não era dos melhores, mas tirava boas fotos.
Tudo aconteceu quando eu estava observando um rádio grande e antigo que ficava no chão em um dos corredores daquele casarão, e fiquei admirado com o tamanho do mesmo, era um rádio bem grande, nunca tinha visto um daqueles antes. Fiquei curioso, pois parecia uma vitrola de tão grande que era. Peguei meu celular e apontei para aquele rádio a fim de tirar uma foto. O flash do meu aparelho estava desligado, bem como sua lanterna, mas na hora que tirei a foto eu vi um clarão na tela do meu aparelho. Na hora não dei atenção para aquilo e continuei tirando mais fotos do lugar. Lembro que visitei uma sala ainda no andar de baixo que me pareceu uma sala de música, pois havia um piano antigo. Mas suma coisa que me chamou atenção nessa sala foi um painel muito grande com a imagem de Jesus ao centro rodeado de diferentes pessoas. Como não havia nenhum objeto sagrado no museu que lembrasse o Catolicismo Romano, concluí que os antigos moradores daquele casarão eram Protestantes, provavelmente Luteranos.
Após visitar todos os ambientes na parte de baixo, decidi subir as escadas barulhentas de madeira daquela casa transformada em museu. Cada passo que eu dava a madeira desgastada dos degraus estalava. Quando cheguei lá em cima encontrei a zeladora do museu, uma mulher baixinha e gordinha de origem alemã que estava limpando o chão. Após cumprimentá-la, lhe perguntei em tom de brincadeira se ela já tinha visto ou ouvido algo ali naquele lugar. Prontamente ela sorriu e me disse que nunca tinha visto ou ouvido nada de sobrenatural, se era o que eu queria saber. Disse ainda que o local era bem tranquilo e que era visitado com frequência por alunos de diferentes escolas da cidade e região. Eu lhe perguntei aquilo porque senti que aquele lugar era bem sinistro.
No andar de cima ficavam alguns artefatos como armas antigas, achados arqueológicos da região incluindo artefatos indígenas e até mesmo um esqueleto de um índio morto pelos caçadores de índios em décadas passadas quando a cidade estava se formando. Haviam também muitas fotografias de pioneiros fundadores da cidade. Todos esses itens e muitos outros estavam repartidos e expostos em diferentes salas no andar de cima do casarão. Lembro que havia também um quarto com roupas antigas de pessoas que tinham vivido ali. Ou seja, tudo que um museu pode ter para contar um pouco ou muito da história da cidade e da região.
Lá no andar de cima reencontrei minha esposa, a qual estava bem nervosa e aflita, e me pediu insistentemente para sairmos daquele lugar. A princípio eu não sabia o porquê, pois ela não me disse nada lá dentro. Saímos rapidamente do museu e fomos para uma pracinha que havia na frente do mesmo. Minha esposa estava tremendo e bem nervosa. Fomos sentar em um dos bancos daquela praça, a qual tinha como decoração pública uma avião antigo todo pintado. A seguir algumas fotos da praça.
Fonte das Fotos: Internet
Quando estávamos sentados lado a lado no banco daquela praça, minha esposa me contou o que havia ocorrido com ela lá dentro do museu. Ela me disse que estava no andar de cima olhando algumas roupas antigas expostas em manequins feitos com armação de ferro, quando decidiu tocar em um dos vestidos que estava exposto. Na mesma hora ela disse que começou a passar mal. Não soube me explicar ao certo o que sentiu, mas que ainda estava se sentindo mal e tendo arrepios pelo corpo enquanto a gente conversava no banco daquela praça. Como eu sempre fui meio sensitivo em relação as forças malignas, na mesma hora que ela me relatou o que estava ocorrendo eu também comecei a sentir arrepios pelo corpo. Tentei acalmar minha esposa dizendo para ela não temer nada, que nenhum mal iria nos acontecer porque Jesus estava conosco. Eu sabia que minha situação espiritual era de alguém que estava muito distante de Jesus. Embora estivesse tentando fortalecer a fé da minha esposa, eu mesmo me sentia fraco espiritualmente, distante dos caminhos de Deus e indigno de qualquer favor divino. Não consigo me lembrar se fiz uma oração com minha esposa naquele momento, simplesmente não lembro. Mas eu lembro que fiquei bem preocupado com o que tinha ocorrido, pois como já relatei em capítulos anteriores, minha vida espiritual sempre teve confrontos terríveis com as forças do mal. Desde o momento em que minha esposa relatou o que tinha ocorrido, de certa forma eu já sabia do que se tratava tudo aquilo, e senti medo de que os sofrimentos que eu tinha tido no passado de alguma forma retornassem em minha vida. E de fato, eu não fazia ideia de como tudo aquilo que estava acontecendo se tornaria tão grave na minha vida e na vida da minha esposa a partir do dia seguinte, mais precisamente no domingo a noite.
Após deixarmos a cidade de Rio Negrinho, SC, no sábado à noite, viajamos de volta para Joinville, SC, onde moramos. No dia seguinte como de costume, fomos almoçar com a família da minha esposa em Barra Velha, SC, mais ou menos uns 50 quilómetros de Joinville. O almoço em família foi bem agradável, pois também haviam outros parentes da minha esposa que tinham ido visitar meus sogros. Dentre os assuntos à mesa na hora do almoço estava minha capacitação em Mafra, SC, e logicamente nossa visita ao museu em Rio Negrinho, SC. Após o almoço peguei meu celular para olhar as fotos que eu tinha tirado no museu, eu pretendia mostrar as fotos a todos. Antes porém fui conferir como elas tinham ficado. Ao ir passando foto por foto, de repente me assustei com o que vi numa delas. A princípio pensei que pudesse ser alguma distorção de imagem ou coisa parecida. Na verdade eu não queria acreditar no que estava vendo, bem diante de mim, em uma das fotografias que eu tinha tirado dentro daquele museu. Como eu relatei anteriormente, quando eu tirei uma foto daquele rádio grande que ficava no chão de um dos corredores daquele casarão, meu celular registrou um clarão na tela. Não era o flash do aparelho e muito menos a lanterna, mas agora vendo a foto diante dos meus olhos eu havia descoberto o que era, e eu fiquei atônito e assustado. Pensei a princípio que eu estava vendo coisas, e para ter certeza de que não era uma ilusão de ótica ou algo parecido que eu estava vendo naquela foto, eu decidi mostrar a imagem daquela foto que aparecia na tela do meu celular a todas as pessoas que estavam participando do almoço naquele domingo. Ao todo foram sete pessoas que viram, contando comigo. E todas ficaram apavoradas com o que viram, a ponto de pedirem para eu deletar aquela foto. Eu fiquei tão intrigado e ao mesmo tempo incomodado, que resolvi delatar não apenas aquela foto tenebrosa, mas todas as fotos que eu tinha tirado daquele museu. Naquele momento eu queria esquecer que um dia eu estivesse lá com minha esposa, mas a imagem gravada na foto em meu celular era real. Observações: 1. Meu celular em 2015 era um modelo antigo da Nokia, e naquela época ainda não tinha tantos recursos de mídia digital como hoje. 2. As fotos do Museu publicadas aqui foram tiradas da Internet.
OBS: Deletei quase todas as fotos tiradas naquele dia no museu Carlos Lampe do meu celular antigo, todavia, as fotos que minha esposa tirou em seu celular não foram deletadas. Se desejar poderá visualizar as fotos
AQUI.
Mas o que apareceu naquela foto? Vou tentar descrever nos mínimos detalhes, pois não tenho mais a foto para provar, mas a imagem daquela fotografia tirada com meu celular ainda permanece nítida em minha mente até hoje. Naquela foto apareceu uma mão virada com a palma para cima e com os dedos meio curvados em forma de garras, aliás, os dedos eram garras. Mas essa mão que apareceu não foi em forma física, mas como se fosse uma radiografia sobreposta ao móvel que eu estava fotografando. Tentei pesquisar na Internet algo semelhante, e o que consegui mais próximo ao que vi naquela foto foi a gravura abaixo, mas mesmo assim, o que vi em meu celular era algo bem mais aterrador:

Apesar dessa imagem ilustrar parcialmente o que apareceu de fato na foto que tirei naquele dia no Museu, ela ainda não representa bem o que de fato se manifestou quando usei meu celular para fotografar aquele rádio de chão antigo. Na imagem que apareceu naquela foto os dedos da mão pareciam garras, pois estavam voltados para cima com a palma da mão em forma de concha, e não para baixo como nessa ilustração. A partir dessa experiência sobrenatural, tudo em minha vida sofreria uma profunda transformação, principalmente em meu entendimento do mundo espiritual e do meu relacionamento com Jesus por meio da fé.
Voltamos para Joinville naquele domingo à noite e ao chegarmos em nosso apartamento tudo parecia normal como sempre. Ao irmos para o nosso quarto dormir, assim que deitamos na nossa cama, fiz uma oração em voz alta junto com minha esposa. Já fazia algum tempo que eu havia retomado a prática da oração antes de pegarmos no sono. Assim que acabei de orar minha esposa me disse que seu corpo estava todo arrepiado e que ela não estava se sentindo bem. Decidi recitar o Salmo 91 e no mesmo momento que comecei a orar meu corpo também ficou todo arrepiado a ponto de meu pelos parecerem um arame farpado. E além disso eu comecei a sentir a presença de uma força maligna muito forte e negativa. Nunca tinha sentido tão forte assim. Não demorou muito para minha esposa adormecer, contudo eu não conseguia dormir, porque aquela energia ruim vinha sobre mim arrepiando meus pelos a ponto de ficarem eriçados como se fossem arame farpado, mas se afastava quando eu invocava o nome de Jesus. Não consegui dormir naquela noite e nem nas próximas seis noites seguintes, ou seja, fiquei acordado sete dias e sete noites sentindo aquelas sensações ruins e vinte e quatro horas em oração, fosse em voz alta ou em pensamento.
Apesar do meu tormento ser 24 horas por dia, não contei nada para ninguém, nem mesmo para minha esposa, pelo menos nos sete primeiros dias. Eu estava numa grande luta espiritual contra as forças do mal, era como se tudo ao meu redor fosse um enorme furação de forças malignas tentando me dominar. Naquela primeira semana quando comecei a sentir tudo isso, eu sofri calado, e permanecia em constante oração, eu disse, constante, ou seja, como minha mente não conseguia descansar e eu não conseguia dormir, então ficava orando em pensamento ou em voz baixa. Minha rotina mudou drasticamente. Não lembro de ter me alimentado adequadamente. Minha única preocupação e foco era vencer o mal que se aproximava de mim de maneira tão intensa.
Na sétima noite antes de dormir, eu estava sentido a presença do mal de tal forma que meu corpo estava todo arrepiado como se fosse arame farpado, ora arrepiava todo corpo, ora só as pernas. Era uma sensação terrível de opressão maligna, pois não eram só os arrepios, era a angústia e a opressão que eu sentia de forças diabólicas. Aquilo tudo fugia ao meu controle e minha única saída era clamar a D'US em nome de Jesus. Naquela noite minha esposa percebeu que eu não estava bem, pois eu não conseguia mais disfarçar, foi então que lhe falei do que estava acontecido desde a nossa visita ao museu. Lhe mostrei como eu estava todo arrepiado e ela ficou chocada. Então, com sua formação em psicologia, ela entendeu que eu estava passando por uma crise de ansiedade e me levou para o Pronto Atendimento (Posto de Saúde) do município de Barra Velha, SC, onde estávamos naquela ocasião. Ao chegar lá, consultei com o médico de plantão e lhe contei o que estava ocorrendo, e que eu não conseguia dormir já fazia sete noites e sete dias. E que além disso eu ficava todo arrepiado e me sentia mal e oprimido por forças malignas. O médico me deu apenas um comprimido de
Diazepam para dormir àquela noite e um encaminhamento para um médico psiquiatra e para um psicólogo. Voltamos para casa dos meus sogros onde estávamos hospedados e aquela sensação de opressão não me abandonava, eu não fazia ideia que tudo aquilo era apenas o começo de uma longa batalha espiritual, a pior de todas que eu enfrentaria em minha vida cristã até aquele momento. Ao deitar na cama para tentar dormir, após tomar o medicamento indicado, eu literalmente apaguei. Porém, ainda acordei duas vezes de madrugada com meu corpo todo arrepiado parecendo arame farpado, mas por causa do efeito do remédio voltei a dormir.
Enquanto tento escrever essa parte, tenho dificuldades de lembrar todos os fatos em detalhes, mas acebei de orar a Jesus pedindo que me ajude, porque o Espírito Santo me disse para fazer isso: dar o meu testemunho.
Após aquela noite de sono induzido pela medicação que eu havia tomado, os ataques malignos não cessaram. Continuei sentindo a presença de forças sobrenaturais ao meu redor, a ponto de não sentir mais paz. Eu estava sob constante ataque do mal, e me sentia tão oprimido que comecei a pensar em suicídio. Quanto mais eu orava e quanto mais eu enfrentava aquelas forças malignas batendo de frente com elas, mais eu "apanhava". Sozinho, eu não tinha controle daquela situação. Então, minha vida se tornou literalmente uma vida de oração 24 horas por dia, porque eu acreditava que somente D'US por meio da minha fé em Jesus Cristo poderia me ajudar. Todavia, não descartei ajuda médica, por isso, quando voltamos para Joinville/SC, a primeira coisa que fiz foi procurar um psiquiatra e um psicólogo. Entretanto, os acontecimentos que se seguiram, foram de muita luta espiritual por libertação e de muitas provas do amor e do cuidado de Jesus por mim.
Quando eu e minha esposa retornamos de Barra Velha/SC para o nosso apartamento em Joinville/SC, um verdadeiro inferno de tormentos espirituais começaram em minha vida. A tal ponto, que eu novamente não conseguia dormir direito, e não apenas isso, eu comecei a ter ideias suicidas diante do que estava acontecendo. Muitos fenômenos ditos paranormais, ou, sobrenaturais, começaram a acontecer comigo.
Eu não conseguia dormir direito, ou quase nada, porque sentia uma presença maligna 24 horas perto de mim, a ponto de meus cabelos e pelos do corpo ficarem arrepiados como se fossem arames farpados. era um mal estar e uma opressão muito grande, uma força e uma energia que queria me esmagar literalmente. Diante de tudo que estava acontecendo, além de estar em oração 24 horas, procurei ajuda médica e psicológica. Lembro que na minha primeira consulta com o Dr Felipe Becker, médico psiquiatra em Joinville/SC, ele já me receitou 3 tipos de comprimidos: Cloridrato de Sertralina; Lítio e Risperidona. Todos esses, medicamentos antidepressivos. Comecei a tomar os três, de manhã eu tomava Sertralina, à tarde tomava Lítio e à noite Risperidona. Todavia, aquela sensação de presença negativa perto de mim não passava, o que me levava a estrar sempre em oração. Comecei a escutar hinos e louvores, e também a ouvir a Bíblia, mesmo enquanto conseguia dormir. Minha esposa na época, que era Católica, chegou a pensar que eu estava ficando louco. Porém, eu sabia muito bem o que era tudo aquilo, pois já havia passado por experiências semelhantes, mas não naquela intensidade e continuidade.
Isso tudo começou depois daquela visita ao museu, como relatei no capítulo anterior, e a partir de Setembro de 2015, minha vida cristã nunca mais seria a mesma. O período desde o mês de Outubro de 2015, até o mês de Dezembro de 2016, foi particularmente muito difícil e desafiador para mim no sentido espiritual. Enfrentei e travei batalhas contra as forças do mal quase que literalmente, D'US, na sua graça e misericórdia não permitiu que eu fosse provado além do que eu poderia suportar. Apesar de eu não ver os demônios ou suas sombras, eu sentia a presença deles, e não é uma presença agradável, é uma presença opressora e maligna, eu podia sentir quando estavam se aproximando de mim, tentando me dominar e me intimidar. Meu corpo ficava todo arrepiado como arama farpado, me sentia mal, não tinha hora do dia, mas à noite eu não conseguia dormir direito, escutava barulhos dentro do meu apartamento, os móveis estalavam bem alto, e como eu estava em constante oração, muitas vezes o Espírito Santo me avisa antes e sussurrava em minha mente: eles estão chegando, ore. era uma experiência terrível. Muitas e muitas noites eu literalmente dava socos no ar, tentava enfrentá-los, e então a fúria deles vinha com tudo para cima de mim. Eu clamava pelo nome de Jesus, eu me ajoelhava no chão, eu deitava com o rosto no chão, pedindo misericórdia para D'US, clamando a Jesus por livramento. Por um tempo, eu ficava em paz, mas não demorava muito e logo tudo aquilo começava de novo.
A família da minha então esposa, eram todos da ICAR (igreja Católica Apostólica Romana), mas tinham parentes e amigos que eram espíritas Kardecistas. Sendo assim, quando contei para o meu sogro e para minha sogra na época, juntamente com minha esposa, o que estava acontecendo comigo, eles disseram que iriam rezar por mim, mas também me recomendaram a procurar ajuda de uma benzedeira na cidade de Araquari, a dona Dica. Eu estava tão desesperado, e estava tão fraco na fé, eu tinha ficado mais de 16 anos afastado da igreja e praticamente sem ler a Bíblia, eu estava muito debilitado espiritualmente, a ponto de acatar o conselho deles. Eu tinha consciência que aquela não seria a solução para o meu problema, mas como minhas orações pareciam sem uma resposta imediata e definitiva, eu fui visitar aquela benzedeira famosa na região de Araquari/SC.
Assim que entrei na casa dela, percebi que ela também sentiu aquela energia negativa que me acompanhava, e então ela chamou mais uma pessoa para ficar com ela, no caso daquela entidade conseguir se apossar de mim. Todavia, minha mente e meus pensamentos estavam fixados em Jesus por meio de orações silenciosas, e isso era durante o dia e durante a noite. Aquela benzedeira me recomendou fazer uma limpeza e uma purificação espiritual com chás de ervas, não me lembro quais eram, mas ela me disse que eu deveria ferver aquelas ervas, esperar esfriar, e tomar um banho com aquele chá, jogando a água desde a nuca, ela também me disse severamente que não era para jogar a água sobre minha cabeça. Disse ainda que aquela água do banho deveria cair sobre uma bacia, ou seja, eu deveria ficar em pé dentro de uma bacia e após o banho recolher aquela água. Em seguida, eu deveria jogar aquela água no mar. Fiz tudo o que ela recomendou, mesmo sabendo que não agradaria a D'US e que não era a solução para o que eu estava sentindo. Naquela mesma noite que fiz esse ritual, minha situação se agravou, fui mais oprimido ainda, fiquei sem dormir e senti que não teria forças diante do mal que estava ao meu redor. Implorei o perdão de D'US para o que eu tinha feito, pedi perdão pela minha falta de fé, supliquei que o Senhor não me abandonasse e tivesse compaixão e misericórdia de mim pelo que havia praticado.
Desde aquela experiência tomei a decisão firme e fiz um propósito com o Senhor Jesus de nunca mais recorrer a outro poder que não fosse o do Salvador. Ele teve compaixão de mim, me perdoou e não permitiu que aqueles demônios tomassem conta da minha mente. Mas não foi tão fácil assim, tive que me humilhar muito em oração na presença de D'US pela fé em Jesus. Desde aquele momento, comecei a fazer uma limpeza em minha casa, eliminando tudo que pudesse atrair o mal, livros, Músicas e programas de TV e canais pagos. No meu carro, haviam CDs de músicas de Rock Clássico e outras músicas de sucesso mundial da época, que não eram hinos de louvor a D'US e que infelizmente eu tinha aprendido a gostar durante o tempo em que estive afastado da IASD e principalmente de Jesus. Embora eu achasse que não estivesse longe de Jesus, eu estava em trevas, porque eu racionalizava minha situação espiritual, afirmando para mim mesmo que apesar de não estar ligado à IASD ou frequentando os cultos, e mesmo apesar de não ler mais a Bíblia e orar raramente, eu continuava crendo em Jesus. Era um engano satânico. Porque um membro separado do corpo, amputado, não sobrevive e apodrece logo. Porque sem o alimento diário da Palavra de D'US e uma vida de oração constante não há vida espiritual. Eu estava em trevas, pensando que estava na luz.
Em relação aos CDs de Rock Clássico, algo inexplicável aconteceu quando decidi eliminar um por um. Eu estava no meu local de trabalho, e sempre em oração, pois até lá eu sentia aqueles malditos arrepios e a presença do mal como uma sombra perto de mim. Lembro como se fosse hoje, após orar dentro do banheiro para ninguém me ouvir, o Espírito de D'US me disse: quebre um por um e jogue no lixo! Fui até meu carro, peguei todos aqueles CDs de músicas mundanas, e perto de um lixeiro grande que havia no pátio eu comecei a quebrar o primeiro CD de musica Rock. Após quebrar o primeiro CD e dizer em voz alta: em nome de Jesus, aqueles demônios vieram com tudo para cima de mim, meu corpo ficava todo arrepiado e eu sentia como se fosse uma descarga de energia negativa perto de mim, como se os demônios ficassem com raiva do que eu estava fazendo, como se aqueles CDs fossem um tesouro para eles. Quebrei um por um, sempre declarando em nome de Jesus, e à medida que eu os quebrava fazia um pacto com D'US de não ouvir mais aquele tipo de música e ouvir apenas hinos de adoração e louvor a D'US. Em cada CD que quebrei naquele dia, eu senti a fúria do mal ao meu redor, e percebi na pele, que de fato não podemos servir a dois senhores.
Era o mês de Outubro de 2015, e nada tinha mudado em relação aos ataques espirituais que eu estava sofrendo e enfrentando. Alguns meses mais tarde eu descobriria que estava usando a estratégia errada para enfrentar o mal, porque quanto mais eu desafiava aquelas forças malignas, quanto mais eu amaldiçoava aqueles demônios, quanto mais eu enfrentava e batia de frente contra eles, mais eu apanhava. Para você ter uma ideia do absurdo que fiz, um dia, quando eu estava me sentindo muito oprimido e meu corpo não parava de ficar arrepiado, eu fui ao banheiro na clínica onde eu tinha acabado de fazer psicoterapia, e ordenei que aqueles demônios saíssem de perto de mim, chorando e clamando pelo nome de Jesus eu fiz como se tivesse pegado um por um e jogado dentro do vaso sanitário, e depois dei descarga e mandei eles, literalmente à merda. Que absurdo, hoje percebo o quão desesperado e fraco na fé eu estava. Logicamente, essa minha atitude não adiantou nada, porque eu continuava afrontando esses seres espirituais, que embora nas trevas, foram originalmente criados por D'US e são criaturas. Como escreveu e advertiu Judas: [...] "Difamam autoridades superiores. Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!" (Judas 1:8-9). E ainda Pedro adverte: [...] "Atrevidos, arrogantes, não temem difamar autoridades superiores, ao passo que anjos, embora maiores em força e poder, não proferem contra elas juízo infamante na presença do Senhor." (2 Pedro 2:10-11). Eu não entendia na época, que embora Satanás e os Demônios sejam nossos inimigos, não temos autoridade espiritual para afrontá-los ou ultrajá-los, nem os anjos de D'US fazem isso. Mas nossa autoridade está em declarar o nome do Senhor e invocar o poder de D'US para nos livrar. Só meses mais tarde, e depois de muito confronto espiritual, é que eu fui entender esse princípio.
Como minha situação não havia melhorado, mesmo praticando muita oração, ouvindo a Palavra de D'US todos os dias e noites no aplicativo YouVersion, voltando a frequentar a IASD, tomando os remédios receitados e fazendo psicoterapia, procurei outro psiquiatra, para ter um outro parecer médico. O Dr Marlon Willfried Fritze Soares, foi quem me atendeu, e lembro da minha surpresa em descobrir durante meu atendimento que ele era Adventista do Sétimo Dia. Vendo minha situação, ele decidiu me afastar do meu emprego público, ou seja: da CRE de Joinville/SC, porque da Rede Municipal de Educação, onde eu lecionava Ensino Religioso para o Ensino Fundamental, eu estava afastado em licença sem vencimento. Fiquei afastado 90 dias da CRE, e sem atividade profissional. Passei por várias perícias médicas, e acabei sendo readaptado na Rede Municipal de Educação como articulador pedagógico. Porém, aqueles 90 dias foram um verdadeiro inferno na minha vida do ponto de vista espiritual, porque eu não tinha um dia de paz, devido aos ataques malignos.
Mas nem tudo era tristeza. D'US sempre é misericordioso, e permite as provações para nos purificar e aperfeiçoar em cristo Jesus. Como minha esposa na época estava dirigindo o seu negócio, a cafeteria Doce Café, e eu estava 90 dias afastado dos meus empregos, eu ficava lá na cafeteria com ela. e foi justamente lá, que aconteceram os piores ataques espirituais que eu já tinha enfrentado na minha vida toda. Vou destacar aqui três acontecimentos que marcaram profundamente minha experiência cristã.
Primeiro: Certo dia, enquanto eu estava na cafeteria da minha esposa, eu me sentia muito oprimido. Meu corpo tinha vários momentos de arrepios intensos, e eu percebia a aproximação dos demônios. Eu ficava orando, às vezes ia ao banheiro para orar. Mas naquele dia eu senti uma força maligna muito forte vindo em minha direção. Eu estava em pé, e apesar de não poder ver, eu podia sentir a presença do mal vindo em minha direção. Foi quando minha cabeça começou a tremer muito, meu corpo ficou todo arrepiado e meu peito sentiu uma pressão muito forte, o que me levou a sentir um mal estar muito grande. Enquanto o mal tentava se apossar de mim, da minha mente, tentando invadir meu cérebro no meu lóbulo frontal, eu fiquei firme em oração e mencionei o nome de Jesus. Naquele momento o mal se afastou, mas para me intimidar, o roteador que estava parafusado na parede logo atrás de mim, foi arrancado e arremessado por uma força invisível para longe dali. Tive que buscá-lo e parafusar novamente. Noutra ocasião, meses depois, quando eu já havia voltado a trabalhar, minha esposa me ligou da cafeteria aterrorizada e pedindo para eu fazer uma oração, porque ela estava sob ataques do mal, orei por ela por telefone e logo após eu terminar ela disse que tudo havia passado e ela estava se sentindo bem. Eu tinha consciência que não era da vontade de D'US que tivéssemos aquela cafeteria. Embora eu já estivesse de volta na IASD e nós não abríamos mais a cafeteria aos sábados, eu sabia que ali não era o nosso lugar. Então comecei a orar para D'US nos abençoar para vender a cafeteria Doce Café.
Segundo: Um grupo de pastores evangélicos, às vezes 3, às vezes 4, começaram a frequentar a cafeteria. Não lembro exatamente qual era o nome da igreja ou denominação. Era o mês de Novembro de 2015, um daqueles pastores afirmava que tinha o dom de revelação, que ele era capaz de ver demônios. Certo dia, quando fui levar alguma coisa para ele na mesa onde estava, ele ficou olhando fixamente para o meu lado esquerdo, com os olhos arregalados, eu estava sentindo uma presença maligna justamente do meu lado esquerdo. Outro dia, ele me disse que dentro da nossa cafeteria estava cheio de demônios, especialmente num canto dela, e era justamente o local onde tinha acontecido o fato com o roteador. Esse pastor me disse que eu deveria descansar em Jesus. A partir daquele dia comecei a entender qual era o princípio espiritual para ficar em paz apesar das tormentas ao meu redor. Um dia, quando eu estava me sentindo muito oprimido lá na cafeteria, como se tivesse uma força maligna grudada nas minhas costas, a ponto do meu semblante estar refletindo minha opressão, esse grupo de pastores chegou. Eram três, e ao conversar com eles, perceberam que eu não estava bem. Pedi que orassem por mim. Fomos para fora da cafeteria, e enquanto oravam por mim, um deles fez movimentos com as duas mãos como se tivesse tirando algo das minhas costas, a partir daquele momento me senti em paz. Mas minhas lutas não acabaram naquele dia, elas estavam só começando.
Terceiro: Era o mês de Novembro de 2015, um dia ensolarado e lindo, e eu estava na cafeteria sentado e orando. Pedindo a Jesus um pouco de paz e esperança. Eis que entra uma senhora com uma criança, um menino de 3 ou 4 anos de idade. Eu gosto de criança e gosto de conversar com elas. Me aproximei do garotinho e começamos a conversar. Enquanto aquela criança estava ali, eu senti uma paz incrível. Depois que ela foi embora com sua mãe, eu orei e agradeci a Jesus por ter me mostrado esperança por meio daquela criança, eu chorei. Alguns dias se passaram, eu continuava minha vida diária de orações para poder sentir paz diante da presença constante das forças malignas. Parecia que aquilo nunca ia acabar. Certo dia, eu fui orar no banheiro da cafeteria, ali, ajoelhado e chorando, eu clamava a D'US por livramento e paz. Quando levantei, ouvi a voz DEle, Jesus, por meio do Seu Espírito Santo, não foi uma voz audível, foi uma voz na minha mente, uma voz firme e com autoridade, eu nunca tinha experimentado isso na minha vida cristã. A voz do Senhor ecoou na minha mente e me disse: "Tua mulher está grávida. É uma menina. Ela vai ser muito inteligente e vai me servir!" A voz do espírito de Jesus é inconfundível. junto com essa revelação veio a fé e a confiança no que o Senhor havia me revelado. Fui até minha esposa, olhei nos seus olhos, e lhe disse: "Você está grávida. È uma menina. Ela vai ser muito inteligente e vai servir ao Senhor Jesus!" Claro que minha esposa não acreditou, lembro que ela me disse: "Você está louco! Isso é impossível!" De fato era, porque ela estava tomando anticoncepcional e não estava nos nossos planos uma gravidez naquele momento. Diante do que Jesus havia me revelado, pedi pra minha esposa fazer um exame de gravidez, ela concordou e fez o exame de sangue. No dia que ela foi buscar o resultado, ela fez questão de abrir na minha frente, quando ela abriu o exame o resultado era negativo. Minha esposa sorriu e disse: "Tá vendo? Isso é coisa da tua cabeça!". Na mesma hora o Senhor falou comigo novamente, ouvi a mesma voz serena e com autoridade dizendo em minha mente: "Esse exame está erado! Tua esposa está grávida. É uma menina. Ela será muito inteligente e irá me servir!". Repeti essas palavras para minha esposa e insisti para ela fazer um novo teste. Eu disse: "Não estou ficando louco! Tenho certeza que recebi uma revelação de Jesus!". Mesmo contra sua vontade ela fez um novo teste de gravidez. No dia em que foi abrir o resultado, eu estava na cafeteria e ela no caixa, e havia um cliente na frente dela para ser atendido. Ela abriu o resultado e deu um grito: "O quê?! Impossível!". O cliente levou um susto. Olhei em sua direção e sorri. Ela estava de fato grávida como o Senhor havia me revelado. Fui até onde ela estava, a abracei, dei os parabéns, e disse: "É uma menina. Ela será muito inteligente e servirá a Jesus!". O resultado do teste de gravidez apontava 4 semanas de gestação, justamente o tempo que o Espírito de d'US havia me dito que ela estava grávida, 4 semanas atrás, ou seja, nos primeiros dias de gravidez.
CONTINUA...