O Grande Conflito em Nossa Vida:

"Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos e também por mim [...]." Efésios 6:10-19

8º Capítulo - Ex Pastor da IASD Conta Tudo! Período: Vida Adulta - Dos 48 Anos aos 54 Anos de Vida - Das Trevas do Maligno Para a Luz de Cristo

Esse capítulo será o mais difícil para eu escrever. Mas por outro lado será o mais gratificante, por causa da graça e do amor de Jesus. Como escrevi no capítulo anterior, em julho de 2010 minha vida espiritual entrou numa fase de profundo declínio. Até então eu procurava manter muitos princípios aprendidos na IASD, dentre eles o de não usar bebidas alcoólicas. Contudo, foi numa noite fria de julho de 2010 que tomei uma das piores decisões da minha vida, uma decisão que me custaria muito caro do ponto de vista biopsicosocial e espiritual. Após essa decisão eu experimentei uma decadência na saúde física, emocional, psicológica e espiritual, além de afetar negativamente minhas relações sociais. Naquela noite fria de julho de 2010 eu decidi sair para me divertir conforme os padrões do mundo e comecei experimentar bebidas alcoólicas. Sim, me tornei um ex-pastor e ex-membro da IASD alcoolizado, mas muito mais que isso, apostatado e vazio espiritualmente.

Eu sempre acreditei, num sentido figurado, que dentro de uma garrafa de bebida alcoólica haviam demônios, mas mesmo assim, em meu desespero, decidi experimentar. Fiz das bebidas alcoólicas uma válvula de escape para os meus problemas, ao invés de dobrar os meus joelhos diante de Deus. A princípio o álcool faz você se sentir muito bem, deixando você em um estado mental de euforia e proporcionando um alívio temporário de tensões psicológicas e físicas. O álcool muda a sua personalidade e o seu comportamento, porém, como é uma droga depressora após seu efeito no organismo o sentimento que vem é de tristeza profunda e um enorme vazio existencial.

Durante cinco longos anos fui usuário de bebidas alcoólicas, desde julho de 2010 a setembro de 2015. Escrevo isso com vergonha de mim mesmo, mas principalmente para dar meu testemunho do amor incondicional de D'US. Eu bebia todas as noites, de terça-feira a domingo, só não bebia na segunda-feira porque os estabelecimentos que eu costumava frequentar estavam todos fechados. Eu consumia vários tipos de bebidas alcoólicas, as quais até então eu não havia experimentado e tinha até uma certa curiosidade. Durante os mais de cinco anos que fiz uso do álcool eu me sentia muito, mas muito distante de Jesus. Lembro que havia uma Bíblia aberta em cima de um balcão na sala do meu apartamento, a qual eu nem tocava e já estava literalmente com as páginas amareladas e cobertas de poeira. Toda vez que eu chegava em casa alcoolizado eu olhava para aquela Bíblia e chorava como uma criança. Satanás finalmente estava no controle "quase" total da minha vida, "quase" porque eu ainda orava, algumas vezes mesmo embriagado, eu chorava e clamava pedindo a misericórdia de Deus por meio de Jesus. Muitas vezes eu não acreditava como eu tinha chegado naquela situação. Até meu gosto musical que sempre foi voltado para músicas sacras começou a mudar. Passei a comprar e ouvir CDs dos últimos lançamentos dos sucessos internacionais, principalmente de músicas Rock, e logo não havia mais nada de CDs de músicas sacras dentro do meu carro, mas apenas de músicas mundanas. Mais tarde passei a baixar músicas da Internet em estilo Rock para um Pen Drive, mas deixei um espaço para alguns hinos do HASD (Hinário Adventista do Sétimo Dia) que mais gostava, os quais escutava raramente, sempre em lágrimas, por me sentir tão afastado de Jesus.

Eu gostava de frequentar bons lugares em Joinville, SC. Alguns desses lugares eram restaurantes e bares com música ao vivo na rua Visconde de Taunay, conhecida na época como Via Gastronómica de Joinville. Outros lugares eram casas de show de música Rock ou Sertanejo Universitário. Minha rotina de festas e baladas era de terça a domingo, só não saia na segunda porque não tinha nada aberto. Também comecei a fazer academia, geralmente após um dia de trabalho eu dava uma passadinha em casa, pegava algumas roupas e depois ia para a The Best, uma academia que ficava dentro do Shopping Mueller em Joinville, SC. Após fazer academia e tomar um bom banho no vestiário, eu me arrumava bem e saia para mais uma noite de diversão com muita bebida, música Rock e festa. Geralmente eu começava o "esquenta" no Madrileño Bar e Cocina Internacional por volta da meia noite, onde eu jantava e começava a beber bebidas alcoólicas até umas duas horas da madrugada. O Madrileño ficava na via gastronômica de Joinville, e era um local muito agradável, com músicas ao vivo em diversos estilos. Os garçons já me conheciam e eu tinha um atendimento "vip", pois já era considerado da casa. Mas havia um garçon no Madrileño chamado Isaías, o qual geralmente me servia e ao mesmo tempo me falava do Evangelho de Jesus, ele era membro da IEQ. Mesmo naquele lugar Deus enviou alguém para me alertar, mas embora eu conversasse com Isaías sobre a Palavra de Deus, parece que minha mente estava anestesiada e eu não conseguia perceber a minha real condição. Ao sair do Madrileño, geralmente eu ia para um desses lugares em ordem de preferência: Taberna Music Hall, um "Pub" que ficava em um porão, e onde tocavam bandas de música Rock ao vivo; Bovary, outro "Pub" onde também havia música Rock ao vivo; Expresso Choperia, onde tocavam músicas Sertanejo Universitário ao vivo. Esses três lugares eram o que eu mais frequentava, mas haviam outros que eu ia de vez em quando, como o Let It Be Pub; Zun Schlauch; Moon; Paiol Choperia

Foi numa dessas noites, no Expresso Choperia, em que eu encontrei Humberto Goulart. Eu já tinha bebido bastante e estava do lado de fora para tomar um ar quando um rapaz se aproximou de mim e me disse: "Pastor Jorge, a quanto tempo?" A princípio fiquei sem resposta, pois eu não lembrava daquele jovem. Então lhe perguntei: "Você me conhece de onde?" Ao que ele prontamente respondeu: "Eu te conheço de Lages, SC, mas faz tempo". Então começamos a conversar e Humberto me contou o seguinte: "Pastor Jorge, eu te conheci lá na igrejinha adventista do sétimo dia da Várzea, em Lages, SC, não era uma igreja organizada ainda, era um grupo e a gente se reunia numa sala de aula de uma escola. Quando eu tinha uns nove anos de idade você foi fazer um sermão lá, você devia ter uns 17 ou 18 anos de idade, era bem novinho ainda (risos)". Fiquei perplexo, e foi então que, mesmo embriagado, lembrei do fato, inclusive da roupa que usei para pregar naquela manhã de sábado, mas não conseguia lembrar dele, lhe pedi desculpas por isso. Todavia, a partir daquele encontro ficamos amigos. Naquela noite, Humberto me apresentou outro amigo, o jovem Jauro, e juntos curtimos o restante daquele sabadão universitário. 

Humberto era um jovem adventista do sétimo dia que no sábado pela manhã ia na escola sabatina e no culto de adoração, mas no sábado à noite ia para as baladas e tomava bebidas alcoólicas. Eu, era um ex-pastor frustrado, decepcionado e revoltado com a IASD, e Jauro era um jovem Católico Apostólico Romano. Embora Humberto soubesse da minha condição, ele nunca me criticou, até porque eu estava declaradamente fora da IASD, a ponto de não chegar nem perto de um templo. Eu também nunca critiquei ele por viver uma vida dupla dentro da igreja e fora ao mesmo tempo. Depois acabei descobrindo que Humberto tinha cuidado da mãe dele por anos enquanto ela estava doente, até ela falecer com câncer. Mas, apesar de tudo que fazíamos de errado a gente conversava sobre as coisas de Deus e sabíamos que naquela situação estávamos perdidos.

O tempo foi passando rapidamente, e para encurtar essa história de amizade com Humberto, alguns anos mais tarde ele foi testemunha do meu casamento no civil e no religioso, e finalmente em 2016 Humberto e eu abandonamos aquela vida de baladeiros e nos rebatizamos na IASD, ele em Lages, SC, e eu em Joinville, SC. Após o nosso retorno para Jesus, a nossa amizade ficou mais forte ainda em Cristo, a ponto de Humberto e eu fazermos atividades missionárias juntos. Eu lhe dei de presente uma Bíblia Bilíngue em Português e Inglês, pois Humberto era fluente, formado em Letras dava aulas de inglês como professor na Rede Pública Estadual de Ensino. Depois disso, ele passou a frequentar minha casa e jantar conosco com certa frequência. Todavia, numa daquelas visitas ele nos deu uma notícia muito triste, ele nos disse que estava com câncer. Imediatamente lhe disse para começar a quimioterapia, mas ele disse que ia tentar um tratamento alternativo com alimentação natural. Na época, eu e minha esposa insistimos com ele para que começasse a quimioterapia o quanto antes, mas ele demorou três meses tentando um tratamento alternativo. Toda vez que ele ia lá em casa tomar uma sopa conosco, a gente orava com ele. Depois de um tempo Humberto começou a ter dificuldades em tomar sopa e engolir, e começou a emagrecer demais, e quando foi fazer a ressonância magnética o câncer já havia se espalhado. Foi só então que decidiu fazer a quimioterapia, mas já era tarde. O sofrimento dele foi o nosso, as lágrimas dele foram as nossas. Como ele era solteiro e morava sozinho e seus parentes eram de Lages, SC, e ele só tinha uma irmã em Joinville, SC, a qual o amparou, nós também passamos a dar todo apoio que pudemos ao Humberto. Foram muitas orações e súplicas em seu favor, mas o câncer foi cruel, e logo Humberto teve que ser internado no Hospital Dona Helena, onde permaneceu por poucos dias. Lembro das últimas visitas que fizemos a ele antes de falecer, foram três na verdade. Na primeira ele ainda estava lúcido e conversando, na segunda visita ele já não estava mais conseguindo falar e na terceira, a qual foi um dia antes dele falecer, ele estava totalmente inconsciente, sedado em cuidados paliativos. Em todas essas visitas oramos por ele e procurei pegar na mão do meu grande amigo e irmão em Jesus. Foi muito triste e difícil para mim presenciar todo o seu sofrimento até a sua morte. Contudo, dou graças a Deus por ter encontrado o Humberto naquela noite no Expresso Choperia, e agradeço mais ainda por ter presenciado o seu retorno a Jesus como seu único Salvador e Senhor. Até hoje fico pensando no fato de que nada acontece por acaso em nossas vidas, para tudo Deus tem um propósito. E tenho plena convicção de que era propósito de Deus que o Humberto me reconhecesse naquela noite e ficássemos amigos e nos tornássemos irmãos em Jesus. Há um ditado que diz que quando duas pessoas se encontram elas nunca perdem nada, apenas ganham, e eu ganhei um grande amigo, o qual eu espero reencontrar um dia quando Jesus retornar em poder, glória e majestade, com todos os anjos do céu para ressuscitar aqueles que morreram crendo NEle e lhes dar a vida eterna. Mesmo diante da morte podemos crer no que está escrito: "Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor". (Romanos 14:8)

Em memória do meu amigo e irmão em Jesus, Humberto Goulart, escrevi a seguinte poesia, pois há amigos mais próximos do que um irmão:

Meu Amigo e Irmão

I
Meu amigo e irmão do coração,
Quando te encontrei naquela noite de alegrias passageiras,
Minha alma pareceu ter saído da solidão,
Surgiram então lembranças e emoções tão verdadeiras.

II
 Meu amigo e irmão do coração,
Passamos momentos conversando, sorrindo e sonhando,
Minha vida entrou na sua e a sua na minha com razão,
Saímos juntos, bebemos e rimos como crianças brincando,

III
Meu amigo e irmão do coração,
Nas nossas idas e vindas que pareciam sem fim,
No auge da nossa falsa liberdade e prisão,
Encontramos o amigo dos amigos em fim.

IV
Meu amigo e irmão do coração,
Nossa vida foi assim transformada por Jesus,
Nossa amizade passou a ser eterna como galardão,
Pela fé recebemos o Seu amor e a Sua luz.

V
Meu amigo e irmão do coração,
Esse mundo é um vale de lágrimas e sofrimentos,
A doença lhe alcançou com corrosão,
Aos poucos eu também sofri com os seus tormentos.

VI
Meu amigo e irmão do coração,
Estive sempre ao seu lado com amor e respeito,
Tentei evitar o pior com oração,
Mas uma parte de mim também morreu em meu peito.

VII
Meu amigo e irmão do coração,
A sua ausência nos causa profunda tristeza e pesar,
Mas relembrar as alegrias que você gerou em nosso coração,
É como se um pedaço de você estivesse sempre um presente a nos dar.

VIII
Meu amigo e irmão do coração,
Tenho fé em nosso Senhor Jesus e sua promessa linda,
Que somente Ele é a vida e a ressurreição,
E que um dia viveremos para sempre uma amizade infinda.

IX
Meu amigo e irmão do coração,
Nossa amizade não foi por acaso ou coincidência,
Mas foi fruto de uma divina direção,
Uma amizade sincera e resultado da providência.

X
Meu amigo e irmão do coração,
Descanse em paz até a volta de Jesus o Filho Eterno e Divinal,
Também vou me preparar nessa vida com maior devoção,
Para um dia estarmos juntos novamente no lar perene e celestial!


Em homenagem e gratidão pela amizade sincera de meu amigo e irmão do coração:

Humberto Vinicius Gomes Goulart
* 15/08/1971 - + 06/11/2018

Nesse período entre Julho de 2010 a Setembro de 2015 minha vida se resumia em me dedicar aos meus empregos, sair para as baladas todas as noites, conhecer mulheres e me embriagar. Afinal, eu pensava comigo mesmo, estou solteiro, tenho carro, apartamento, bons empregos e dinheiro para gastar. Mesmo vivendo essa situação de festas em minha vida pessoal, eu não fazia nada para me prejudicar em meus empregos, mas minha vida espiritual estava cada vez mais vazia. Continuei trabalhando como professor concursado de Ensino Religioso na Rede Municipal de Educação de Joinville no período da manhã, como Técnico Pedagógico na Secretaria de Estado da Educação, concursado e lotado na  Coordenadoria Regional da Educação (CRE) em Joinville no período da tarde, e no período da noite eu dava aulas na Faculdade Guilherme Guimbala (FGG/ACE) para o curso de pedagogia, atividade essa que me dava grande satisfação e realização profissional. A confiança da Instituição de Ensino FGG/ACE em meu trabalho como Professor de Ensino Superior era tanta que fui convidado a lecionar onze disciplinas durante os mais de dez anos que trabalhei lá, ou seja, fui professor de: Filosofia da Educação, História da Educação, Projetos Educacionais, Políticas Públicas, Formação Continuada dos Docentes, Gestão Escolar, Educação e Novas Tecnologias, Educação de Jovens e Adultos, Antropologia Cultural, Sociologia da Educação e Empreendedorismo. Eu sempre amei o trabalho da docência e gostava muito de lecionar. Porém, confesso que sempre aprendi mais do que ensinei. Para cada disciplina eu criei um blog, assim meus alunos e minhas alunas tinham acesso aos conteúdos e outras informações. A seguir alguns desses blogs:

1. História da Educação: www.historia-da-educacao.blogspot.com

2. Empreendedorismo: www.empreendedorismohoje.blogspot.com

3. Filosofia da Educação: www.filosofiaefilosofiadaeducacao.blogspot.com

4. Antropologia: www.antropologiaearqueologia.blogspot.com

5. Educação e Novas Tecnologias: www.educacaoparamidiadigital.blogspot.com e www.influenciadamidia.blogspot.com

6. EJA: www.eja-educacaodejovenseadultos.blogspot.com

Em relação ao meu trabalho como Técnico Pedagógico na CRE, criei dois blogs para registro das atividades como coordenador, ou seja:

1. Projeto NEPRE: www.projetonepre.blogspot.com

2. Programa o Caráter Conta: www.ocaraterconta.blogspot.com

Também criei um blog relacionado ao meu trabalho como Professor de Ensino Religioso na Rede Municipal de Ensino de Joinville e como Professor de Ocultismo e Religião no Instituto de Parapsicologia de Joinville, onde lecionei esporadicamente por mais de cinco anos aos finais de semana, ou seja:

1. Ciências da Religião: www.cienciasdareligiao.blogspot.com

Além dessas atividades profissionais eu encontrava tempo para dar aulas em cursos de pós graduação e cursos de capacitação para professores. Mesmo para esses projetos esporádicos eu criava blogs com conteúdos relacionados. A seguir alguns deles:

1. Avaliação Escolar: www.avaliacao-escolar.blogspot.com

2. Projeto de Capacitação: www.capacitacaoparaeducadores.blogspot.com

3. Metodologia Científica: www.metodologia-do-trabalho-cientifico.blogspot.com

4. PPP: www.projeto-politico-pedagogico.blogspot.com

5. Programa Escola de Caráter: www.escoladecarater.blogspot.com

Minha vida profissional estava a todo vapor, todavia, por causa do alcoolismo e de uma depressão profunda não demorou muito para eu começar a ter problemas em meus empregos. Enquanto escrevo esse capítulo, me sinto triste ao lembrar de tudo isso que estou relatando. O primeiro emprego que comecei a ter problemas foi o de Professor de Ensino Religioso. Como eu passava as noites em festas e baladas me embriagando e até amanhecia naqueles lugares mesmo durante os dias da semana, por mais que eu tomasse bebidas energéticas a base de cafeína na tentativa de neutralizar os efeitos do álcool em meu cérebro e corpo, eu comecei a chegar na escola embriagado. Cheguei a passar situações bem constrangedoras por causa disso. Foi então que tomei uma decisão, solicitei junto a Secretaria da Educação Municipal uma licença sem vencimento, para poder me afastar do trabalho e continuar tomando bebidas alcoólicas todas as noites até de madrugada, dessa maneira eu poderia dormir pela manhã. Literalmente eu troquei parte do meu dia pela noite. Lembro disso com vergonha e tristeza. Mas isso foi só o começo de outros problemas que foram surgindo. Mas nem tudo foi só problemas, e mesmo vivendo essa situação que relatei, coisas boas também aconteceram em minha vida, pela graça e misericórdia de Deus.

No final de 2010, no mês de outubro, enquanto eu lecionava num final de semana no Instituto de Parapsicologia de Joinville, no intervalo das aulas eu vi uma jovem sorrindo, e aquele sorriso tão lindo me iluminou por dentro e de certa forma me trouxe paz. Fiquei tão encantado com aquele sorriso que ele ficou gravado em minha mente como uma linda imagem colorida. Sem falar no fato de que aquela moça era muito bonita também, eu nunca tinha visto ela antes. Como eu gosto de escrever poesias e tenho um blog sobre isso, mesmo sem saber o nome dela e sem ter falado com aquela jovem ou sequer ter cumprimentado ela, aquele sorriso me marcou tanto que quando cheguei em casa escrevi uma poesia. Se desejar ler a poesia pode acessar o link abaixo.

Há Pessoas especiais que são capazes de mudar o nosso dia e a nossa alma por meio do seu sorriso...

Eu creio de todo o coração que Deus coloca pessoas especiais em nosso caminho para de alguma forma nos abençoar, e aquela moça do sorriso lindo e iluminado foi uma dessas pessoas. Conheci aquela jovem na minha pior fase de vida. Espiritualmente eu estava muito fraco na fé. Mas conhecê-la me trouxe uma luz de esperança, pelo menos para minha vida emocional e sentimental. Algumas semanas mais tarde, eu soube que daria aulas de Ocultismo e Religião para a turma dela no Instituto de Parapsicologia de Joinville. Lembro que após a primeira aula que dei para a turma dela, a procurei e lhe disse que eu tinha escrito uma poesia para ela por causa do seu lindo sorriso. Ela ficou muito surpresa e curiosa, mas eu também estava surpreso porque nunca havia imaginado que nós fôssemos conversar sobre isso. Ela insistiu para que eu lhe mostrasse a poesia. Eu lhe disse que estava na Internet em um blog de poesias, e que eu não havia planejado lhe entregar, mas iria lhe enviar o link para que ela pudesse ler. 

O resultado da nossa primeira conversa foram outros encontros, os quais se tornaram em um namoro, um ano depois em um noivado e no ano seguinte em um casamento, mais precisamente no dia 27 de Abril de 2013. Ela era de família católica, e eles não abriam mão de sua religião. Eu sabia disso, tanto que escondi de todos, até da minha namorada, por mais de um ano, que eu era um ex-pastor e ex-membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Quando contei a eles durante um jantar ficaram surpresos, principalmente porque eu tomava bebidas alcoólicas. É claro que eu fiquei envergonhado por causa do mal testemunho que estava dando, eu estava em trevas e não percebia quão grande eram elas. Porém, meus sogros, membros da ICAR, me receberam como um filho em sua família. Desse modo meu sogro e minha sogra passaram a ser para mim como meus segundos pais, de tanta consideração que teu tinha por eles. Uma das coisas que fizeram com que eu me identificasse muito com a família da minha atual esposa foi o fato de que nossa naturalidade era da mesma região do Estado de Santa Catarina, ou seja, éramos todos Serranos, da região mais fria do Estado. Eu era natural de Lages e a família da minha namorada era da região serrana também, praticamente na mesma localização. Eu e ela tínhamos sido criados nos mesmos costumes da Serra Catarinense, ou seja, ao redor do fogão à lenha comendo pinhão assado na chapa. 

Sobre meu casamento com minha atual esposa, eu só podia estar muito apaixonado mesmo, porque até hoje eu não sei como pude abrir mão das minhas mais profundas convicções e crenças e ter casado com ela na Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). Lembro que a primeira vez que fui conversar com um padre em Joinville, SC, no Santuário Sagrado Coração de Jesus, o sacerdote me recebeu muito mal e me disse que eu deveria fazer a Catequese para poder casar na ICAR. Como eu não conseguia me ver fazendo aulas de Catequese, procurei outro padre em Barra Velha, SC. O padre Fred Jorge Araújo Silva me recebeu de maneira diferente, quando lhe disse que eu tinha sido ex-pastor da IASD, ele me perguntou se eu tinha estudado teologia e se eu tinha o certificado de batismo, ao que lhe respondi afirmativamente. Então o padre Fred me pediu uma cópia do meu certificado de batismo na IASD juntamente com uma declaração atualizada da Instituição Adventista, nesse caso a Associação Norte Catarinense que fica em Joinville, SC, comprovando de que eu de fato havia sido batizado nas águas. Ele me disse que meu batismo na IASD seria aceito na ICAR, e que eu não precisaria ser batizado por aspersão, disse ainda que eu não precisava fazer a Catequese, mas afirmou que eu precisaria fazer o curso para noivos junto com minha noiva e que eu deveria passar pela Crisma. O padre Fred me disse ainda que faria minha Crisma de maneira discreta no dia da cerimônia do meu casamento, e que ninguém perceberia, e fez.

Foi muito difícil para mim violar minha consciência por amor a minha noiva. Mesmo eu me sentindo tão afastado de Jesus eu sabia que pronunciar o Credo da ICAR seria uma blasfêmia muito grande e mesmo assim eu cometi esse pecado. Eu estava indo cada vez mais fundo em minha apostasia. Por falar em apostasia, no dia em que eu fui na Associação Norte Catarinense (ANC) solicitar a declaração de que eu já havia sido batizado na IASD, eu passei por uma situação bem constrangedora. Eu tinha ido até o escritório do secretário da ANC junto com minha noiva Elisandra, e o pastor que era o secretário estava de férias, logo fomos atendidos por sua secretária pessoal, ela me conhecia de quando eu tinha sido pastor em Florianópolis, SC, mas fez de conta que não me reconheceu. Até aí tudo bem. Minha noiva tinha muita curiosidade e interesse sobre a IASD, mas infelizmente percebeu que eu estava sendo tratado com discriminação e preconceito, pois a secretária estava relutante e não queria me dar uma declaração de que um dia eu havia sido batizado na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Foi então que ela pegou o telefone e ligou para o pastor secretário da ANC, em seguida ela passou o telefone para mim e o pastor me perguntou por que eu queria tal declaração. Respondi apenas que precisa dela, sem dar maiores explicações. Em seguida passei o fone para a secretária, que por sinal me conhecia quando eu tinha sido pastor, e novamente pude ouvir quando ela disse ao pastor da Associação que nos registros da igreja eu estava excluído por causa de apostasia. Aquilo me deixou muito triste, porque lembrei de quando eu era pastor ordenado da IASD e agora eu estava ali como um apóstata. Naquele momento me senti como um leproso condenado e distante de Jesus. Fiquei tão triste e magoado, que após pegar a declaração eu decidi que nunca mais iria pisar ali novamente e muito menos dentro de um templo da IASD, pois não me sentia digno. Até minha noiva percebeu tudo que havia ocorrido e chegou a me perguntar se estava tudo bem comigo.

Contudo, apesar de estar namorando com uma moça maravilhosa e mais tarde ter noivado e casado com ela, eu continuei me embriagando. Todas as vezes que a gente saia para se divertir, durante o namoro, o noivado e mesmo depois de casados, eu bebia muito. Ela não bebia junto comigo, e nas raras vezes que o fazia tomava apenas um "drink". Na verdade ela não gostava que eu tomasse bebidas alcoólicas. Por causa da minha dependência do álcool nosso namoro e noivado tiveram alguns problemas, mas principalmente nosso casamento foi afetado, tanto que apenas dois meses após nosso enlace matrimonial começamos a ter sérios problemas, sendo eu o principal causador dos mesmos. Não vou entrar em detalhes aqui, mas por trás do meu alcoolismo havia um problema espiritual muito grave, o qual eu não percebia na época.

Alguns fatos que ocorreram comigo durante o namoro me chamaram a atenção na época, mas hoje percebo que eram na verdade sinais de que algo espiritual estava ocorrendo comigo. Apesar de serem membros da ICAR, a família da minha namorada tinha o costume de visitar o Centro Espírita de Araquari, SC. eles me convidaram algumas vezes, mas sempre recusei, pois de acordo com meu conhecimento teológico e bíblico eu sabia do que se tratava. Mesmo estando apostatado eu sempre indiquei a Bíblia para eles como única regra de fé e prática, e sempre mencionei a verdade bíblica de que os mortos não podem se comunicar conosco, pois estão em um estado de inconsciência aguardando a ressurreição por ocasião da segunda vinda de Jesus em poder, majestade e glória. Mas um dia minha namorada me convidou para ir com ela. Novamente, por amor, violei minha consciência e fui. Na verdade fiquei curioso, pois nunca tinha visitado um centro espírita antes. Ao chegar no Centro Espírita em Araquari, SC, participei de toda reunião como expectador curioso. Após a palestra, deixaram o ambiente em meia luz e iniciaram os passes com as mãos. Não senti nada na hora, mas quando cheguei em meu apartamento onde morava sozinho, comecei a sentir a presença do mal ao meu redor. Meu corpo começou a ficar todo arrepiado, e eu sabia que algo tinha me acompanhado até no meu apartamento. O que fiz então? Não fiquei com medo, mas orei a Deus, recitei o Salmo 91 e disse em voz alta: "saia daqui em nome de Jesus"! Logo senti a paz da presença de Cristo e dormi tranquilo a noite toda.

Outros dois fatos idênticos que ocorreram durante meu namoro foram bem curiosos. Lembro que a primeira vez que ocorreu eu tinha ido visitar minha namorada. Eu morava em Joinville, SC, e ela morava com seus pais em Araquari, SC. Desse modo eu tinha que pegar a BR 101 e viajar mais ou menos 15 km sempre que ia visitá-la. Ela havia me dado um controle remoto do portão da casa onde moravam, e quando cheguei lá naquele dia, o controle remoto estava todo desmontado peça por peça e colocado no mesmo lugar de maneira organizada dentro do carro. eu não havia mexido nele e mais ninguém tinha mexido, e eu tive que montá-lo novamente para ele funcionar. Noutra ocasião ocorreu a mesma coisa, mas dessa vez minha namorada estava comigo e também viu. A gente tinha ido jantar no Madrileño Cocina Internacional em Joinville, SC. Nesse lugar sempre tinha música ao vivo e era um dos locais onde eu costumava tomar bebidas alcoólicas. Naquela noite, como eu havia bebido, minha namorada é que foi dirigindo até a casa dela. Quando chegamos lá, o controle remoto do portão estava novamente todo desmontado peça por peça e organizado no mesmo lugar dentro do carro. Ela ficou intrigada com aquilo e não acreditava como aquilo pudesse ter ocorrido, sendo que somente nós dois entramos no carro e o controle estava inteiro quando a gente foi jantar. Havia uma mulher benzedeira que era vizinha da família da minha namorada e muito conhecida por todos na região. No outro dia minha namorada perguntou para ela o que significava aquilo que havia ocorrido com o controle remoto. A benzedeira disse que um "espírito" havia acompanhado a gente desde o Madrileño naquela noite e queria apenas brincar com a gente, pois tinha nos achado "gente boa". Eu logicamente sabia o que tudo aquilo significava e apenas fiz uma oração. 

Outro fato que ocorreu foi na casa dos meus sogros. Eles tinham recebido a visita de um pastor pentecostal, e após a oração feita por aquele pastor, ele olhou assustado para mim e disse: "Você, você foi escolhido por Deus para realizar uma grande obra. Deus ainda vai te usar muito". Eu não havia dito nada para ele sobre o fato de ser um ex-pastor e apenas respondi amém. Mesmo naquela situação de apostasia eu sentia o chamado de Deus. Mas continuei sendo teimoso como o profeta Jonas.

Após o nosso casamento, com direito a festa e tudo mais, os anos de 2013, 2014 e 2015 se passaram na seguinte situação: mesmo depois de casado eu saia com minha esposa para dançar e se divertir em casas de música sertaneja e rock, e eu sempre bebia muito. Frequentávamos lugares considerados caros para a maioria das pessoas e eu tinha orgulho de sair com minha mulher. Porém, algumas vezes, em casa, a noite acabava em discussão e agressões verbais. Eu lembro que duas ou três vezes eu quebrei coisas dentro de casa durante nossas discussões.  Graças a Deus nunca houve agressão física. Hoje escrevo isso com vergonha e constrangimento. Todavia, apesar disso tudo, a gente vivia bem a maioria do tempo e dos dias. Diante dos problemas em meu casamento e do uso que eu fazia de bebidas alcoólicas com frequência, já no ano de 2013, por sugestão da minha esposa, busquei ajuda com um médico psiquiatra, o qual me diagnosticou com quadro depressivo, me encaminhou para sessões de psicoterapia e me receitou Sertralina. Passei a tomar esse medicamento e a fazer psicoterapia. Confesso que eu não acreditava muito na psicologia, apesar de ter uma esposa quase formada em psicologia, entretanto como percebi que as sessões com o psicólogo estavam me fazendo bem, continuei indo duas vezes ao mês, e isso durou por três anos seguidos.

No ano de 2014 minha esposa decidiu que iria abrir uma cafeteria no centro da cidade de Joinville, SC. Eu apoiei sua iniciativa e fizemos todo projeto juntos. Visitamos várias cafetarias por onde viajávamos a passeio, foi uma fase muito boa em nosso casamento. Finalmente, após meses de planejamento e procura, encontramos o local ideal no centro da cidade de Joinville, SC. Arrumamos a sala, mobiliamos com tudo que era necessário e decoramos, e foi assim que nasceu a Doce Café. Minha esposa tem o perfil empreendedor, pois vem de uma família de empreendedores. Como eu fiz vários cursos no SEBRAE e tinha dado aulas de Empreendedorismo na FGG/ACE por vários anos, não foi difícil para nós abrir um pequeno negócio. Parecia que tudo ia muito bem com a minha vida, mas em 2014 eu ainda estava afastado sem remuneração do meu emprego na Rede Municipal de Educação de Joinville como professor  de Ensino Religioso no período da manhã.

No decorrer do ano de 2015, algo começou acontecer comigo em relação ao uso de bebidas alcoólicas. Estranhamente eu não sentia mais prazer em beber e minha vontade foi diminuindo cada vez mais, a ponto de eu falar para minha esposa que eu estava até sentindo nojo de bebidas alcoólicas. Ainda nesse ano eu decidi com minha esposa que não abriríamos nossa cafeteria aos sábados e na sexta-feira à tarde fecharíamos um pouco mais cedo. Também passei a convidar minha esposa para irmos juntos na IASD do Guanabara em Joinville, SC, participar dos cultos de adoração, ao que ela prontamente aceitou. Além das minhas atividades profissionais em dois vínculos no serviço público, eu também estava envolvido no projeto Escola de Caráter, um programa de capacitação para profissionais da educação aos finais de semana. Tudo parecia correr bem no ano de 2015, várias coisas positivas estavam ocorrendo e minha vida, dentre elas o fato de eu estar bem profissionalmente, ter voltado a frequentar esporadicamente a IASD aos sábados pela manhã com minha esposa, ter decidido não abrir nosso negócio aos sábados e principalmente estar bebendo bebidas alcoólicas cada vez menos. Eu sentia que o Espírito Santo de Deus estava atuando em minha vida.

Tudo parecia que estava indo bem, porém, em Agosto de 2015 eu fui demitido sem justa causa da FGG/ACE onde atuava como professor de Ensino Superior para o curso de Pedagogia por mais de dez anos. Essa demissão me fez muito mal e me deixou ainda mais deprimido, mas eu continuava indo ao médico psiquiatra, tomando remédio e fazendo psicoterapia. Como eu estava trabalhando apenas em um emprego, na CRE, decidi que era hora de voltar a lecionar como professor de Ensino Religioso, e foi o que fiz, retornei para a sala de aula no período da manhã no segundo semestre de 2015. Dessa maneira eu trabalhava de segunda a sexta das 7:30 às 19:00 horas em dois empregos como funcionário público concursado. Apesar de eu estar tomando remédio, indo no médico psiquiatra a cada dois ou três meses e fazendo psicoterapia, eu não parava de tomar bebidas alcoólicas quando saia com minha esposa aos finais de semana, porém, já havia diminuído bastante o consumo, porque durante os dias da semana eu não bebia mais, e como já disse, passei a sentir até nojo das bebidas alcoólicas. Outro fato que começou a ocorrer comigo foi o desejo de orar junto com minha esposa na hora de dormir, o que passei a fazer todas as noites.

No mês de Setembro de 2015, quando eu decidi que não colocaria mais nenhuma gota de bebida alcoólica em minha boca, e depois de contar a minha decisão para minha esposa, ela me confessou que as suas orações ao Divino Pai Eterno em meu favor haviam sido atendidas. Como uma mulher Católica Apostólica Romana ela me disse que havia participado de várias correntes de oração pela televisão por meio do programa do Divino Pai Eterno, e que havia consagrado vários copos com água durante as orações e pedido pela minha libertação do álcool. Sem eu saber ela havia colocado aquela água abençoada numa garrafa dentro na nossa geladeira a qual eu sempre tomava. Minha esposa me disse certa vez que sempre que orava por mim, algumas vezes em lágrimas, ela perguntava para Deus: "como podia que seu marido, um pastor que havia sido consagrado a Deus fosse uma ovelha perdida? Certamente o Senhor ouviu suas orações e a sua fé foi recompensada, pois de fato Jesus me libertou das bebidas alcoólicas por meio da atuação do Seu Espírito em mim.

Apesar de eu ocasionalmente estar novamente frequentando a Igreja Adventista do Sétimo Dia junto com minha esposa, não havia um interesse da minha parte de participar de nenhuma das atividades e muito menos de voltar a ser um membro efetivo da IASD. Eu estava numa situação muito cômoda, como um legítimo Laodiceano ou pior ainda. Porém, tudo estava prestes a mudar drasticamente, pois logo ocorreria um fato que me deixaria em completo desespero e aflição por eu estar afastado espiritualmente de Jesus e sua graça. 

Esse fato ocorreu no mês de Setembro de 2015 na cidade de Rio Negrinho, SC. Eu e minha esposa Elisandra havíamos viajado para Mafra a trabalho, a ser realizado juntamente com o Dr Guilherme Guimbala Júnior, para executar mais uma capacitação para educadores por meio do projeto Escola de Caráter. Como sempre gostei de visitar museus, após as palestras do final de semana, eu e minha esposa resolvemos visitar o principal museu da cidade de Rio Negrinho, SC, pois essa cidade faz divisa com a cidade de Mafra por meio de um rio que cruza as duas cidades. Como eu havia feito palestras durante todo o dia de sábado, ao final da tarde daquele sábado atravessamos a ponte e chegamos ao Museu Municipal Carlos Lampe. A partir daquela visita que fizemos a esse museu no final da tarde daquele sábado, a minha vida passou a ter outro rumo, e minha esposa também foi afetada. A partir daquele dia, uma tarde no museu, foi como se eu tivesse entrado num filme de terror. Mas antes de eu falar o que ocorreu, veja abaixo algumas fotos desse museu.











Fonte das Fotos: Internet

Sempre gostei de casarões antigos e o Museu Municipal Carlos Lampe já me chamou a atenção pela sua aparência externa. Quando eu e minha esposa entramos no museu naquele final de tarde ensolarado de sábado, nós não imaginávamos que a nossa vida nunca mais seria a mesma depois de sair daquele lugar. 

Eu sempre gostei de fotografar minhas visitas a museus. E nesse não foi diferente. Já na chegada fui tirando fotos da parte externa daquele museu, pois tinha uma arquitetura única. Lembro que quando estávamos lá dentro eu e minha esposa olhamos algumas coisas juntos mas depois nos separamos por algum tempo. Ela foi ver algumas coisas no andar de cima enquanto eu permaneci vendo o mobiliário antigo no andar de baixo. Tirei fotos com meu celular de vários móveis e utensílios, meu telefone naquela ocasião não era dos melhores, mas tirava boas fotos. 

Tudo aconteceu quando eu estava observando um rádio grande e antigo que ficava no chão em um dos corredores daquele casarão, e fiquei admirado com o tamanho do mesmo, era um rádio bem grande, nunca tinha visto um daqueles antes. Fiquei curioso, pois parecia uma vitrola de tão grande que era. Peguei meu celular e apontei para aquele rádio a fim de tirar uma foto. O flash do meu aparelho estava desligado, bem como sua lanterna, mas na hora que tirei a foto eu vi um clarão na tela do meu aparelho. Na hora não dei atenção para aquilo e continuei tirando mais fotos do lugar. Lembro que visitei uma sala ainda no andar de baixo que me pareceu uma sala de música, pois havia um piano antigo. Mas suma coisa que me chamou atenção nessa sala foi um painel muito grande com a imagem de Jesus ao centro rodeado de diferentes pessoas. Como não havia nenhum objeto sagrado no museu que lembrasse o Catolicismo Romano, concluí que os antigos moradores daquele casarão eram Protestantes, provavelmente Luteranos. 

Após visitar todos os ambientes na parte de baixo, decidi subir as escadas barulhentas de madeira daquela casa transformada em museu. Cada passo que eu dava a madeira desgastada dos degraus estalava. Quando cheguei lá em cima encontrei a zeladora do museu, uma mulher baixinha e gordinha de origem alemã que estava limpando o chão. Após cumprimentá-la, lhe perguntei em tom de brincadeira se ela já tinha visto ou ouvido algo ali naquele lugar. Prontamente ela sorriu e me disse que nunca tinha visto ou ouvido nada de sobrenatural, se era o que eu queria saber. Disse ainda que o local era bem tranquilo e que era visitado com frequência por alunos de diferentes escolas da cidade e região. Eu lhe perguntei aquilo porque senti que aquele lugar era bem sinistro.

No andar de cima ficavam alguns artefatos como armas antigas, achados arqueológicos da região incluindo artefatos indígenas e até mesmo um esqueleto de um índio morto pelos caçadores de índios em décadas passadas quando a cidade estava se formando. Haviam também muitas fotografias de pioneiros fundadores da cidade. Todos esses itens e muitos outros estavam repartidos e expostos em diferentes salas no andar de cima do casarão. Lembro que havia também um quarto com roupas antigas de pessoas que tinham vivido ali. Ou seja, tudo que um museu pode ter para contar um pouco ou muito da história da cidade e da região.

Lá no andar de cima reencontrei minha esposa, a qual estava bem nervosa e aflita, e me pediu insistentemente para sairmos daquele lugar. A princípio eu não sabia o porquê, pois ela não me disse nada lá dentro. Saímos rapidamente do museu e fomos para uma pracinha que havia na frente do mesmo. Minha esposa estava tremendo e bem nervosa. Fomos sentar em um dos bancos daquela praça, a qual tinha como decoração pública uma avião antigo todo pintado. A seguir algumas fotos da praça.


Fonte das Fotos: Internet

Quando estávamos sentados lado a lado no banco daquela praça, minha esposa me contou o que havia ocorrido com ela lá dentro do museu. Ela me disse que estava no andar de cima olhando algumas roupas antigas expostas em manequins feitos com armação de ferro, quando decidiu tocar em um dos vestidos que estava exposto. Na mesma hora ela disse que começou a passar mal. Não soube me explicar ao certo o que sentiu, mas que ainda estava se sentindo mal e tendo arrepios pelo corpo enquanto a gente conversava no banco daquela praça. Como eu sempre fui meio sensitivo em relação as forças malignas, na mesma hora que ela me relatou o que estava ocorrendo eu também comecei a sentir arrepios pelo corpo. Tentei acalmar minha esposa dizendo para ela não temer nada, que nenhum mal iria nos acontecer porque Jesus estava conosco. Eu sabia que minha situação espiritual era de alguém que estava muito distante de Jesus. Embora estivesse tentando fortalecer a fé da minha esposa, eu mesmo me sentia fraco espiritualmente, distante dos caminhos de Deus e indigno de qualquer favor divino. Não consigo me lembrar se fiz uma oração com minha esposa naquele momento, simplesmente não lembro. Mas eu lembro que fiquei bem preocupado com o que tinha ocorrido, pois como já relatei em capítulos anteriores, minha vida espiritual sempre teve confrontos terríveis com as forças do mal. Desde o momento em que minha esposa relatou o que tinha ocorrido, de certa forma eu já sabia do que se tratava tudo aquilo, e senti medo de que os sofrimentos que eu tinha tido no passado de alguma forma retornassem em minha vida. E de fato, eu não fazia ideia de como tudo aquilo que estava acontecendo se tornaria tão grave na minha vida e na vida da minha esposa a partir do dia seguinte, mais precisamente no domingo a noite.

Após deixarmos a cidade de Rio Negrinho, SC, no sábado à noite, viajamos de volta para Joinville, SC, onde moramos. No dia seguinte como de costume, fomos almoçar com a família da  minha esposa em Barra Velha, SC, mais ou menos uns 50 quilómetros de Joinville. O almoço em família foi bem agradável, pois também haviam outros parentes da minha esposa que tinham ido visitar meus sogros. Dentre os assuntos à mesa na hora do almoço estava minha capacitação em Mafra, SC, e logicamente nossa visita ao museu em Rio Negrinho, SC. Após o almoço peguei meu celular para olhar as fotos que eu tinha tirado no museu, eu pretendia mostrar as fotos a todos. Antes porém fui conferir como elas tinham ficado. Ao ir passando foto por foto, de repente me assustei com o que vi numa delas. A princípio pensei que pudesse ser alguma distorção de imagem ou coisa parecida. Na verdade eu não queria acreditar no que estava vendo, bem diante de mim, em uma das fotografias que eu tinha tirado dentro daquele museu. Como eu relatei anteriormente, quando eu tirei uma foto daquele rádio grande que ficava no chão de um dos corredores daquele casarão, meu celular registrou um clarão na tela. Não era o flash do aparelho e muito menos a lanterna, mas agora vendo a foto diante dos meus olhos eu havia descoberto o que era, e eu fiquei atônito e assustado. Pensei a princípio que eu estava vendo coisas, e para ter certeza de que não era uma ilusão de ótica ou algo parecido que eu estava vendo naquela foto, eu decidi mostrar a imagem daquela foto que aparecia na tela do meu celular a todas as pessoas que estavam participando do almoço naquele domingo. Ao todo foram sete pessoas que viram, contando comigo. E todas ficaram apavoradas com o que viram, a ponto de pedirem para eu deletar aquela foto. Eu fiquei tão intrigado e ao mesmo tempo incomodado, que resolvi delatar não apenas aquela foto tenebrosa, mas todas as fotos que eu tinha tirado daquele museu. Naquele momento eu queria esquecer que um dia eu estivesse lá com minha esposa, mas a imagem gravada na foto em meu celular era real. Observações: 1. Meu celular em 2015 era um modelo antigo da Nokia, e naquela época ainda não tinha tantos recursos de mídia digital como hoje. 2. As fotos do Museu publicadas aqui foram tiradas da Internet. 

OBS: Deletei todas as fotos tiradas naquele dia no museu Carlos Lampe do meu celular antigo, todavia, as fotos que minha esposa tirou em seu celular não foram deletadas. Se desejar poderá visualizar as fotos AQUI.

Mas o que apareceu naquela foto? Vou tentar descrever nos mínimos detalhes, pois não tenho mais a foto para provar, mas a imagem daquela fotografia tirada com meu celular ainda permanece nítida em  minha mente até hoje. Naquela foto apareceu uma mão virada com a palma para cima e com os dedos meio curvados em forma de garras, aliás, os dedos eram garras. Mas essa mão que apareceu não foi em forma física, mas como se fosse uma radiografia sobreposta ao móvel que eu estava fotografando. Tentei pesquisar na Internet algo semelhante, e o que consegui mais próximo ao que vi naquela foto foi a gravura abaixo, mas mesmo assim, o que vi em meu celular era algo bem mais aterrador: 

Fonte: Internet

Apesar dessa imagem ilustrar parcialmente o que apareceu na foto que tirei naquele dia no Museu, ela ainda não representa bem o que de fato se manifestou quando usei meu celular para fotografar aquele rádio de chão antigo. Na imagem que apareceu naquela foto os dedos da mão pareciam garras, pois estavam voltados para cima com a palma da mão em forma de concha, e não para baixo como nessa ilustração. A partir dessa experiência sobrenatural, tudo em minha vida sofreria uma profunda transformação, principalmente em meu entendimento do mundo espiritual e do meu relacionamento com Jesus por meio da fé.

Voltamos para Joinville naquele domingo à noite e ao chegarmos em nosso apartamento tudo parecia normal como sempre. Ao irmos para o nosso quarto dormir, assim que deitamos na nossa cama, fiz uma oração em voz alta junto com minha esposa. Já fazia algum tempo que eu havia retomado a prática da oração antes de pegarmos no sono. Assim que acabei de orar minha esposa me disse que seu corpo estava todo arrepiado e que ela não estava se sentindo bem. Decidi recitar o Salmo 91 e no mesmo momento que comecei a orar meu corpo também ficou todo arrepiado a ponto de meu pelos parecerem um arame farpado. E além disso eu comecei a sentir a presença de uma força maligna muito forte e negativa. Nunca tinha sentido tão forte assim. Não demorou muito para minha esposa adormecer, contudo eu não conseguia dormir, porque aquela energia ruim vinha sobre mim arrepiando meus pelos a ponto de ficarem eriçados como se fossem arame farpado, mas se afastava quando eu invocava o nome de Jesus. Não consegui dormir naquela noite e nem nas próximas seis noites seguintes, ou seja, fiquei acordado sete dias e sete noites sentindo aquelas sensações ruins e vinte e quatro horas em oração, fosse em voz alta ou em pensamento.

Apesar do meu tormento ser 24 horas por dia, não contei nada para ninguém, nem mesmo para minha esposa, pelo menos nos sete primeiros dias. Eu estava numa grande luta espiritual contra as forças do mal, era como se tudo ao meu redor fosse um enorme furação de forças malignas tentando me dominar. Naquela primeira semana quando comecei a sentir tudo isso, eu sofri calado, e permanecia em constante oração, eu disse, constante, ou seja, como minha mente não conseguia descansar e eu não conseguia dormir, então ficava orando em pensamento ou em voz baixa. Minha rotina mudou drasticamente. Não lembro de ter me alimentado adequadamente. Minha única preocupação e foco era vencer o mal que se aproximava de mim de maneira tão intensa. 

Na sétima noite antes de dormir, eu estava sentido a presença do mal de tal forma que meu corpo estava todo arrepiado como se fosse arame farpado, ora arrepiava todo corpo, ora só as pernas. Era uma sensação terrível de opressão maligna, pois não eram só os arrepios, era a angústia e a opressão que eu sentia de forças diabólicas. Aquilo tudo fugia ao meu controle e minha única saída era clamar a D'US em nome de Jesus. Naquela noite minha esposa percebeu que eu não estava bem, pois eu não conseguia mais disfarçar, foi então que lhe falei do que estava acontecido desde a nossa visita ao museu. Lhe mostrei como eu estava todo arrepiado e ela ficou chocada. Então, com sua formação em psicologia, ela entendeu que eu estava passando por uma crise de ansiedade e me levou para o Pronto Atendimento (Posto de Saúde) do município de Barra Velha, SC, onde estávamos morando naquela ocasião. Ao chegar lá, consultei com o médico de plantão e lhe contei o que estava ocorrendo, e que eu não conseguia dormir já fazia sete noites e sete dias. E que além disso eu ficava todo arrepiado e me sentia mal e oprimido por forças malignas. O médico me deu apenas um comprimido de Diazepam para dormir àquela noite e um encaminhamento para um médico psiquiatra e para um psicólogo. Voltamos para casa e aquela sensação de opressão não me abandonava, eu não fazia ideia que tudo aquilo era apenas o começo de uma longa batalha espiritual. Ao deitar na cama, após tomar o medicamento indicado, eu literalmente apaguei. 


Continuará...


7º Capítulo: Ex Pastor da IASD Conta Tudo! Período: Vida Adulta - Dos 32 anos aos 43 anos de Vida - Experiência Fora do Pastorado e Fora da IASD

Após minha trágica saída do ministério pastoral da IASD eu passei por um período de muito sofrimento emocional. Os meses que se seguiram após a data de maio de 1998 foram meses de indescritível angústia e tristeza para mim, para minha esposa à época, e para os meus familiares, principalmente minha avó materna Osvaldina Emy da Silva Muniz, devido a sua idade e problemas de saúde renal, pois ela fazia hemodiálise e posteriormente recebeu um transplante de rim. Muitas vezes conversei com minha avó em lágrimas e desabafei minha decepção pelo ocorrido. Me doía o coração ao ver minha avó chorando comigo sem poder fazer nada. Acredito que ela sofreu mais do que eu, pois nós dois sabíamos tudo que tínhamos passado e investido para que meu sonho de ser um pastor da IASD pudesse ter se tornado realidade em 1989. Minha querida e saudosa avó, a dona Didi, como era carinhosamente conhecida e chamada, mesmo doente e sofrendo, tentou me consolar muitas vezes e escreveu a seguinte poesia para mim:

Não Te Importes

I
Não te importes com problemas que vêm sobre você,
Pois Jesus sempre está olhando por você...
Não te importes com aqueles que não te dão valor,
O que importa é que Jesus te olha como a pureza de uma linda flor.

II
Não te importes com aqueles que te maltratam,
Nem com aqueles que te olham sem amor...
Pensa sempre em Jesus,
Também maltrataram o Nosso Salvador.

III
Olha para Jesus e segura em Sua mão,
Tudo Ele fez para te ajudar...
Confia somente em Seu poder,
O mais...Tudo Ele proverá.

IV
Não sofras mais...não sofras mais...
A tua lágrima Jesus vai enxugar.
Não sofras mais...não sofras mais...
Tudo será paz.
Pois o poder de Deus sobre você sempre estará.


(Clique no nome dela para acessar mais poesias)

Mas a minha história de vida e meu sofrimento não interessavam para os detentores do poder denominacional da IASD. Tanto é que a atitude de todos eles foi de indiferença por minha situação, nem mesmo o Ministerial da Associação Catarinense veio me visitar ou orar comigo. Eu me senti extremamente só, além de sentir o desprezo e a discriminação por parte dos meus ex-colegas de ministério e dos membros da igreja. Porque na IASD é assim, sempre que um pastor é retirado a culpa é sempre dele, e os que ficam sabendo do ocorrido especulam todas as razões possíveis para a sua saída, desde roubo até adultério, incriminando de alguma maneira o pastor que sai da obra e destruindo a sua reputação. As pessoas costumam dizer: "mas ele saiu porque deve ter feito alguma coisa muito grave, a IASD não tira um pastor se não tiver cometido algum pecado". A ideia que predomina na cabeça das pessoas é de que o pastor foi tirado porque cometeu algum erro muito grave, como se os administradores da igreja nunca pudessem cometer injustiças.

Quando fui comunicado oficialmente que eu não seria mais pastor credenciado da IASD, os administradores da Associação Catarinense de Florianópolis, SC, enviaram um funcionário para que me acompanhasse até o Ministério do Trabalho para que eu recebesse o que me era devido, uma vez que como professor de Bíblia eu tinha Carteira de Trabalho Assinada pela União Sul Brasileira da IASD. Diante do funcionário público que nos atendeu, o mandante dos administradores exigiu que eu devolvesse imediatamente minha carteirinha do plano de saúde da UNIMED, o que fiz de imediato. Também solicitou que eu deixasse imediatamente o imóvel onde estava morando, uma vez que o mesmo era alugado e pago pela Associação Catarinense da IASD (AC). Como eu ainda não havia recebido a indenização trabalhista sem justa causa, disse para o mandante dos mandatários da AC que eu só sairia do apartamento depois de receber a indenização que me era lícita, pois com o valor da mesma eu pretendia comprar um imóvel, uma vez que eu não tinha onde morar e nem para onde ir. Após o mandante comunicar os administradores na AC em Florianópolis, eles concordaram em que eu ficasse por mais um mês no apartamento.  Era o mês de maio de 1998, e uns dois meses depois, quando recebi o valor da indenização trabalhista, eu comprei um apartamento para morar, e eu e minha esposa fizemos a mudança. Mas antes de nos mudarmos aconteceu algo estranho. Um dia pela manhã quando fui ao banheiro havia um morcego vivo dentro do vaso sanitário. Foi estranho porque meses mais tarde, quando já estávamos morando em nosso apartamento, uma certa noite eu estava assistindo televisão na sala com as luzes apagadas e vi um morcego voando pela sala e no corredor. Quando levantei para ver mais de perto, o morcego entrou voando no banheiro e sumiu. Não sei o que significava aquilo, mas o fato é que meu casamento começou a desmoronar depois disso.

No caso do processo trabalhista que ganhei na justiça, aconteceu que o valor da indenização que a IASD me pagou estava errado. Os administradores da AC da IASD não foram honestos comigo e ficaram me devendo cerca de 50% sobre os meus direitos trabalhistas já recebidos. O dinheiro era meu, eu havia trabalhado e feito o meu melhor, por essa razão procurei um advogado trabalhista e entrei com uma ação processual para poder receber o que faltava. O processo trabalhista demorou cerca de dois anos, e no final do ano de 2000 o juiz deu causa ganha para mim. Foi vergonhoso para a IASD comparecer diante do tribunal representada por dois advogados que negavam que a Organização me devia. Em um dado momento o juiz perguntou a eles: "então quer dizer que a Igreja Adventista do Sétimo Dia não deve nada para o Pastor Jorge Schemes?" Ao que eles responderam: "Não, não deve mais nada". Então o juiz deu a sentença: "A IASD deve sim, e é tanto, e vocês tem 24 horas para depositar o valor devido ao Pastor Jorge Schemes, sob pena de pagar multa diária por atraso". Olhei para aqueles advogados e eles estavam de cabeça baixa, envergonhados. A justiça foi feita, do ponto de vista trabalhista, e eu fiquei satisfeito, pois com o dinheiro pude comprar um carro para trabalhar. Nessa época, em 2000, eu já estava trabalhando na Rede Pública Municipal de Ensino como professor de Ensino Religioso no regime de ACT (Admitido em Caráter Temporário).

O ano de 1998 passou rápido, e naquele ano, apesar de tudo o que havia ocorrido, eu continuei estudando na faculdade de Pedagogia da ACE e frequentando a IASD, e quando recebia um convite para pregar nas igrejas de Joinville, SC, eu aceitava. Mas logo após minha demissão sem justa causa, ou seja, desde maio de 1998 até o início do ano 2000, fiquei desempregado e com dívidas acumuladas. Foram praticamente dois anos de muito sofrimento e angústia. Eu estava em depressão e não sabia. Meu casamento começou a entrar em crise. Minha mulher à época começou a jogar na minha cara que tudo o que havia ocorrido era culpa minha, que eu tinha sido orgulhoso. Mas apesar de tudo, ela continuou lecionando nas séries iniciais da Escola Adventista Dom Pedro II. Eu me sentia sozinho e triste, sem saber o que fazer profissionalmente, mas não parei de estudar, mesmo devendo as mensalidades na ACE/FGG onde fazia a faculdade de pedagogia. 

No ano seguinte, em janeiro de 1999, mesmo estando oficialmente com minha credencial pastoral cancelada pela IASD, eu retornei à UAP na Argentina para continuar o Mestrado em Teologia que eu havia iniciado nas férias de verão de 1997. Fiz apenas uma disciplina naquelas férias, e recordo que ao me verem por lá, meus colegas e professores ficaram muito admirados com minha atitude. Um dos meus professores, o Dr Alberto Ronald Timm veio conversar comigo e me disse que o que eu estava fazendo era muito louvável, pois geralmente os ex-pastores se revoltavam contra a administração da IASD. Minha intenção era realmente terminar aquele mestrado, pois nunca gostei de começar algo e não acabar. Porém, o que eu não esperava era que eu passaria por uma dificuldade financeira tão grande que nunca mais retornaria à UAP e muito menos concluiria aquele mestrado. Sendo assim, vários anos mais tarde, mais exatamente no ano de 2019, com a ajuda do Dr Timm e do Dr Adolfo Semo Suárez eu consegui um Certificado Parcial de Estudos das disciplinas e dos créditos que cursei no Mestrado em Teologia da UAP, como pode ser constatado a seguir:


Durante o ano de 1999 os problemas no meu casamento se agravaram. Haviam brigas e discussões pelo fato de eu ainda estar desempregado. Eu estava tentando me colocar no mercado de trabalho, mas com o diploma de Bacharel em Teologia ficava difícil, pois o mesmo não era reconhecido pelo MEC. Então me dediquei a escrever e organizei um material sobre tabagismo para realizar palestras sobre o tema. Alguns anos mais tarde enviei esse material para algumas editoras, inclusive para a Casa Publicadora Brasileira, a qual não demonstrou interesse no mesmo. Todavia, a editora DPL se interessou e publicou meu livro no ano de 2005, sem custos para mim, pois cedi meus direitos autorais para obras de assistência social da editora, que é uma editora espírita. Assim, o fruto literário do período que estive desempregado foi o livro: "O Que Você Precisa Saber e Fazer Para Deixar de Fumar", o qual está sendo vendido pela Internet. 


Também escrevei e organizei um material sobre a Influência da Mídia e por iniciativa própria dei algumas palestras sobre esses temas em Instituições Públicas e Privadas, participando inclusive de seminários. Por meio das palestras e por meio da venda de apostilas que escrevi sobre o assunto, eu conseguia ganhar algum recurso financeiro. Dentre as Instituições onde realizei palestras e seminários destaco as seguintes: (clicando nos nomes é possível acessar as devidas declarações dessas Entidades)


O resultado dessas palestras sobre a "Influência da Mídia" foram dois e-books que estão disponíveis na Internet gratuitamente (Confira nos links indicados abaixo). Ainda no ano de 1999 também tive um programa aos domingos à tarde na Rádio Floresta Negra AM de Joinville, SC, o qual durava uma hora e tinha alguns patrocinadores, era o programa "Vida Cristã", onde eu abordava temas relacionados com a educação de crianças e adolescentes e temas bíblicos. Eu gostava muito de fazer esse programa radiofônico, foi uma experiência marcante. Eu tinha até poucos anos atrás todos os programas gravados em fitas K7, porém, infelizmente acabei perdendo o acervo antes de poder digitalizar os áudios. Entretanto, em nenhum dos programas que apresentei na Rádio Floresta Negra AM eu falei mal da IASD, ou usei o microfone para falar da minha decepção por ter sido obrigado a sair do ministério pastoral da IASD. Pelo contrário, por meio do programa "Vida Cristã" eu divulguei a Educação Adventista, as doutrinas e as músicas da IASD. O programa tinha uma caixa postal na agencia dos correios, e mesmo sendo um programa semanal eu recebia cartas de ouvintes de várias partes do Brasil falando de como as mensagens tinham impactado a vida deles. Além do mais, por meio dos patrocinadores desse programa de rádio eu também ganhava algum dinheiro como fonte de renda. Eu estava desempregado, mas não sem trabalhar. 


Jorge N. N. Schemes

Criação, Apresentação e Locução do Programa Vida Cristã na Rádio Floresta Negra AM em Joinville, SC - 1999


Participação do Meu Irmão André Ângelo da Silva Neto Bigonis

Nesse período também me envolvi em projetos voluntários e fui o Coordenador Municipal do "Fórum Pelo Fim da Violência e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes" em Joinville, SC. Além disso comecei a escrever artigos para os jornais "Diário Catarinense" e "A Notícia", tudo isso sem deixar meus estudos na faculdade de Pedagogia da ACE/FGG. Esses e outros artigos que escrevi para jornais e revistas sobre educação podem ser conferidos no meu Currículo Lattes

Links Para os E-Books Sobre a "Influência da Mídia"



E-book em pdf - INTOXICAÇÃO DIGITAL - Uma Abordagem Tecnológica, Biopsicosocial, Educacional e Espiritual do Uso, Conteúdo e Influência da TV, Vídeos, Games e Internet, Dentro de Uma Ética e Cosmovisão Cristãs

Apesar de todo meu esforço para redirecionar minha vida fora do Ministério Pastoral da IASD, eu estava muito decepcionado com tudo que havia ocorrido, e principalmente com a maneira como tudo aconteceu. Minha decepção também era pelo fato de eu ainda sentir fortemente o chamado de Deus para ser um pastor e estar sendo impedido pelos administradores por questões tão mesquinhas e pessoais. Lembro que mesmo não sendo mais pastor remunerado e credenciado pela IASD eu ainda recebia alguns convites para pregar nas igrejas. E foi no final do ano de 1999 que decidi fazer meu último sermão na IASD do bairro Itinga em Joinville, SC. Quem nos deu uma carona e foi conosco na igreja foi meu tio avô David Nilson da Silva. Na semana seguinte a esse sermão escrevi uma carta para a Associação Catarinense da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Florianópolis, SC, solicitando o meu desligamento como membro regular da IASD. Na carta, lembro que me referi aos administradores que me prejudicaram como uma "máfia travestida de religiosidade", de tão revoltado que eu estava. Foi algo que fiz voluntariamente, e foi muito doloroso para mim. Sofri muito emocionalmente e espiritualmente. Fui colocado nos registros da IASD como ex-membro regular, sendo que o motivo registrado pela administração da AC da IASD ficou sendo "apostasia". Mas embora estivesse me afastando da IASD como Organização Religiosa eu não havia perdido minha fé em Jesus.

Além disso tudo, meu casamento não estava bem, e no ano seguinte, mais precisamente no início do ano 2000, eu sentia que o pior poderia acontecer e logo aconteceu. Minha separação foi da pior forma possível, além de ser litigiosa, teve também um mandado de separação de corpos solicitado pela minha companheira, houve muita agressão verbal, pois eu errei e acabei me envolvendo com outra pessoa e ela engravidou. Sem eu saber minha esposa havia entrado com processo judicial solicitando além do divórcio a separação de corpos. Ela tinha toda razão e todo direito, mas poderia pelo menos ter me avisado. Certo dia ao chegar em casa, havia um oficial de justiça me esperando dentro do meu apartamento juntamente com minha mulher, assim que entrei ele me ordenou que eu deixasse minha casa somente com pertences pessoais. Fiquei revoltado e solicitei que o mesmo se retirasse de dentro do meu imóvel. Olhei para minha esposa surpreso, ela desviou os olhos de mim, abaixou a cabeça, e logo saiu do apartamento. O oficial insistiu para eu não desobedecer sua ordem, e quando lhe disse novamente para sair do meu apartamento ele saiu, mas chamou a polícia. Quando a viatura chegou no condomínio, eu me escondi atrás de uma parede falsa em um andar acima do meu. O policiais vistoriaram todos os lugares, e quando passaram por mim, não olharam o local onde eu estava. Como eu não queria passar pela humilhação de sair preso dali, orei a Deus pedindo a sua misericórdia para que eu não passasse por aquela humilhação. E o Senhor foi extremamente misericordioso comigo fazendo com que aqueles policiais passassem do meu lado e não olhassem no lugar onde eu estava. Após esse incidente, sai de dentro da minha casa sem saber para onde ir, desempregado, sem muito dinheiro, apenas com pertences pessoais, triste, desanimado, frustrado, sem amigos e agora separado. Fui me hospedar em um hotel barato no centro de Joinville, SC. Me isolei ainda mais, pois sentia vergonha e não queria ver ninguém. Eu não tinha mais nada do pouco que eu tinha conquistado. Eu pensava: "agora estou do jeito que os administradores da igreja que me prejudicaram gostariam que eu estivesse", para eles era um prato cheio para justificar o que me fizeram. Apesar de tudo, mantive a minha fé em Jesus. Mas esse ainda não era o meu fundo do poço.

Quando eu estava naquele hotel barato no centro da cidade de Joinville, SC, liguei para meu tio avô David Nilson da Silva, irmão da minha avó materna, minha segunda mãe Osvaldina Emy da Silva Muniz. Meu tio era membro da IASD do Bom Retiro em Joinville, SC, tinha ficado viúvo a pouco tempo. Ele me conhecia e eu sabia que de alguma maneira ele poderia me ajudar. Imediatamente ao saber das minhas condições, meu tio se prontificou a me ajudar. Veio até aquele hotelzinho e me levou para sua casa em seu carro. Além disso, me ofereceu um quarto e disse que eu podia ficar morando com ele até minha situação melhorar. Eu aceitei e até hoje sou agradecido ao tio David pela ajuda e apoio que me deu. Morei com ele por dois anos, nunca me cobrou aluguel, mas eu ajudava pagando as contas de luz e água. Morei na casa do tio David até ele se mudar para o Rio Grande do Sul. Depois fui morar num quarto de pensão, sem banheiro individual, numa casa antiga no bairro Guanabara em Joinville, SC. Muitas vezes ao ir dormir naquele quartinho eu chorava sozinho, mas nunca pensei que minha história de vida iria acabar ali, pois continuava mantendo minha fé em Jesus.

Mas além disso tudo, no ano de 2000 começaram acontecer algumas coisas boas também. Eu consegui um emprego como professor de Ensino Religioso na Rede Municipal de Ensino de Joinville por meio de um concurso público que fiz. Com esse emprego pude quitar minha dívida com a ACE/FGG e entrar na formatura de Pedagogia com outra turma no mês de julho de 2000. Lembro que nessa formatura não havia ninguém da minha família e eu comemorei sozinho mais uma conquista acadêmica dando graças a Deus. 

No final daquele ano, no dia 08 de agosto de 2000, nasceu minha primeira filha, Miriam Maria Vensso Schemes, o que me trouxe enorme alegria e satisfação. Eu não poderia perder a oportunidade única de ver o nascimento dela, e pude presenciar como foi seu parto e seus primeiros minutos de vida neste mundo. Ouvir seu primeiro chorinho foi como ouvir a melodia mais linda do Universo. O parto da Miriam não foi fácil, sua mãe Rozeli Vensso dos Santos sofreu muito, porque a princípio a equipe médica queria forçar um parto normal, mas sem a dilatação necessária foi preciso recorrer de última hora e com urgência a uma Cesariana. Embora minha filha tenha feito Mecônio ainda dentro do útero, D'US não permitiu que ela o ingerisse ou aspirasse, o que poderia ter causado a Síndrome de Aspiração de Mecônio. Minha filha nasceu forte e saudável, e tirou nota Nove na Escala de APGAR. Embora eu fosse um pai solteiro, reconheci minha filha e regularizei a pensão de alimentos. Mesmo que eu tenha tido dificuldades para ver minha filha com frequência quando era bebezinha, fiz o meu melhor por ela e ainda faço até hoje.


Momento do Nascimento da Minha Filha, Miriam Maria Vensso Schemes, no dia 08 de Agosto de 2000 em Joinville, SC, no Hospital e Maternidade Dona Helena

Em 2000 também fiz um concurso público para agente da Polícia Federal em Florianópolis, SC, e apesar de ter estudado muito as três apostilas que comprei de direito civil, direito penal e direito constitucional, eu não consegui passar naquele concurso. Um fato curioso sobre os concursos públicos que eu já fiz, é que esse foi o único concurso que não orei antes de fazer a prova, os outros oito concursos públicos que fiz eu orei antes da prova, e em todos eles eu fui aprovado, menos nesse que não orei. Ainda no início do ano 2000 participei de um processo seletivo para atuar como Conselheiro Tutelar em Joinville, SC. Apesar de, a princípio não aceitarem meu diploma de Bacharel em Teologia para inscrição, posteriormente consegui provar que se tratava de um curso de Ensino Superior presencial de quatro anos e pude participar. Fui aprovado em todas as etapas, mas na última que era a votação das Instituições cadastradas eu não obtive o número de votos necessários e fiquei como suplente. Nunca fui chamado para atuar como Conselheiro Tutelar. Eu ainda continuava fora da IASD, mas minha vida espiritual se mantinha pela fé em união com Jesus.

Ainda no ano 2000 aconteceu um fato bem desagradável. Um dia, andando pelo centro da cidade de Joinville, SC, encontrei o Pastor Elbio Menezes, presidente da AC da IASD. Isso ocorreu quando eu ainda estava desempregado e me sentindo muito revoltado com tudo que tinha acontecido comigo. Ao vê-lo fui conversar com ele e lhe perguntei o porquê tinha feito tudo aquilo comigo. Como ele não me respondia, fiquei exaltado e acabei apontando o dedo em riste no seu rosto. Ele não sabia onde ir, tentou sair da minha frente, correu para dentro de uma lanchonete e ligou para alguém, acho que foi para polícia ou para o seu advogado. Após o incidente, ele foi até a delegacia e abriu uma queixa crime contra mim, o que resultou em um processo criminal no qual ele me acusou de injúria e ameaça. Confesso que eu estava nervoso e descarreguei nele toda minha frustração, mas não foi minha intenção agredi-lo, porém, o que foi feito, foi feito. 

Esse processo criminal aberto pelo então presidente da Associação Catarinense da IASD contra mim, um ex-pastor ordenado da IASD, correu na comarca de Joinville, SC, por cerca de quatro anos. Na época escrevi uma carta relatando o fato para o site www.adventistas.com, a qual foi publicada e pode ser lida AQUI. No decorrer desse processo, tiveram duas audiências. Na primeira, pude dizer para o Pr Elbio Menezes tudo que eu pensava sobre a maneira como eles haviam me tratado e tirado da obra. Lembro de uma frase que eu disse para ele na frente do juiz: "Quando Jesus voltar você vai ter que prestar contas de todo o mal que me fez!" Ao que ele respondeu: "Eu sei disso"! Após essa audiência o juiz declinou do caso passando o mesmo para outro juiz. Finalmente, depois de alguns anos, em 2004 ou 2005, não me recordo bem, o processo teve um final feliz para ambas as partes. Em nova audiência no Fórum da Comarca de Joinville, SC, na qual o Pr Elbio Menezes não estava presente, foi solicitado ao juiz a proposta do perdão mútuo e a extinção do processo sem prejuízo para ambas as partes pelo advogado do Pr Elbio, o Dr Marcon. Concordei na mesma hora, porque já não aguentava mais aquela situação. Apesar do meu advogado do escritório do Dr Aldano José Vieira Neto me garantir que eu poderia processá-lo não havendo provas, e não havia, porque era a palavra dele contra a minha, eu decidi colocar um fim naquele processo. Após assinarmos os termos de perdão mútuo, o Dr Marcon ligou para o Pr Élbio e me disse que ele estava muito satisfeito com minha decisão. Todavia, eu tive que gastar com advogado de defesa e não foi pouco, e apesar de ter assinado um termo de perdão, eu não conseguia ainda perdoar o que haviam me feito. Embora não houvesse mais raiva e mágoas em meu coração, e eu estivesse tocando a minha vida novamente, faltava eu declarar pessoalmente o meu perdão ao Pr Élbio Menezes e a todos os que haviam me prejudicado no Ministério Pastoral da IASD, coisa que consegui fazer apenas no ano de 2016, pela graça de Deus. Mas esse é outro capítulo da minha história.

As coisas estavam começando a melhorar profissionalmente para mim. Eu havia conseguido me formar em Licenciatura Plena em Pedagogia com Habilitação em Séries Iniciais e Administração Escolar pela ACE/FGG em Joinville, SC. Além disso, em 2001 eu havia iniciado minha primeira pós graduação em Interdisciplinaridade na Educação e Docência do Ensino Superior pela UNIVILLE. Eu também estava lecionando a disciplina de Ensino Religioso (ER) na Rede Municipal de Educação de Joinville, SC, com uma carga de 40 horas/aula. Como a disciplina de ER é de apenas uma aula por semana por turma, eu tinha mais de 35 turmas da quinta série à oitava série na época, hoje seria do sexto ano ao nono ano do Ensino Fundamental. O que significava lecionar para mais de mil e trezentos alunos. Deus havia me dirigido para o mesmo trabalho que eu fizera nas escolas adventistas. Eu tinha relativa liberdade para elaborar os conteúdos das minhas aulas de ER, dessa maneira pude estudar a Bíblia com meus alunos, fazer cursos bíblicos, distribuir bíblias em parceria com os Gideões Internacionais e falar do Evangelho do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo todos os dias para crianças e adolescentes carentes e necessitados. Tive muitas experiências boas na minha prática docente como professor de ER em várias escolas públicas de Joinville, SC, tenho amigos que foram meus colegas de trabalho por onde passei, inclusive ex-alunos que mantiveram amizade comigo até hoje. Dentre as escolas que lecionei destaco em sequencia de trabalho as seguintes:


Apesar de ter sido aprovado em concurso público para lecionar nessas escolas, a Secretaria de Educação Municipal de Joinville, SC, não me efetivou no cargo porque no edital não estava claro a formação exigida. Ou seja, eles não especificaram que a formação era em Ciências da Religião, e minha formação era em Teologia e Pedagogia. Sendo assim, me deixaram trabalhar em regime de ACT (Admitido em Caráter Temporário) por dois anos. Nesse período, solicitaram que eu fizesse a faculdade de Ciências da Religião com Habilitação em Licenciatura Plena em Ensino Religioso para poder continuar lecionando. Eu não fazia ideia da existência desse curso e nem sabia por onde começar, mas coloquei nas mãos de Deus e pedi sua direção. 

Como haviam outros ex-pastores da Igreja Luterana lecionando ER, logo fiz amizade com eles. A frustração de ter deixado o ministério pastoral era a mesma, havia algo em comum entre nós apesar de sermos de igrejas diferentes. Um dia, no final de 2001, o ex pastor luterano Irving Ivo Hoppe veio conversar comigo e me disse que havia aberto inscrição de um processo seletivo para estudar Ciências da Religião na FURB em Blumenau, SC, por meio de um programa do Governo do Estado de Santa Catarina intitulado "Magister" com bolsa de 100% e ajuda de custo. Ele me disse ainda que as inscrições estariam abertas só até o dia seguinte e me perguntou se eu gostaria de ir com ele fazer a minha inscrição também. Eu aceitei na hora, e no dia seguinte fui de carona com Irving para fazer a inscrição para o processo seletivo na FURB. Depois Deus nos abençoou e fomos aprovados no processo seletivo e passamos a estudar Ciências da Religião a partir do início do ano de 2002. Foram quatro anos de muita dedicação e estudos, e no final de 2005 nos formamos na primeira turma de Ciências da Religião da história da FURB em Blumenau, SC. Deixo registrado aqui minha eterna gratidão ao amigo Irving Ivo Hoppe por sua cordialidade, generosidade e amizade ao me convidar para fazer a inscrição no processo seletivo a tempo, além de me dar carona no seu fusquinha por vários anos de Joinville até Blumenau para poder estudar. Muito obrigado meu amigo, que Deus te ilumine, minha eterna gratidão!

Continuei minha vida de estudos e trabalho. Fiz novo concurso público na Rede Municipal de Ensino de Joinville, SC, para atuar como pedagogo. Mais uma vez orei pedindo que Deus me abençoasse e O Senhor me concedeu a benção de ter sido aprovado em primeiro lugar, havia apenas uma vaga. O cargo era para trabalhar como pedagogo, e quando fui chamado foi em plenas férias de janeiro. Quando fui na prefeitura para assinar minha admissão soube que se tratava de um cargo para trabalhar juntamente com uma equipe multiprofissional no CIP (Centro de Internamento Provisório) na época, hoje CASEP (Centro de Atendimento Socioeducativo Provisório). Quando fiz o concurso eu havia pensado que era para trabalhar na Secretaria Municipal de Educação, mas na realidade era para atuar na Secretaria do Bem Estar Social na época, hoje Secretaria de Assistência Social de Joinville. Apesar do salário ser praticamente quase o dobro do que eu recebia na CRE (Coordenadoria Regional de Educação), optei por não assumir o cargo. Muitos disseram que eu estava louco em desperdiçar um emprego daqueles, mas minhas razões eram duas: Primeira, eu teria que sair do meu emprego na CRE, pois pela Constituição Federal não poderia ocupar dois cargos técnicos; Segunda, eu teria que parar minha faculdade de Ciências da Religião na FURB em Blumenau, SC, pois ao conversar com a secretária do Bem Estar Social ela me disse que eu não seria liberado na sexta-feira à tarde para ir estudar em Blumenau. Assim, eu teria que abrir mão de duas coisas que gostava de fazer, e para mim um salário melhor e imediato não compensaria, considerando que meu trabalho na CRE e meus estudos em Ciências da Religião eram investimentos a longo prazo. Sempre acreditei que a educação é um bem social que tem o poder de ser uma alavanca de crescimento pessoal e profissional, bem como de desenvolvimento social.

Após iniciar meus estudos em Ciências da Religião na FURB, meu contrato como ACT na Rede Municipal de Ensino de Joinville, SC, foi renovado por mais dois anos. Mas mesmo assim havia tentado um outro concurso público municipal para o cargo de Pedagogo no ano de 2002, no qual fui aprovado em primeiro lugar. Quando me chamaram no final do ano de 2003, acabei não assumindo esse cargo porque era para trabalhar como educador com menores infratores no que na época era chamado de CIP (Centro de Internamento Provisório) e hoje é CASEP (Centro de Atendimento Educativo Provisório), e não na Secretaria de Educação, além disso se assumisse teria que parar a faculdade de Ciências da Religião. Dessa maneira, no final do ano de 2001 fiz mais um concurso público para trabalhar na Secretaria de Estado da Educação da Rede Pública Estadual de Ensino como Técnico Pedagógico ou Consultor Educacional. Havia três vagas para cada cargo e era possível se inscrever para os dois cargos. Eu dava aulas de ER o dia todo na Rede Municipal de Ensino, manhã e tarde, e confesso que estava cansado. Queria muito continuar trabalhando com educação, mas em atividades que fossem mais internas na coordenação de projetos educacionais. Lembro que quando fui fazer esse concurso fiz uma oração antes de iniciar as provas e pedi a Deus que me desse uma das vagas. Eu havia acabado de terminar uma pós graduação em Interdisciplinaridade na Educação e o tema da redação foi justamente sobre isso. Fui aprovado nesse concurso em terceiro lugar, para os dois cargos, Técnico Pedagógico e  Consultor Educacional. Fui chamado primeiro para atuar como Técnico Pedagógico e anos depois como Consultor Educacional, como o salário era o mesmo e eu já tinha me efetivado como Técnico quando me chamaram como Consultor não assumi. Até hoje trabalho como Técnico Pedagógico na CRE de Joinville, SC e sempre dou graças a Deus por ter me abençoado naquele concurso.

Acontece que após ver o resultado da minha aprovação no concurso público para trabalhar na CRE eu pedi minha exoneração como professor de Ensino Religioso na Rede Pública Municipal de Ensino de Joinville, SC. Foi uma decisão precipitada, pois depois fiquei sabendo que a chamada para o concurso que fiz para a CRE no final de 2001 só ocorreria em fevereiro de 2002, e eu me vi desempregado novamente, pelo menos até ser chamado no concurso da CRE. Mas não fiquei desempregado por muito tempo, pois fui fazer mais um concurso público na Rede Municipal de Ensino de Jaraguá  do Sul, SC, para atuar como professor das Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Fui aprovado e me chamaram imediatamente para trabalhar. Lecionei em Jaraguá do Sul por três meses como professor alfabetizador para duas primeiras séries do Ensino Fundamental em duas escolas diferentes, matutino e vespertino. Mas eu tinha que me deslocar de carro de Joinville até Jaraguá do Sul para trabalhar, saindo pela manhã bem cedo e retornando ao final da tarde, o que era muito cansativo e dispendioso pois dava um total de mais de 90 Km por dia. Depois ficou mais cansativo ainda pois além disso eu comecei a lecionar à noite em Joinville, SC, pois após conversar com a professora Carmelina Barjonas que era a Gerente de Educação da CRE de Joinville, SC, consegui aulas no período noturno em alguma escola da Rede Pública Estadual até eu ser chamado para trabalhar na CRE. Carmelina me indicou para uma vaga como professor da disciplina de Noções de Relações Humanas e Ética (NRHE) na EEB Paulo Medeiros em Joinville, SC, escola na qual lecionei NRHE por mais de dois anos no período noturno para alunos do Ensino Médio. Dessa maneira, assim que me chamaram para assumir meu cargo na CRE como Técnico Pedagógico durante o dia, eu me exonerei como professor das séries iniciais em Jaraguá do Sul, e continuei lecionando NRHE à noite em Joinville, SC.

Deus estava me abençoando muito profissionalmente. Na verdade eu estava me refazendo profissionalmente para me colocar no mercado de trabalho. Após dois anos de trabalho na CRE fui indicado para o cargo de Diretor Adjunto na EEB Marli Maria de Souza, onde atuei juntamente com mais duas diretoras, pois aquela unidade escolar tinha três turnos, matutino, intermediário e vespertino e mais de dois mil alunos em seu primeiro ano de funcionamento. Foi uma experiência de aprendizados, mas como era um cargo de confiança e ligado a questões políticas partidárias, antes do final do primeiro ano de trabalho voltei para o meu cargo de Técnico Pedagógico na CRE, o que de fato preferi, pois não gostei de atuar na gestão de uma escola. Em anos posteriores fui convidado mais duas vezes para assumir o cargo de Gestor Escolar, mas declinei da oferta. 

Todavia, apesar de ter passado em um concurso público bem concorrido para trabalhar na Secretaria de Educação do Estado de SC, CRE de Joinville, SC, meus primeiros anos dentro da CRE não foram fáceis. Passei por situações bem constrangedoras e até por humilhações por parte de pessoas que não eram concursadas e efetivadas lá dentro mas ocupavam cargos de chefia por indicação política partidária. Como eu não tinha filiação partidária e nos meus três primeiros anos eu ainda estava em Estágio Probatório, algumas pessoas inescrupulosas fizeram de tudo para que eu desistisse, objetivando talvez minha vaga para indicar alguém do seu interesse. Meu período de três anos de Estágio Probatório foi um verdadeiro pesadelo para mim. E mesmo durante alguns anos após eu ter sido efetivado no serviço publico, sofri perseguição e Assédio Moral dentro da CRE. Essa situação toda acabou contribuindo para que eu ficasse doente mais tarde, com problemas de depressão. O Assédio Moral praticado por pessoas que ocuparam temporariamente cargos de chefia por indicação política partidária no setor que eu trabalhava só chegou ao fim após eu tomar a iniciativa de abrir Boletins de Ocorrência na delegacia (BO), por causa do abuso de poder e do constrangimento ilegal no ambiente de trabalho praticado por elas.

Meu sofrimento emocional e psicológico foi tão intenso que até hoje eu tenho dificuldades para falar no assunto. Nesse momento, enquanto escrevo essas linhas, sinto um frio na barriga quando lembro de algumas situações que passei em meus primeiros anos de trabalho na CRE. Foram situações vexatórias e constrangedoras, situações em que cheguei a pensar em desistir de trabalhar lá dentro. Tinha dias em que eu ia trabalhar sentindo meu coração palpitar à medida que eu me aproximava do meu local de trabalho. Eu sentia um frio na barriga, ficava ansioso e tinha vontade de chorar, pois eu sabia que meu dia lá dentro não ia ser fácil. Lembro que logo que comecei a trabalhar na CRE em 2002, as pessoas do Setor de Ensino me colocaram para fazer serviços de estagiário, ou seja, pediam para eu digitar ofícios para elas, ligar para todas as 66 escolas pertencentes a CRE para dar algum recado, ou simplesmente não me davam nada para fazer. Mas não demorou muito para que aquelas pessoas me colocassem dentro de uma sala de 5 metros quadrados, com dois estagiários e uma máquina de xerox, sem computador e sem nada para fazer por um período de um ano aproximadamente. Aquilo foi uma das piores experiências que passei dentro da CRE. Nesse período eu pensei em desistir, pois me sentia inútil e sem valor para eles. Mas fui resiliente e perseverante, e tirei proveito daquela situação, pois comecei a ler muito. 

Sinceramente eu suspiro para escrever tudo isso, pois de alguma maneira isso ainda me incomoda. Mas vou relatar mais algumas situações para mostrar que no serviço público, nem sempre podemos fazer o que sabemos ou nem sempre somos bem recebidos quando passamos em um concurso. Há muitos interesses politicos partidários, além de pessoas mesquinhas e ambiciosas que ocupam cargos de chefia, e se você não estiver com a "patotinha", eles te colocam na geladeira ignorando todas as qualificações técnicas que você possa ter. E foi isso o que aconteceu comigo na CRE de Joinville, SC, durante praticamente os meus primeiros 10 anos lá dentro, infelizmente. Outra situação ocorreu no Setor de Ensino ainda em meu estágio probatório. Uma colega que havia passado no concurso comigo se achou no direito de me denegrir na frente dos demais falando em alta voz que eu não fazia nada e que ela não sabia o porquê eu estava trabalhando ali. Minha reação foi ficar em silêncio pensando em como poderia me defender, e após ela terminar o seu discurso discriminatório, eu me levantei, pedi autorização à chefia do setor para me retirar da CRE por um período de tempo, e saindo dali fui direto na delegacia de polícia e registrei um BO contra a Marília Pizatto Bratti, por constrangimento ilegal, injúria, calúnia e difamação. Ao retornar para a CRE fui falar com a Coordenadora Geral e lhe expliquei o que havia ocorrido, em seguida lhe entreguei uma cópia do BO. Depois fui até o meu setor, me dirigi a mesa da Marília e também lhe entreguei uma cópia do BO. Ela me olhou assustada e ficou em silêncio, e eu lhe disse: "se você se dirigir a mim mais uma vez dessa maneira, eu vou te processar, entendeu?" O resultado da minha atitude foi que nunca mais ela me desrespeitou, pelo contrário, com o tempo acabamos nos tornando grandes amigos, a ponto de eu convidá-la em 2013 para o meu novo casamento. 

A decisão de abrir um BO para me defender foi uma decisão radical, mas necessária e legal. Escrevo essas experiências para de alguma maneira ajudar pessoas que estejam passando por isso. Numa outra situação que ocorreu ainda em meu estágio probatório enquanto eu trabalhava no Setor de Ensino da CRE, uma senhora chamada Jordelina Beatriz Anacleto Voos, que havia sido indicada politicamente para ocupar o cargo de chefia em meu setor, se achou no direito de me humilhar diante dos meus colegas ao me chamar de "office boy de luxo", e em outra situação tentou ferir minha masculinidade fazendo uma piada de cunho sexista dirigida a minha pessoa diante de outras mulheres em uma reunião dentro da CRE. Essas duas situações não foram as únicas, mas em relação a essa senhora, eu não tomei nenhuma medida legal por respeito a sua idade avançada, contudo sempre acreditei que ela sofreria por si mesma as consequências de todas as suas insinuações maldosas ditas não só a mim, mas a outras pessoas que eram colegas de trabalho. Creio que suas palavras mais ácidas forma proferidas à Marília Pizzatto Bratti, que na época estava grávida. Certo dia, segundo a própria Marília, ela estava subindo as escadas da CRE, que ficava à época em um prédio de dois andares ao lado do Shopping Mueller, quando Jordelina estava descendo, e ao passar por ela lhe disse: "vê se cuida bem dessa coisa que está dentro de você!" Pessoas prepotentes, orgulhosas, más e psicopatas não sentem pena de ninguém, nem mesmo de uma criança que sequer veio ao mundo. Todavia, como está escrito na Palavra de Deus: "O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda. Melhor é ter espírito humilde entre os oprimidos do que partilhar despojos com os orgulhosos". Provérbios 16:18,19. Certamente, de alguma forma, Jordelina já teve a Lei do Retorno sobre si e seus familiares, infelizmente.

Apesar de tudo isso eu trabalhava em dois empregos, de dia como Técnico Pedagógico na CRE e de noite como professor de NRHE numa escola da Rede Pública Estadual de Ensino, ao mesmo tempo continuava meus estudos em Ciências da Religião na FURB e em minha primeira pós graduação na área da educação, "Interdisciplinaridade na Educação e Metodologia do Ensino Superior" pela Universidade de Joinville (UNIVILLE). Meu tempo era consumido com trabalho, estudos, cursos e congressos sobre educação, e na medida que eu avançava academicamente, minha vida espiritual definhava aos poucos por meio da negligência da oração e da leitura e estudo da Bíblia, e eu ainda continuava completamente afastado e sem frequentar os cultos da IASD.

Um dia, num sábado pela manhã decidi fazer uma visita a IASD do Bairro Guanabara, em Joinville, SC. Eu morava naquele bairro e como fazia anos que eu não pisava dentro de um templo da IASD naquele dia de manhã me deu vontade. Na realidade ainda não era uma igreja organizada, mas se tratava de um grupo de irmãos que se reuniam num salão alugado, pois o templo do bairro Guanabara ainda não tinha sido construído. Cheguei cedo para a escola sabatina e fui recebido de maneira fria e com muita desconfiança por parte daqueles que haviam me conhecido quando eu era pastor. Outro fator que desejo destacar é que nesse grupo de irmãos havia muitos parentes da minha ex mulher e com certeza ficaram me julgando e não se sentiram bem com minha presença. Estou falando aqui o que senti e percebi na época, posso estar errado, mas o fato é que na hora do culto o pregador, que se chamava Ricardo e era parente da minha ex-mulher, disse mais ou menos o seguinte antes de iniciar do sermão: "Não devemos julgar e ter preconceito e ficar dizendo o que ele está fazendo aqui"! Na hora eu percebi que haviam falado de mim. Conheci Ricardo e ele era um verdadeiro homem de Deus. Logicamente ele não deve ter gostado da atitude de alguns irmãos e decidiu fazer o comentário em público. A vontade que me deu foi sair da igreja na hora, mas me contive e fiquei até o final do culto. Todavia, depois disso, que ocorreu no ano de 2003, só fui pisar dentro de uma IASD no ano de 2015. Creio que esse é um dos problemas que impedem ex membros de retornarem, a falta de simpatia, empatia e amor de muitos que se dizem cristãos mas não sabem perdoar e receber de volta os que erraram.

Assim que terminei minha primeira pós graduação em "Interdisciplinaridade na Educação e Metodologia do Ensino Superior" no ano de 2001, iniciei a segunda pós em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela FACINTER na época, hoje UNINTER, a qual concluí em 2003. Lembrando que naquela época uma pós graduação tinha aulas presenciais semanais ou quinzenais, tinha estágios obrigatórios e demorava dois anos para ser concluída. Em 2005 entrei na formatura da minha terceira graduação acadêmica em Ciências da Religião, com Licenciatura Plena em Ensino Religioso, pela FURB, em Blumenau, SC. Foram anos de muito estudo e empenho, pois eu tinha que conciliar meus horários de estudos e meus horários de trabalho. Durante a semana meu tempo era consumido com muito trabalho e aos finais de semana com muito estudo.

Após meu horário na CRE voltar a ser turno único, optei por fazer mais um concurso público para professor de Ensino Religioso (ER) na rede Municipal de Ensino de Joinville, SC, no qual fui aprovado em terceiro lugar. Após meu estágio probatório e trabalhar três anos lecionando ER, fui efetivado no cargo e até hoje sou funcionário público municipal em Joinville, SC.

Além disso, eu desejava muito lecionar para o Ensino Superior. Dessa forma comecei a enviar meu currículo para várias Instituições de Ensino Superior de Joinville. Lembro que em 2004 fui pessoalmente conversar duas vezes com o Professor Romão Petry, diretor acadêmico do curso de pedagogia da ACE. Na primeira vez apresentei meu currículo e ele simplesmente me olhou e disse: "tudo bem". Depois de seis meses fui novamente e levei meu currículo atualizado com mais cursos, e novamente ele recebeu e disse: "tudo bem". O professor Petry tinha sido meu professor de Sociologia da Educação quando estudei na ACE. Eu não tinha nada a temer, pois tinha sido um ótimo aluno e na disciplina dele minha nota final tinha sido dez. No ano seguinte fui chamado para uma entrevista com a professora Cheila, a qual tinha sido minha professora de Didática na ACE. Lembro do que ela me disse: "Jorge, nós temos aqui muitos currículos melhores que o seu. Temos currículos de pessoas com mestrado e doutorado. Mas nós vamos te dar uma oportunidade por duas razões: primeira, você foi nosso aluno, e segunda, você foi um ótimo aluno". Isso me fez pensar que devemos sempre fazer o nosso melhor pois não sabemos o dia de amanhã. Também lembrei do que Ellen G. White escreveu: 
"Unicamente vos esforçando com diligência em busca de êxito, conseguireis a verdadeira felicidade. Preciosas são as oportunidades a vós oferecidas durante o tempo que passais na escola. Tornai a vida de estudante o mais perfeita possível. Não percorrereis esse caminho senão uma única vez". Mensagens aos Jovens; Cap. 53.

No ano de 2005 fui contratado e comecei a lecionar Filosofia da Educação na Faculdade Guilherme Guimbala (FGG), Associação Catarinense de Ensino (ACE) no curso de Pedagogia. Logicamente deixei de lecionar para o Ensino Médio à noite. Inicialmente lecionei apenas uma disciplina no curso de Pedagogia da ACE/FGG para o primeiro ano do curso. Com o passar do tempo, meu trabalho foi sendo reconhecido e cheguei a lecionar até quatro disciplinas do primeiro ao quarto ano do curso. Trabalhei por mais de 10 anos como professor do curso de pedagogia da ACE/FGG, e tive a oportunidade de ajudar alguns alunos Adventistas do Sétimo Dia negociando a presença em minhas aulas na sexta feira à noite e solicitando um trabalho extraclasse. Mas eu mesmo, me sentia distante de Deus e da Sua vontade. Nesse período pude lecionar as disciplinas de Filosofia da Educação, História da Educação, Projetos Educacionais, Políticas Públicas, Formação Continuada dos Docentes, Gestão Escolar, Educação e as Novas Tecnologias, Educação de Jovens e Adultos, Antropologia Cultural a qual lecionei a convite na faculdade de Psicologia da ACE/FGG, Sociologia da Educação e Empreendedorismo. Em setembro de 2015 me despedi da função de professor na ACE/FGG com uma carta aberta de agradecimento, a qual pode ser lida no blog da disciplina de História da Educação

Nesse período em que lecionei na ACE/FGG, ou seja, do ano de 2005 até o final de 2015, aconteceram muitas coisas em minha vida espiritual fora da IASD. Apesar da minha vida profissional e acadêmica estar indo bem, espiritualmente eu estava declinando cada vez mais. Em 2002 iniciei um relacionamento com uma de minhas alunas do Ensino Médio, a jovem Kelen Francine Simão. Apesar da nossa diferença de idade a gente se dava bem. Ela era da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ) e após dois anos de namoro fizemos um contrato de união estável e passamos a morar juntos. Em 2006, no dia 02 de março, nasceu meu segundo filho, Jorge Gabriel Nikolas Schemes. Ter a oportunidade de presenciar seu nascimento foi algo mágico e inesquecível. Ouvir seu primeiro choro foi como ouvir o som da vida. Seu parto não foi fácil, e o médico estava tendo dificuldades em tirá-lo, a ponto de eu escutar ele dizendo teria que usar o Fórceps, porque estava demorando muito e sua mãezinha já estava cansada e esgotada. Eu já tinha lido alguma coisa sobre o uso do Fórceps, e geralmente deixa alguma sequela. Fiquei nervoso, mas na mesma hora fiz uma oração a D'US em nome de Jesus, pedindo que desse forças à mãe do meu filho e abençoasse para que o suo do Fórceps não fosse necessário. Assim que acabei de orar, meu filho nasceu, forte e saudável, e à partir dali eu fiquei sempre ao seu lado. Ele tirou nota Dez na Escala de APGAR. 

Momento do Nascimento do Meu Filho, Jorge Gabriel Nikolas Schemes, no Dia 02 de Março de 2006, em Joinville, SC, no Hospital e Maternidade da Unimed.

Como minha esposa Kelen Francine Simão à época frequentava a IEQ nos cultos de domingo à noite, eu a acompanhava. Parecia que minha vida estava dando uma volta ao ponto de partida espiritual. Eu gostava de ir aos cultos, logicamente havia coisas que o pastor Edson pregava que eu não concordava, mas na maioria das vezes suas pregações eram cristocêntricas. Eu me sentia de certa forma num dilema espiritual. O pastor Edson era um homem sincero e que amava a Jesus. Mas eu nunca falei nada pra ele do que eu acreditava, até porque eu não estava vivendo tudo que sabia, principalmente em relação ao quarto mandamento da Lei de Deus. Todavia, apesar de estudar e lecionar aos sábados eu mantinha muitos princípios da IASD, eu não fumava, não bebia bebidas alcoólicas e não comia certos tipos de alimentos imundos, Todavia, minha vida pessoal de oração e estudo da Bíblia havia praticamente desaparecido, com exceção de quando eu ia na IEQ e de quando ia fazer uma viagem, porque sempre recitei o Salmo 121 antes de pegar a estrada. Além disso, eu não dava testemunho para absolutamente ninguém sobre o Evangelho Eterno que uma vez eu pregava quando era pastor. 

Assim eu fui vivendo, na ilusão de que poderia viver do meu jeito sem dar satisfação para ninguém e sem pedir a permissão de Deus, apesar de achar que minha fé em Jesus estava bem firmada. Na realidade eu estava confundindo conhecimento intelectual sobre o Evangelho com experiência espiritual pessoal com Jesus. Os anos foram passando e eu me mantive imóvel no sentido espiritual. Eu me dedicava ao máximo para minha família e para os meus empregos. Profissionalmente eu estava realizado, mas havia um vazio dentro de mim, uma inquietação espiritual de saber o caminho e não estar andando nele.

Apesar de tanta coisa ruim, nesse período eu vivi os melhores momentos com os meus filhos Miriam Maria Vensso Schemes e Jorge Gabriel Nikolas Schemes. Apesar de não morar comigo, eu pegava minha filha Miriam com frequência para ficar conosco nos finais de semana e nas férias. Eu simplesmente amava estar com os meus dois filhos. Passeávamos muito. Tenho boas lembranças dos passeios em Shopping Centers, nos parquinhos de diversão, na Expoville, na Estrada Bonita na região rural de Joinville, e também das viagens para Barra Velha, SC, para Lages, SC, e para as praias de Florianópolis, SC. Deus me concedeu o privilégio de viver ótimos momentos com os meus filhos Miriam e Gabriel quando eles tinham entre 06 anos e 14 anos de idade no caso da Miriam, que hoje (2020) tem 20 anos de idade e mora e estuda em Curitiba, PR; e no caso do Gabriel que hoje (2020) tem 14 anos de idade e mora com  mãe dele em Barra Velha, SC, desde o seu nascimento até os 06 anos de idade. Ou seja, quando eles tinham essa faixa etária eu passava com frequência bons momentos com os dois, pois mais tarde isso mudou, e ficar algum tempo com os dois juntos se tornou mais raro. Digo isso porque nesse período de faixa etária deles eu os via com frequência e podia curtir meus dois filhos juntos. Foram ótimos momentos que me trouxeram grande alegria e satisfação como pai. A seguir apresento um vídeo de um desses momentos com os meus amados filhos Miriam e Gabriel:  


Porém, tudo estava prestes a mudar em minha vida, para pior, eu ainda não havia chegado ao meu fundo do poço. No ano de 2009, não lembro exatamente se foi no mês de junho, julho ou agosto, o irmão mais novo da minha esposa à época, Kelen Francine Simão, o Felipe, faleceu após um acidente de carro. Era um jovem de 19 anos de idade, e seu melhor amigo Rodrigo, de 17 anos de idade, também faleceu na mesma hora do acidente. Fui visitar Felipe na UTI do Hospital São José em Joinville, SC, dois dias após o acidente e confesso que não soube o que fazer, ele estava em coma, houve rotação cerebral, dias depois ele faleceu. Sua morte mexeu com os sentimentos de todos, principalmente na família da minha esposa, a qual ficou depressiva e sofreu muito com a perda do irmão que havia ajudado a cuidar na infância.

Passados três meses da sua morte, uma noite eu estava em nosso apartamento me preparando para dormir, minha esposa já estava deitada e meu filhinho Jorge Gabriel já estava dormindo, era perto da meia noite quando comecei a sentir um cheiro muito forte de cigarro. Lá em casa ninguém fumava, aliás, sempre detestei o cheiro de cigarro. Ao perguntar para minha esposa se ela estava sentido o cheiro de cigarro ela me respondeu que não. Fui verificar as janelas do apartamento para ver se estavam todas fechadas, pois poderia ser algum vizinho fumante dando baforadas na janela do apartamento de baixo, mas não era, estava tudo fechado. Era uma noite fria, eu estava bem agasalhado antes de ir dormir e aquele cheiro parecia que ficava mais forte. Foi então que resolvi cheirar a blusa que eu estava vestido, e para minha surpresa o cheiro vinha dali, da parte debaixo da axila esquerda, o cheiro estava impregnado na blusa como se alguém tivesse esfregado cigarros nela. A princípio fiquei atônito, sem saber o que fazer, cheguei perto da minha esposa e pedi para ela cheirar, e ela também sentiu o fedor de cigarros. Em seguida tirei a blusa e joguei no lixo. Antes de dormir convidei minha esposa para orar e recitei o Salmo 91. Dormi muito bem aquela noite, mas no outro dia fui cheirar a blusa novamente e não havia mais cheiro nenhum de cigarros. Fiquei intrigado com aquilo e apesar de saber do que poderia se tratar, por curiosidade, perguntei para uma colega de trabalho que era do Candomblé o que aquilo significava, ao que ela me respondeu: "Proteção, isso significa proteção". Eu não acreditei, até porque o que aconteceu alguns dias depois foi a gota d'água para me derrubar profundamente no mundo de trevas do maligno.

No final do ano de 2009, após meu 43º aniversário no dia 16 de dezembro, antes do Natal, eu estava de férias com minha esposa Kelen e meu filho Jorge Gabriel na casa de praia dos meus sogros em Barra Velha, SC, estávamos voltando da praia quando minha esposa me disse dentro do carro que não queria mais viver comigo. Após ouvir suas explicações, fiquei chocado, pois eu não havia deixado de estar junto dela e do nosso filhinho Jorge Gabriel por um dia sequer. Aliás, meu filho, que estava com três anos e meio de idade chamava mais o papai do que a mamãe. Ele acordava todas as madrugadas por volta das três horas e me chamava "papai" do berço que ficava no quartinho dele. Todas as noites, desde o seu nascimento, eu ia ver como ele estava. Depois quando começou a me chamar eu ia buscar no berço. Eu e meu filhinho tínhamos uma conexão muito forte. Após o pedido de separação da minha mulher, no mesmo dia eu fui para Florianópolis para esfriar a cabeça e fiquei as férias todas lá na casa da minha tia Rute. Essa tia sempre foi como uma irmã para mim, ela ajudou a me criar quando eu era pequeno. Pela primeira vez passei o natal e o ano novo longe do meu filho Jorge Gabriel Nikolas Schemes, e aquela experiência me marcou muito. Após meu retorno, minha esposa foi embora para a casa da mãe dela e levou meu filhinho. De repente eu me vi sozinho dentro do meu apartamento, com os brinquedos do meu filho jogados pelo chão. Do jeito que o apartamento estava quando minha esposa foi embora com meu filho, ele ficou por seis meses. Foram seis meses de profunda tristeza e depressão. Minha vida era ir trabalhar e voltar para casa para dormir. Eu não mexi em absolutamente nada dentro de casa, a não ser no colchão, pois passei a dormir na sala. Eu acordava no meio da madrugada e escutava meu filhinho me chamando: "Papai", e quando eu ia até o quarto dele estava vazio. Meu sentimento de solidão e abandono foi muito forte, eu estava passando por uma depressão e não sabia. Quando eu pegava meu filho para ficar comigo e minha filha Miriam juntos, era muito bom, eu ficava feliz, mas depois de entregá-los eu voltava para casa e me sentia solitário e triste. Minha rotina era sair de manhã para trabalhar e voltar à note. Na época eu dava aulas de Ensino Religioso pela manhã na Rede Municipal de Ensino, trabalhava na CRE à tarde e lecionava à noite da faculdade, no curso de pedagogia da ACE/FGG. Essa rotina durou seis meses, até julho de 2010, quando começou uma nova fase na minha vida espiritual, a fase das trevas e do vale da sombra da morte, até que pela graça, pelo amor e pela misericórdia de nosso Pai Celestial a luz de Cristo raiou sobre mim no final de 2015. Mas isso eu vou deixar para o próximo capítulo.

Sobre minha formação acadêmica favor acessar meu Currículo Lattes.

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