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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Ex Pastor da IASD Conta Tudo! Depoimento - Parte I - Infância até os 7 Anos de Vida

Sim, atualmente (08/06/2016) ainda sou ex membro e ex pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia - IASD. Para saber e entender o porquê deixei o Ministério Adventista do Sétimo Dia em Maio de 1998 é necessário ler toda minha trajetória na IASD, desde minha infância até hoje.

Inicialmente vou escrever e falar um pouco sobre a primeira parte da minha infância, que vai até aproximadamente os sete anos de idade. Vou falar sobre fatos que me recordo com clareza nos meus primeiros anos de vida. 

Nasci no dia 16 de dezembro de 1966. Minha história como membro ativo na IASD começou em 1983, quando fui batizado nas águas. Todavia, desde pequeno tive contato com a igreja, pois fui apresentado a Deus em cerimônia de dedicação de criança na Igreja Adventista do Sétimo Dia, logo após meu nascimento. Na ocasião fui levado por minha mãe Miriam e minha avó Osvaldina para ser dedicado ao Senhor no templo da igreja, sendo assim, posso afirmar que desde que nasci eu já tinha contato com a IASD, pois minha avó materna e minha mãe já eram batizadas e participavam como membros da igreja de Lages, SC. A seguir algumas fotos de momentos da minha infância nesse período.

Casamento dos meus pais: Miriam Aparecida Neto Schemes e Volni Adelmo Schemes

Infelizmente meus pais se divorciaram quando eu ainda não havia nascido. Durante toda minha infância, adolescência, juventude e até hoje (16/02/2017), atualmente com a idade de 50 anos de vida, ainda sinto a ausência do meu pai biológico. Vi e conversei pessoalmente com ele três vezes até o momento (16/02/2017).

Lembro quando eu tinha uns cinco aninhos de idade, eu estava dentro de um ônibus urbano com minha avó materna e ela apontou com a mão em direção ao banco que ficava do outro lado do corredor e me disse: "olha, aquele é seu pai!" "Vá lá no colo dele!". Na minha inocência eu fui, e quando sentei no colo do meu pai ele virou o rosto pra janela, ficou com os braços imóveis e não disse nada. Fiquei sem graça e voltei pro colo da minha vó.

O tempo passou e mais tarde, quando eu tinha 18 anos de idade, meu pai me visitou na casa da minha vó. Eu estava sozinho em casa e escutei alguém batendo à porta, quando abri, lá estava um homem um pouco mais baixo que eu, alcoolizado, e me perguntando: você sabe quem eu sou? Não vai me dar um abraço? Eu fiquei imóvel e em silêncio, na verdade eu não sabia como agir, eu sabia que era o meu pai, mas fiquei sem reação. Diante da minha atitude, meu pai tomou a iniciativa e me abraçou chorando como uma criança. Convidei-o para entrar e ele se justificou o tempo todo sobre o passado. Escutei em silêncio e atônito.

No outro dia a cena se repetiu, mas com uma diferença, ele não estava alcoolizado. Então nossa conversa foi melhor. Mas quando lhe disse que havia passado no vestibular no Instituto Adventista de Ensino em São Paulo, SP, antigo IAE, e que eu iria estudar na faculdade de teologia para ser um pastor da IASD, ele vociferou: "você não vai não"! Decidi naquele momento me calar, fiquei em silêncio e não lhe dei resposta alguma, apenas pensei e fiz uma oração ao meu Pai Celestial e deixei ele esbravejar.

Em seguida, conversamos sobre algumas coisas, mas ele insistia em justificar o passado e colocar a culpa em minha mãe e meus avós maternos. Eu era apenas ouvidos. Depois de um tempo ele me convidou para sair e me levou num bar. Pediu uma cerveja e dois copos. Quando ele foi me servir eu coloquei a mão na boca do  meu copo impedindo que derramasse a bebida alcoólica no meu copo. Meu pai me olhou desconfiado, tomou vários goles de cerveja na minha frente e disse: "você não bebe? Não é homem?"! Eu lhe respondi: "sou mais homem do que você pensa"! Em seguida ele começou a acusar a Igreja Adventista do Sétimo Dia dizendo: "você não bebe por causa daquela religião não é? Foi por causa dessa religião que não deu certo meu casamento com sua mãe!" Eu apenas ouvi e orei. Eu estava prestes a viajar para Florianópolis para a colportagem de férias juntamente com estudantes da igreja vindos de vários internatos adventistas de todo Brasil, era o verão de 1985 para 1986. Aquela seria minha quarta experiência como colportor estudante nas férias, e Deus já tinha me abençoado com dinheiro suficiente para pagar um ano de internato e faculdade de teologia em São Paulo, SP, no IAE. Antes de ir embora, meu pai colocou o equivalente a uma nota de cinco reais na minha mão e disse que era pra eu comprar uns doces. Eu recusei, mas como ele insistiu acabei pegando por educação, depois dei como oferta a Deus no culto de adoração sábado de manhã.

Eu no colo da minha jovem mãe Miriam

Descobri recentemente que tenho ascendência judaica. Minha mãe chamava-se Miriam Aparecida Neto Schemes, o sobrenome Neto é de origem portuguesa e está na lista dos nomes com ascendia judaica. Minha avó materna chamava-se Osvaldina Emy da Silva Muniz, o sobrenome silva também denota ascendência judaica. Minha bisavó materna chamava-se Emy da Silva Neto, duplo sobrenome que compõe nomes de origem judaica. Ela já guardava e santificava o sábado como membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Ao descobrir que tenho ascendência judaica, que sou filho de Abraão e parte do povo de Israel, isso me trouxe para mais perto de D'us o Pai Celestial e de Jesus, Yeshua יֵשׁוּעַ  ;o Salvador, Cristo, o Filho de D'us, o Messias prometido em Isaías 52:13-15 e Isaías 53:1-12

Eu com minha Mãe Miriam (Esquerda) e minha Avó-Mãe Osvaldina (Direita)

 Com Minha Mãe Miriam

Na verdade, sou a quarta geração de Adventistas na minha família. Minha avó materna, Osvaldina Emy da Silva Muniz, conhecida como Dona Didi, me dizia que sua mãe Emy era batizada e membro fiel da igreja Adventista do Sétimo Dia, ela costumava levar minha avó sábado pela manhã à igreja na cidade de São José, SC, atualmente município da grande Florianópolis, capital de SC. Também me dizia que santificavam o sábado passando as tardes na praia, onde cantavam, oravam, passeavam e faziam um lanche trazido de casa.

 Antepassados: Entre Eles Minha Bisavó Emy - Única Adventista do Sétimo Dia na Família

Na Roça: Meu Avô, Filhos, e Minha Avó, Única Adventista do Sétimo Dia na Família

Desse modo, minha bisavó Emy já guardava os mandamentos de Deus e era fiel a Jesus. Quando eu era criança, fui criado e educado por minha avó materna, pois minha mãe e meu pai haviam se divorciado logo após meu nascimento e ela foi trabalhar na cidade de São Paulo, SP. Como minha avó ia na IASD central de Lages, SC, eu ia junto, e dessa maneira lembro das experiência religiosas da minha infância com satisfação, as quais descreverei a seguir.

Lembro que, quando mudamos da roça para morar na cidade de Lages, SC, em casa sempre havia momentos de oração, principalmente na hora do almoço e na hora de dormir, essa prática predominou até aproximadamente meus sete anos de idade. Eu gostava muito porque minha avó cantava pra mim com sua voz de contralto com muito carinho e antes de adormecer me lembrava de orar e agradecer a Deus pelo dia. Um dos hinos do Hinário Adventista que ela cantava pra mim era o de número 52 - "Vestido Em Linho". Na minha imaginação infantil eu visualizava Jesus descendo do céu pendurado num fio de linha...mas eu gostava muito e sempre pedia pra ela cantar esse hino. Confira o hino no vídeo abaixo, é um dos mais belos louvores sobre Jesus.


Os anos se passaram rapidamente em minha infância. Naquele tempo não tinha TV, muito menos computador ou celular, nossas brincadeiras eram na rua com todos os amiguinhos vizinhos do bairro. 

Da esquerda para direita: meu amigo Ricardo, meu irmão André, eu e minha prima Luciana.

Apesar de Ser de Família Pobre, Tive Uma Ótima Infância 
Minha Primeira Bicicleta Caloi

Lembro de uma vez que eu estava brincando numa casa abandonada que ficava na frente da casa da minha avó juntamente com alguns amiguinhos vizinhos da mesma rua, aconteceu algo comigo que nunca esqueci. Eu estava correndo ao redor da casa quando pisei numas tábuas podres e escorreguei para dentro de um poço abandonado, bem fundo, só não cai lá dentro porque consegui me apoiar com os dois cotovelos numa das tábuas que não estava tão podre. Fiquei ali pendurado pelos braços e pedindo ajuda. Consegui em seguida me erguer e sair daquela situação. Essa foi a primeira vez que eu considero que Deus me livrou da morte e me guardou com seus santos anjos de luz, porque aquele poço era muito fundo e com certeza eu poderia ter morrido naquele dia, eu devia ter uns seis anos de idade.

Na minha casa, ou, na casa da minha avó, que era muito simples e humilde, mas que era muito bem limpa, havia o costume de praticar a oração de ações de graças na hora do almoço. Eu gostava e participava com respeito e reverência, pois acreditava que Jesus estava ali. Observe o quadro na parede, acima do rádio que está numa prateleira (televisores preto e branco eram caros), no quadro uma família está em pé em oração ao redor da mesa posta e uma menininha está puxando a cadeira para Jesus sentar. Minha avó sempre deixava uma cadeira vazia na mesa e dizia que Jesus estava ali conosco.  

Oração de Ações de Graças

Da direita para a esquerda: Tia Tânia, Tio Nelson, Minha Avó Osvaldina, Eu, Meu Padastro Carlos, Uma Irmã da IASD de Lages, SC.

Aprendi Desde Cedo Com Minha Avó e Minha Mãe a Praticar a Oração

Lembro que quando ia na igreja sábado pela manhã com minha avó íamos andando. Morávamos a cerca de 4 ou 5 quilômetros da igreja (hoje central de Lages, SC) dessa maneira eu aproveitava para ir fazendo algumas brincadeiras pelo caminho. Quando chegávamos lá, eu ia para a escolinha bíblica para as crianças, que ficava numa sala nos fundos da igreja. Com o passar dos anos essas idas foram ficando cada vez mais raras, até que finalmente, aos sete ou oito anos de idade eu não fui mais porque minha avó deixou de ir e minha mãe estava morando em São Paulo, SP.

IASD Central de Lages, SC - Saída do Culto - Ano: 1973

Da Esquerda Para a Direita - Pastor, Carlos (meu padastro), Eu, Minha Avó Osvaldina e Uma Irmã

No Culto Divino: Minha Avó, Carlos (meu padrasto) e Eu Com Muito Sono

Minha mãe Miriam ainda estava morando em São Paulo, SP, havia casado novamente com Carlos, o qual se converteu e se batizou na IASD para casar com ela. Na ocasião das fotos acima eles haviam viajado para me buscar e morar com eles em Hortolândia, interior do Estado de SP. Foi muito difícil pra mim morar longe da minha Avó-Mãe, pois foi ela que me criou desde bebê e me educou nos caminhos de Deus em minha infância. Em Hortolândia estudei o primeiro ano primário no IASP - Instituto Adventista de São Paulo. Frequentei o colégio adventista na primeira série primária, minha família morava a algumas quadras do IASP, eu estudava pela manhã e lembro muito bem dos valores ensinados por minha professora. Lembro também dos cultos na igreja do colégio, onde ia com minha mãe Miriam e meu padrasto Carlos. As fotos a seguir mostram o tempo em que morei com minha mãe e meu padrasto em Hortolândia, SP, 

 Minha Mãe Miriam e Meu Padrasto Carlos
Tenho muitas boas lembranças deste período da minha vida, eu tinha seis anos de idade e lembro que no pátio do IASP os alunos ficavam em fila para catarem o hino nacional antes de entrarem para as salas de aula. Mas o que mais me recordo e o que mais está vivo em minha memória são os cultos na igreja do colégio. Infelizmente não vivi mais de um ano em Hortolândia, pois minha mãe e meu padrasto se separaram, e eu, voltei a morar em Lages, SC, com minha avó materna Osvaldina, a dona Didi, como era carinhosamente conhecida. Vários anos mais tarde, quando eu tinha cerca de 20 anos de idade, pude voltar no IASP e ver o prédio onde estudei meu primeiro ano primário. 

Foi numa manhã de sábado ou domingo, não tenho certeza, eu estava brincando numa caixa de areia quando ouvi os gritos da minha avó descendo a rua do colégio, ela chamava meu nome, e quando a vi saí correndo em sua direção com meu coração disparado de alegria, eu estava com muita saudade dela. Me recordo que alguns dias depois fomos pegar o trem para irmos embora para São Paulo, SP, e depois o ônibus para Lages, SC. Se por um lado eu estava feliz de ir embora com minha avó, por outro estava triste de me afastar da minha mãe. Após o divórcio minha mãe ficou em São Paulo, SP, para trabalhar na IBM, pois empregos eram mais fartos em São Paulo do que em Lages. 

Ao chegar em Lages, SC, minha avó foi me matricular na Escola Municipal Ondina Neves Blayer e não havia mais vagas para a segunda série na época, para eu não ficar sem estudar me matricularam novamente na primeira série. Eu lembro que já estava alfabetizado e a professora me colocou para ajudar os coleguinhas que ainda não sabiam escrever e nem ler. Desse período lembro que havia as aulas de Educação Religiosa como forma de catequese católica apostólica Romana e eu achava algumas orações como Ave Maria muito estranhas, pois em casa a oração era uma conversa com Deus ou a oração do Pai Nosso. Lembro que sempre que surgia questões relacionadas a Bíblia eu estava mais informado do que meus coleguinhas, por causa das historinhas que eu ouvia na igreja e daquelas que minha mãe-vó contava pra mim em casa.

Estudei os quatro anos das séries inciais nessa escola, que ficava mais ou menos a uns dois quilômetros de casa. Lembro que sempre ia a pé e minha avó ficava na porta me olhando até eu chegar na esquina, eu olhava pra ela e mandava um beijo antes de prosseguir. Até esse tempo eu ia na igreja com minha avó e participava da classe da escola sabatina para crianças que ficava numa sala nos fundos da igreja.

Resumidamente essa foi a primeira fase da minha infância até os sete anos, apesar de tudo eu era uma criança feliz e amava demais minhas duas mães Miriam, mãe biológica e Osvaldina, avó e mãe do coração.

A seguir algumas fotos da minha infância com a música: "Lindo és Meu Mestre", que minha avó Osvaldina e minha mãe Miriam cantavam quando eu era pequeno: 

2 comentários:

  1. Olá,Jorge! Vi seu vídeo no Youtube e através dele cheguei a essa página. Li a primeira parte do seu testemunho na IASD. Estou estudando um pouco da obra de Ellen G. White, a começar pelo livro "Ainda Existe Esperança", que foi distribuído gratuitamente no ano de 2010. Eu realmente estou dividido quanto à verdade da profetisa Ellen Gould White, e venho pedindo a Deus que ele me mostre a verdade. Não quero ser enganado e aceitar falsas doutrinas. Vi vários relatos na internet, mas até agora nenhum me convenceu. Estou ansioso para saber o restante do teu testemunho, se puder me ajudar com algum conhecimento, e/ou me indicar um caminho de estudos que me leve aos erros da Sra. White, ficaria muito feliz. Obrigado, que Deus te abençõe!

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  2. Paz em Jesus!!!
    Leia o Livro Caminho a Cristo disponível em www.teologiahoje.blogspot.com e ore pedindo que o Espírito Santo te ilumine e te revele se ela recebeu o dom de profecia ou não. Depois conversamos e oramos juntos.

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